Com uma iluminação flexível, a sala pode receber uma festa animada ou um jantar íntimo. Aprenda com nove exemplos.
Edição Danilo Costa
Na sala, a iluminação tem de ser flexível, com diversos tipos de luz para atender de festas e jantares a atividades mais tranquilas como ler. “A indireta, mais intimista, é boa para quem vai ouvir música. Já a geral clareia o espaço de forma homogênea”, explica o lighting designer Guinter Parschalk, do Studio Ix, em São Paulo. Quanto aos equipamentos, melhor optar por luminárias neutras, com design limpo ou em tons discretos – a exemplo das peças embutidas em sancas ou rebaixos de teto. Para a leitura, basta um abajur ou uma coluna de piso, com foco direto. Na área de jantar, cabem aos pendentes trazer a luminosidade para baixo. Para compor cenários românticos ou festivos, aposte na dimerização. “As halógenas ou as incandescentes oferecem variação de luz e de temperatura de cor”, completa.
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Sobre a mesa de jantar desta casa paulista, os 12 pendentes foram dispostos aleatoriamente – a distância entre eles varia de 20 a 30 cm e a altura vai de 1,80 a 2,40 m do chão. Guinter Parschalk mesclou halógenas PAR 20, com foco pontual, e incandescentes de 40 e 60 w. “Com o dimmer, variam-se a intensidade de luz e a temperatura de cor”, diz. Estes modelos de alumínio (customizados pela Facility) trazem pintura marrom por fora e branca por dentro. No teto, presa na viga central, a luminária retangular tem PAR 30.
Para tornar o living luminoso, o arquiteto Rafael Borelli e a designer de interiores Christiane Laclau, do Rio de Janeiro, optaram por revestimentos claros. No teto rebaixado de gesso, luminárias pontuais: os plafons de embutir (linha Slim Square, da Allight) funcionam com dicroicas de 50 w, que não esquentam o local. Alocados perto da estante, eles valorizam os objetos. A dupla também instalou uma arandela na parede entre a varanda e a área da TV. “Ela produz focos indiretos e interfere menos na luminosidade da tela”, diz Rafael.
A luz natural, neste apartamento carioca, atravessa os painéis de veneziana e chega até a sala de jantar. Neste ambiente, a luminosidade é reforçada por dez fluorescentes tubulares (modelo TS de 28 w, HE e 827) intercaladas em todo o nicho no teto de gesso (11 m de comprimento), afastado 60 cm da parede forrada com filetes de ipê. Essa ideia dos arquitetos Felipe Rio Branco e Fernanda Lima, do escritório Arquitetura da Vila, evidencia a textura da madeira. No centro da mesa, pendente de alumínio Bossa (Lumini), que permite a mudança de efeitos e intensidade de luz com a movimentação de seu refletor.
Com pé-direito baixo, cerca de 2,20 m, a sala de jantar deste sobrado paulistano ganhou um pendente (Reka) com foco direcionado para o teto. “Ela oferece uma luz difusa que deixa a área mais agradável”, justifica o arquiteto Gustavo Casagrande, da Cia. de Iluminação. A lâmpada é a halógena palito, com alta reprodução de cor e temperatura amena. Para o corredor, sanca invertida com fluorescente tubular T5 de 28 w, cuja luminosidade é farta. No escritório/biblioteca, no mezanino, um spot incide diretamente sobre a mesa de trabalho. Fitas de led contornam os nichos da estante. Projeto da PPMS Arquitetos Associados e interiores de Guta Calazans.
No living deste apartamento paulistano, a iluminação do forro aparece, mas as luminárias não. Para isso, os arquitetos André Leite e Bruna Ximenes investiram em spots sem moldura, da Trans-Elétrica, dotados de fundo preto antiofuscante e dicroicas de 50 w. Sobre o balcão de granito preto, há portas brancas que se abrem para integrar salas e cozinha: ali, a dupla distribuiu as peças linearmente a cada 58 cm. Na parede atrás do sofá, o mesmo tipo de luz cria o efeito wall washing (“lavar” a parede com luz) e valoriza as placas de travertino navona. Para realçar as velas e o livro sobre a mesa de centro, há lâmpadas AR 70 de facho concentrado.
