Para você evitar dor de cabeça na escolha do piso de madeira, ouvimos os profissionais e selecionamos 18 opções de laminados, tacos e assoalhos, em três faixas de preço, incluindo instalação. Além dos valores, saiba quais os cuidados necessários para fazer um bom negócio.
Por Danilo Costa, Edson Medeiros e Joana L. Baracuhy Fotos: Luis Gomes
A experiência de quem é da área dita: "Procure um fornecedor idôneo, visite obras feitas pela empresa e solicite o certificado de origem da madeira", diz o arquiteto paulista Marcio Moraes. "Atrele o colocador ao fornecedor, ou depois um empurra a responsabilidade para o outro e você não tem a quem reclamar", alerta. No caso dos laminados, prefira as revendas licenciadas ou cadastradas pela Associação Brasileira da Indústria do Piso Laminado de Alta Resistência (Abiplar), que vem treinando empresas do ramo. Peça ao fornecedor que vá até a obra para medir com precisão o local, determinar a quantidade de material e o modo de colocação (na diagonal, em paralelo). Um orçamento prévio (ordem de serviço) deve discriminar tipo e características do produto, metragem e quantidade, prazos de entrega e de colocação, inclusão de acessórios (como rodapés) e itens de instalação (cola ou parafusos), como será o acabamento (raspagem e aplicação de resina), valor e forma de pagamento. "Esse documento tem valor legal e serve para eventuais reclamações", fala a técnica Márcia Christina Oliveira, da Fundação Procon-SP.
Preços pesquisados em julho de 2008
Divulgação
ATÉ R$ 100
CONTRAPISO
Se você não quer correr o risco de ver o piso que escolheu manchar, empenar ou se soltar, deve prestar atenção nesse cimentado forte que recobre e regulariza a laje. Ele é fundamental para quem pretende fixar a madeira diretamente nessa base ou instalar o laminado. Caso o contrapiso não esteja compacto, liso e livre de água, pode, em último caso, estragar o revestimento. O maior problema ocorre com os cimentados novos" que ainda não estão completamente secos e curados. "É preciso esperar uns dez dias antes de colocar o piso", diz o engenheiro paulista Luiz Eduardo Lazzati. "Aguarde um dia para cada milímetro da espessura do contrapiso", orienta Carlos Eduardo Mariotti, coordenador geral da Abiplar. Há empresas que mandam um técnico à obra para examinar a condição do contrapiso. Veja se o seu fornecedor oferece esse serviço.
LAMINADOS
Eles são uma boa alternativa para quem busca o efeito da madeira, praticidade e preços reduzidos. Essas réguas ou chapas trazem na superfície um papel melamínico que reproduz a textura e os padrões do material natural. São resistentes a riscos, fáceis de limpar " no máximo um pano levemente úmido " e dispensam a aplicação de resinas. Existem dois tipos: os f lutuantes com alta resistência (que têm um substrato de HPP ou HDF e ficam apoiados numa manta colocada sobre o contrapiso) e os de alta pressão, do tipo Formica, que são colados na base cimentada. Vão bem em reformas porque são pouco espessos (máximo de 9 mm) e podem até ser colocados sobre o piso existente (devidamente nivelado). Atenção à compra: "Desconfie das ofertas milagrosas", diz Carlos Eduardo Mariotti, da Abiplar. "Há quem instale o produto original com acessórios de marcas diferentes, o que faz o cliente perder a garantia", emenda. Além disso, alguns produtos estrangeiros testados pela entidade não alcançaram a qualidade mínima. "Em sua maioria são chineses", explica Carlos Eduardo.
DE R$101 A 200
MADEIRAS MACIÇAS
Os assoalhos tiram partido dos grandes formatos e são compostos de réguas com encaixe macho-e-fêmea. As larguras ficam entre 6 e 13 cm e comprimentos de 0,30 a 2,14 m. A novidade dessa família são os pisos estruturados maciços. Eles combinam base de compensado com uma lâmina de madeira espessa na superfície, o que aumenta sua estabilidade dimensional em relação às peças totalmente maciças: "Menos suscetíveis à contração e à dilatação do que elas", explica o engenheiro Ariel de Andrade, gerente executivo da Associação Nacional dos Produtores de Pisos de Madeira (ANPM). "Em contrapartida, duram menos", avalia. No segundo grupo aparecem os tacos, com inúmeras possibilidades de paginação e preços mais em conta. "Os tacos são aproveitados de madeiras que não tinham dimensões adequadas para virar assoalho", justifica Ariel. Eles têm dimensões fixas, geralmente com largura e comprimento múltiplos. Os mais comuns medem 7 x 35 cm, 7 x 42 cm e 10 x 40 cm.
A PARTIR DE R$201
PISOS DE DEMOLIÇÃO
Eles vêm conquistando adeptos pelo visual rústico e pelo aspecto ecológico (são reaproveitados). Como estão na moda, acabam custando mais caro e exigem atenção redobrada na compra devido à quantidade de empresas que entraram para esse mercado. "Não é possível saber a procedência das peças. O risco é comprá-las como se fossem de demolição e ser outro tipo de madeira", explica o designer de interiores Fábio Galeazzo, de São Paulo. Vale contatar fornecedores indicados, visitar obras e conhecer o trabalho das empresas. "O contrato precisa especificar a garantia do piso, principalmente no que diz respeito a cupins", alerta Fábio.
