Reforma em apartamento de 250 m² destaca o skyline paulistano

No edifício que alardeia 360 graus de panorama e se ergueu no horizonte assumindo a condição de novo ícone paulistano, uma família remodelou seu apartamento

Por Produção Deborah Apsan | Texto Joana L. Baracuhy Atualizado em 9 set 2021, 14h13 - Publicado em 8 out 2015, 11h00

O fato de o espigão contemporâneo levar a assinatura do badalado arquiteto Isay Weinfeld pouco importava ao jovem casal, quando eles resolveram comprar uma unidade na planta. “Foi uma escolha objetiva. Toda a família do meu marido vive na zona oeste de São Paulo e procurávamos um sobrado para morar na região. Os imóveis estavam caros e pagar o apartamento parcelado nos serviu melhor”, lembra a designer Lia Assumpção, sobre a escolha feita anos atrás. 

Verdade que os prêmios acumulados pelo engenhoso edifício – como o britânico Mipim Architectural Review Future Project Awards 2009 – alimentaram uma pontinha de vaidade no produtor musical Rodrigo Fonseca. Nada definitivo, porém. Até a inicialmente hesitante Lia visitar os 250 m² em andar altíssimo e se render ao fulminante skyline, muito bem capturado pela fita de janelas na fachada e pelo amplo terraço. “Adoro enxergar daqui, em dias de céu limpo, os limites da cidade: a Avenida Paulista, a serra da Cantareira…”, atualmente ela constata. Decisão tomada (a alternativa seria vender o imóvel pronto e converter o investimento em outra morada), a família aderiu a uma das plantas oferecidas pela construtora, mas convocou o time do escritório Terra e Tuma Arquitetos Associados para fazer retoques na distribuição. 

Basicamente, um dos quartos era pequeno demais para o menino, hoje com 5 anos, ainda mais se ganhasse a companhia de um futuro irmão. Mas a conversa com Danilo Terra, Pedro Tuma e Fernanda Lie Sakano, indicados por amigos comuns, evidenciou outros aspectos que mereciam intervenção sob medida. “A área de serviço, estranhamente, ficava na face com a melhor insolação. E a sequência de 22 m de caixilhos, que justamente poderia oferecer uma amplitude sem igual, era interrompida a cada cômodo”, explica Danilo. “Ou seja: apesar da metragem generosa e da vista espetacular, ele parecia um imóvel grande mas convencional – o que não é”, resume. 

Problemas mapeados, as soluções não se desenharam tão facilmente. “Ousamos na ideia inicial de reforma, forçamos os limites dos clientes, imaginando que depois chegaríamos suavemente a um meio-termo, sem abrir mão da inovação”, sinaliza Danilo. Ele se refere à proposta inspirada na arquitetura japonesa, com ambientes semelhantes a grandes caixas no interior do apartamento, o que basicamente fez cair o queixo do casal. “Chegamos a questionar se eles estavam nos entendendo. Mas insistimos na vontade de ver uma saída mais casual e enfim acertamos o passo”, diz a proprietária, que gostou da segunda versão – com a inclinação nipônica depurada e abrasileirada – e se envolveu na reforma. 

Foi a partir daí que a obra ganhou corpo, tocada por um empreiteiro de confiança da família. Aos poucos, os forros saíram de cena, explicitando as instalações (devidamente maquiadas em nome de um visual mais harmônico), as paredes de drywall mudaram de lugar, e louças, portas, revestimentos e todo o restante possível assumiram novo uso. “Com seu refinamento estético, a própria Lia desenhou todos os móveis e escolheu o ladrilho da cozinha, o mesmo das outras áreas molhadas”, relata Pedro.

Tudo pronto, o trio se instalou e, à sua maneira, cada um vem descobrindo o novo endereço. Empenhado em cuidar das plantas e curtir o “quintal”, Rodrigo se diverte ao contar quão incomum foi receber uma carta do condomínio, na qual o próprio Isay Weinfeld recomendava aos moradores manterem aberto o terraço (o fechamento com vidro tornou-se mania nos prédios da cidade). Lia, por sua vez, embala Felipe, o novo integrante da família, driblando o bate-bate vindo do imóvel de cima, em reforma. Já Miguel, com pouco mais de 1 m de estatura e aquela desconcertante sabedoria infantil, atesta gostar da morada, mas fita a janela e constata: nada de prédios, árvores, e o céu raramente surge azul. Em São Paulo, mesmo uma bela paisagem é cinza. 

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