O designer Sergio Cabral, do SuperLimão Studio, e a arquiteta Bia Hajnal deram um clima de teatro a este apartamento em São Paulo. Confeccionadas com veludo roxo, as cortinas substituíram as paredes de alvenaria e receberam uma luz cenográfica, o que tornou os cômodos intimistas. Chumbados na laje, os perfis em U feitos de aço galvanizado (Real Perfil) têm vários furos, próprios para parafusar os spots (Eurolite) com lâmpadas PAR 20. Comum em teatros, esse recurso é bastante pontual, adequado quando se quer destacar algum elemento, como mesas laterais.
Vários recursos luminotécnicos, com circuitos independentes e dimerizados, realçam as áreas deste living paulista projetado pelas arquitetas Andrea Teixeira e Fernanda Negrelli. Na parede forrada de palha, os três nichos são clareados indiretamente pelas minidicroicas do forro e trazem um spot em cada ponta dos rasgos. “Eles são iluminados por igual, sem criar sombra”, diz Fernanda. Na estante, há lâmpadas T5 amarelas embutidas nas reentrâncias da madeira das prateleiras. Sobre a mesa de centro, dicroicas AR 70. Minidicroicas AR 70 enfocam o quadro. Luminárias compradas na Labluz.
Neste apartamento carioca, onde mora um casal colecionador de arte contemporânea, o lustre art déco (acervo da família) virou a vedete da sala de jantar. Ele cumpre o papel de luz geral, enquanto a sanca de gesso do teto funciona como indireta – usa lâmpadas bolinha de 5 w. Acima do aparador branco (à dir. na foto), há spots voltados diretamente para os objetos. No fundo do ambiente, outra atração: o painel de peroba-do-campo que oculta a porta da cozinha. “Fitas de led ressaltam os nichos com livros e objetos”, conta a arquiteta Carmen Zaccaro, sócia de Marise Kessel. Projeto luminotécnico e produtos da Prolight.
“Atrás do sofá, criei uma divisória iluminada que parece um abajur gigante”, explica o lighting designer Maneco Quinderé, autor do projeto luminotécnico deste apartamento no Rio de Janeiro. Para montar essa luminária nada convencional, trocou-se a parede de alvenaria pela divisória de aço blindada, forrada de placas de cobre e sustentada por uma estrutura metálica. Essa armação prende as lâmpadas fluorescentes T5 de 28 w e a moldura de acrílico que recebe o tecido de linho cru. “A luz periférica [nas laterais da parede], controlada por dimmer, é vista apenas da sala de estar”, comenta o profissional. Adepto da iluminação indireta, ele aproveitou a laje do teto para encaixar quatro plafons generosos (1 x 1 m) e clarear o ambiente da TV (na foto à esq.). Em alguns trechos do forro de gesso, embutiu spots dotados de minidicroicas e ressaltou áreas pontuais, como a mesa de centro. Projeto arquitetônico elaborado pelo escritório Miguel Pinto Guimarães Arquitetos Associados.
Ponto Azul: sobre a mesa de centro, spots de embutir com minidicroicas de 35 w conferem luz pontual. O facho fechado ressalta os objetos. Área em Verde: na divisória atrás do sofá, fluorescentes T5 de 28 w estão distribuídas perifericamente. É uma luz difusa que aquece o ambiente. Ponto vermelho: no teto, duas luminárias de embutir auxiliam a leitura. Quadrados amarelos: os plafons de 1 x 1 cm, distribuídos aleatoriamente, brincam com a simetria na sala de TV. Eles produzem uma iluminação indireta, sem foco específico, que clareia o espaço de forma suave.