INSTALAÇÃO
Os pisos de demolição, assoalhos e tacos seguem regras semelhantes. Em geral, são encaixados e colados sobre o contrapiso nivelado e seco. Ao optar pelos assoalhos com réguas mais largas, entre 11 e 15 cm, será preciso parafusá-los no contrapiso e pregá-los nos encaixes. Quando as peças são ainda mais largas, entram em cena os barrotes. Após a colocação, os pisos que chegam crus à obra são calafetados os vãos entre as peças são preenchidos com massa acrílica. Por fim, eles passam pelos processos de secagem da cola, lixamento e recebem verniz ou resina. Nos pisos de demolição, recomenda-se cera especial de carnaúba para manter a naturalidade do revestimento. Na manutenção de todos os tipos, usam-se vassoura de pêlo, aspirador ou pano levemente umedecido, já que a água em excesso pode prejudicar a madeira.
Divulgação
No padrão carvalho córdoba, o laminado Eucafloor Rustic de HPP (pedaços de eucalipto de alta densidade) traz o selo verde do FSC (Conselho de Manejo Florestal). Vem em réguas de 1,35 x 0,30 m e 8 mm de espessura. Tem 16 anos de garantia. Da Eucatex, R$ 85 o m², com manta de polietileno e rodapé de 5 cm de altura.
O laminado de alta pressão Formipiso, padrão carvalho pinheiro, pode ser usado inclusive em espaços sujeitos à umidade. Da Formica, vem em réguas de 2,50 x 0,20 m e 2 mm de espessura. Tem cinco anos de garantia e vale R$ 72 o m², na Uniplac. O rodapé de polietileno de 6,5 cm de altura custa R$ 8 o m 20 m² requerem 22 m, por exemplo. É facil ser colado em superfícies prontas, afirma o arquiteto paulista Marco Donini.
Em réguas de 3,07 x 0,20 m e 2 mm de espessura, o laminado de alta pressão Perpiso nogal terracota tem dez anos de garantia. Da Pertech, custa R$ 72 o m², na Uniplac. O rodapé de polietileno de 6,5 cm de altura custa R$ 8 o m 20 m² de área requerem 22 metros. Ele dispensa manutenção e oferece muitos padrões, conta a designer de interiores Elliane Freitas, do Rio de Janeiro.
Feito de pínus e eucalipto, o laminado de alta resistência Durafloor traz o selo do FSC. É da linha Vintage, no padrão ébano, e tem réguas de 1,20 x 0,18 m e 9 mm de espessura. Da Duratex, R$ 85 o m² com manta e rodapé de 6 cm de altura. Garantia de 12 anos. Gosto dos chanfros nas laterais das peças, que simulam tábuas corridas, diz a arquiteta carioca Christiane Laclau
Taco de grapia de 10 x 40 cm e 2 cm de espessura. É uma madeira de média resistência com dois anos de garantia. Da JF Assoalhos e Tacos, vale R$ 100 o m² quando instalado numa paginação reta. Inclui rodapé de 7 cm de altura e 2 cm de espessura. O taco é um piso clássico, neutro e não custa uma fortuna, conta a arquiteta Carla Pontes, de São Paulo.
Taco palito de ipê com 3 cm de largura, 1,9 cm de espessura e comprimentos variáveis entre 20 e 80 cm. Da Pau-Pau Pisos em Madeira, tem cinco anos de garantia e custa R$ 94,90 o m², incluindo acabamento de resina (sinteco) e rodapé de ipê de 7 cm de altura e 1,9 cm de espessura. Gosto do visual do taco palito de ipê, cumaru, amêndola e tatajuba, fala o engenheiro paulista Luiz Eduardo Lazzati.
Este taco de peroba com resina chega pronto à obra. Da Indusparquet, as peças de 6,5 x 39 cm e 1,1 cm de espessura têm garantia de cinco anos e valem R$ 177 o m². O rodapé de peroba com 7 cm de altura e 2 cm de espessura vale R$ 25 o m: 20 m2 pedem 22 m. Instalados, os tacos finos lembram o assentamento canjiquinha, diz o arquiteto paulista André Moral.
Com 10 cm de largura e 2 cm de espessura, este assoalho de sucupira maciça tem comprimentos variáveis entre 2,50 e 4,50 m. Da Felgueiras, custa R$ 140 o m², numa paginação longitudinal (sentido perpendicular à porta de acesso). Também inclui aplicação de resina e rodapé de sucupira de 7 cm de altura e 2 cm de espessura. Conta com cinco anos de garantia.
