Este sobrado quarentão, o mais antigo da vizinhança, nunca havia passado por uma transformação radical. Mas, ao ser arrematado por um casal de administradores de empresas de São Paulo, ele foi reformado completamente para conquistar luminosidade e espaços amplos. Confira uma linda casa de três andares para morar e trabalhar!
Por Danilo Costa (colaborou Marjory Basano) Fotos: Evelyn Müller
Após dez meses de obra e uma agradável surpresa pelo caminho: o nascimento do primeiro filho dos proprietários -, a casa estava com suas áreas redistribuídas e sem as divisórias que a compartimentavam demais. Como a construção original e de alvenaria autoportante, sem pilares nem vigas, foi preciso encomendar um projeto estrutural antes de derrubar paredes, explica a arquiteta Gisele Gottardi. Ela também deu a ideia de transformar a edícula, nos fundos do terreno, num quintal com churrasqueira, chuveirão e muitas plantas. Não faltou capricho em cada detalhe, especialmente na seleção de acabamentos, que inclui ladrilhos hidráulicos, madeiras de demolição e azulejos decorados com estampas escolhidas pelos moradores. As expectativas dos moradores foram além do esperado, apesar de o custo da obra ter sido 20% maior do que eles estimavam no início do quebra-quebra. Depois de a casa estar pronta, os donos descobriram outro detalhe. Na escolha do piso do quintal, optaram pelo fulgê, por ser um material áspero e antiderrapante.
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Na entrada, a porta pivotante de angelim-pedra (Unimóveis) ganhou um painel fixo que ilumina a sala.
Em cada canto, há uma delicadeza: na cozinha, os azulejos da artista plástica Flávia Del Prá; na sala, a lareira com frontão de madeira de demolição; no quintal, a torneira sobre uma moldura de cruzetas (O Relicário); na parede da área da churrasqueira, os ladrilhos hidráulicos da Ladrilar.
A divisória entre a sala e a cozinha saiu de cena, restou a mureta de 94 cm com um tampo de madeira de demolição que serve de bancada. A parede recebeu tijolos aparentes e o piso é de porcelanato (linha Urban, da Portinari). Na sala de jantar, a viga metálica foi pintada de tinta esmalte (Suvinil).
Para ganhar espaço no lavabo, a porta desliza por um trilho de inox instalado do lado de fora. Ela é de madeira de demolição, mesmo material usado numa das paredes. A outra foi pintada de tinta acrílica da Suvinil (ref. P091). Espelho da Tendências e bancada de mármore nero marquina (PedraCor) fixada com grapas metálicas. Cuba, torneira e vaso sanitário da Deca.
Na escada, há um tubo metálico central com pisadas de chapas metálicas. Essas peças serviram para a fixação dos degraus de cumaru e da barra metálica que prendeu o guarda-corpo de vidro (Penha Vidros). Embutido na parede, o corrimão é de cumaru.
O quintal, com piso de fulgê, abriga o espaço de lazer dotado de churrasqueira. Sob a bancada, estão os ladrilhos hidráulicos protegidos por impermeabilizante incolor (Hydronorth). Nos dias quentes, os moradores se refrescam no chuveirão, cujo encanamento fica escondido pela placa feita de cruzetas.
Gisele projetou janelas e portas maiores, mas providenciou muros que resguardassem a casa. O da frente tem 2,60 m de altura e o lateral cresceu de 2 para 2,60 m ambos foram revestidos de Terracal (Terracor). O portão, os acessórios da fachada (número e caixa de cartas) e o guarda-corpo do terraço são de ferro oxidado (Resende Estruturas).
Sem avançar no recuo lateral, o projeto redefiniu as áreas para alargar a sala. Como as paredes originais eram estruturais, ao eliminá-las foi preciso criar uma nova estrutura de concreto. Só a viga aparente na sala é de aço. As peças de concreto levaram mais de um mês para ficar prontas, já o aço demoraria alguns dias. No entanto, o concreto é uma opção mais econômica, explica a arquiteta.
A porta (1) mudou da lateral para a frente da casa e levou mais luz à ala social. Gisele alocou o lavabo (2) atrás da sala de jantar e liberou a entrada. Com isso, eliminou o dente existente e conseguiu ampliar o living (3). Também retirou a parede entre a sala e a cozinha (4), que ficaram mais amplas. A edícula foi derrubada e virou um espaço de lazer (5). Detalhe: não há garagem e, por se tratar de uma rua fechada, o carro pode ficar fora. No superior, aumentar a laje para os fundos possibilitou reorganizar as áreas e crescer o quarto principal (6).
Na área de lazer, um mix de revestimentos. A churrasqueira utiliza tijolos refratários enquanto a bancada é de granito, o gabinete tem madeira de demolição e a parede foi revestida de ladrilhos hidráulicos. Vigas metálicas com placas de vidro protegem o ambiente da chuva e deixam a luz passar.
Em um trecho da cozinha, o piso de porcelanato foi substituído por pastilhas de vidro pretas de 2 x 2 cm (Colormix). "Queria um revestimento descontraído e também trazer charme para a área da bancada", explica a arquiteta Gisele.
No corredor lateral, há dez spots embutidos no piso com lâmpadas PAR 20. "Eles funcionam como balizadores, orientando o caminho, e valorizam o muro alto, de 2,60 m", comenta a arquiteta. "O facho da PAR alcança até 3 m de altura", completa.