Teresa Borsuk: igualdade posta em prática

Sócia do escritório londrino Pollard Thomas Edwards concede entrevista exclusiva para Arquitetura & Construção

Por Por Silvia Gomez Atualizado em 9 set 2021, 14h05 - Publicado em 8 mar 2016, 08h00

Em 2015, Teresa Borsuk, sócia do escritório londrino Pollard Thomas Edwards, segurou o troféu de arquiteta do ano, o AJ Woman Architect of the Year, título concedido pelo Architect’s Journal. Uma das razões da escolha de seu nome: sua notável contribuição em prol da igualdade. Durante sua liderança, o número de mulheres na equipe da empresa chegou a 50%.

Como vê o lugar das arquitetas hoje no mercado?

Estatísticas indicam que elas estão deixando a prática em grande número e é por isso que encontramos tão poucas em papéis de liderança. Dos 34 250 profissionais cadastrados no Royal Institute of British Architects (Riba), somente 7,5 mil eram mulheres, apesar de o número de estudantes desse sexo vir crescendo e já estar agora na casa dos 50%.

Por que isso acontece?

Em última análise, é geralmente uma decisão voluntária, em função de uma série de barreiras. Elas permanecem no centro da vida familiar e muitas saem quando têm filhos. A combinação de trabalho e responsabilidades domésticas pode pesar muito. O modelo de negócios convencional pressupõe uma carreira linear, sem espaço para pausa. Esse mesmo modelo associa liderança com disponibilidade irrestrita, cultura generalizada na área. Os números mostram que o trabalho em período parcial – porque você estaria cuidando de uma criança – é amplamente visto como ruptura na trajetória. No entanto, há vantagens comerciais claras para práticas mais flexíveis, perfeitamente possíveis. Um ambiente equilibrado beneficia a todos. O relatório McKinsey – Women Matter sugere que as empresas mostram melhor desempenho quando há equilíbrio entre os sexos. Faz sentido para os negócios. E, claro, nada disso deve configurar como oposição entre homens e mulheres. Mais envolvimento e apoio dos homens é fundamental. É óbvio, não é? Percepções precisam mudar. Não há fórmulas mágicas nem soluções rápidas. Precisamos transformar o modelo dominante para criar uma ética que retenha as mulheres. Assim, elas chegarão aos cargos de chefia e poderão também promover outras.

Como você fez isso em seu escritório?

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O Pollard Thomas Edwards já contava com sócias e associadas desde os anos 80. Nunca houve uma política deliberada para atingir o equilíbrio de gêneros, mas um esforço consciente de gerar um ambiente social e cultural que apoiasse a igualdade. Hoje, cerca de 50% de nossos funcionários são mulheres, todas bem-sucedidas e naturalmente inspiradoras.

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