Feito de perobinha, espécie de resistência média, este taco maciço tem 10 x 40 cm e 2 cm de espessura. Da Parquet SP, vale R$ 150 o m², incluindo o rodapé de 7 cm de altura e 2 cm de espessura. Tem garantia de cinco anos. O tacão é uma ótima escolha por aproveitar as madeiras, explica o arquiteto Ricardo Miura, de São Paulo.
Uma opção ecológica, o assoalho de bambu Tiger chega à obra pronto para instalar. Com 15 anos de garantia, as réguas de 1,85 x 0,96 m e espessura de 1,5 cm vêm com resina semifosca. Da Bamboolook, custa R$ 196 o m². O rodapé de 7,8 cm de altura e 1,5 cm de espessura sai por R$ 36 o m instalado. Trata-se de um material estável, que não polui nem causa danos ao ambiente, diz a arquiteta paulista Heloisa Dabus.
Com 1,20 x 0,76 m e espessura de 9,3 mm, este assoalho maciço estruturado (base de compensado com capa de madeira maciça) chega pronto para instalar com dez camadas de verniz. No padrão timborana café, da Scandian, por R$ 163 o m², na CWT Design, incluindo rodapé de MDF de 10 cm de altura e 2 cm de espessura. Garantia de 15 anos. É uma opção maciça que poupa o uso da madeira, explica o arquiteto mineiro Carico Dumont.
Este listone de angelim-pedra maciço mede 6,7 x 6,7 cm e 2 cm de espessura. Com encaixes macho-e-fêmea, pode ser instalado com paginações do tipo dama e espinha-de-peixe. Da Recoma, tem cinco anos de garantia e custa cerca de R$ 170 o m², com acabamento de verniz à base de água e rodapé de 7 cm de altura e 2 cm de espessura. Acho essa madeira bonita e gosto do acabamento semibrilho ou fosco, conta o arquiteto paulista Marcio Moraes.
Assoalho de peroba-rosa clareada. Tem de 1 a 2,90 m, 20 cm de largura e 1,8 cm de espessura e um ano de garantia. R$ 215 o m², na Antigão Demolições, incluindo cera. Neste caso, alguns itens de colocação são à parte: com barrotes (R$ 15 por m²) ou com cola PU (R$ 14 por m²). Os rodapés de 20 x 2 cm valem R$ 45 o m. Móveis da Artesian, luminária da La Lampe. A PARTIR DE R$201
As tábuas de peroba-rosa deste piso têm largura de 7 a 20 cm e 2 cm de espessura e são assentadas com junta seca (sem massa de calafetação nas juntas). Custam cerca de R$ 260 o m² (em São Paulo), incluindo cola, parafusos ou cavilhas. A madeira chega crua ao local, depois é lixada, clareada e recebe cera de carnaúba com base de silicone. Os rodapés custam R$ 520 por 20 m (da mesma madeira, com 10 x 2 cm). Da Lavoro e Arte, que oferece 15 anos de garantia.
Nascidas da colagem de sobras de madeira certificada castelo (espécie estrangeira escolhida pelo fabricante sob encomenda), as placas da Natufloor medem 50 x 50 cm e 1,8 a 1,9 cm de espessura. A instalação é feita com cola PU Sikabond, no contrapiso. O material custa R$ 190 o m² (raspado) e a aplicação de resina Bona Traffic vale 40 o m². No total, sai por R$ 230 o o m². Rodapés ao gosto do cliente (R$ 15 o m do modelo de 10 cm, na mesma madeira ou de MDF pintado de branco). Garantia de cinco anos. Acho incrível. Tem mil padrões e a madeira usada [restos de tacos ou de demolições] é ecológica, afirma o designer de interiores Fábio Galeazzo.
Assoalho de eucalipto do tipo tereticornis estabilizado (com alma de aço para evitar empenamento), de 220 x 15 x 3,2 cm. É colado no contrapiso e recebe acabamento de resina Vita na cor cinza-antigo daí a tonalidade esmaecida. Sai por R$ 420 o m² (na capital paulista e na região Sul), sendo que a compra mínima é de 50 m². Os rodapés são à parte, e valem R$ 90 o m (com 25 cm de altura, de eucalipto). O fornecedor, a Terra Brazil, dá dez anos de garantia.
Peroba antiga no tom natural também pode ser clareada ou escurecida. As réguas têm encaixe macho-e-fêmea e custam cerca de R$ 300 o m², com até 20 cm de largura, 2 cm de espessura e comprimento variado. Fixação com cola. O rodapé é extra: podeser de madeira maciça ou de MDF pintado (com 15 cm de altura), R$ 22 por m. Da Aroeira, que oferece um ano de garantia.
Além de fornecer um misto de madeira de demolição (principalmente peroba-rosa) em tábuas de 10 cm e 2,5 cm, a equipe da Empório dos Dormentes realiza (sob encomenda) pintura com tinta látex no piso. O material é colocado (com barrote ou cola e parafusos), depois recebe verniz poliuretano aquoso ecológico Greenpiso. R$ 290 o m². Os rodapés de 10 x 2 cm saem por R$ 580 (20 m). Tem um ano de garantia. A aplicação da mandala de 1,10 x 1,10 m sai por R$ 900.