vê na arquitetura uma forma de homenagear, pensar e até se indignar. Este mineiro formado pela UFMG idolatra Niemeyer, mas não esconde as influências do avô, o poeta José Oswaldo de Araújo, e artísticas de Amilcar de Castro. Premiado pela Bienal Internacional de Arquitetura do Brasil, Gustavo tem uma linguagem universal e busca espaços iluminados, leves e múltiplos.
"Uma casa nasce da relação com o chão", costuma dizer o arquiteto. Esse pensamento, presente em todos os seus projetos, nunca foi tão explícito como neste. Localizada num condomínio fechado a meia hora de carro de Belo Horizonte, num lote privilegiado à beira de uma lagoa e com vista para as montanhas, a construção encontrou um jeito único de homenagear o entorno: um pórtico de 6 m de altura por 3 m de largura do lado esquerdo da fachada principal, branca e sem janelas.
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Na passarela de pouco mais de 20 m de comprimento, repare no traço exato do arquiteto: a mureta do lado esquerdo é uma continuação visual do pilar do pórtico.
Envidraçada, a face voltada para o lago compensa a ausência de janelas nos três outros lados da casa. Esta vista também revela a topografia do terreno, cuja inclinação de 17% foi mantida e sugeriu uma fundação tipo tubulão (27 pilares fincados a até 5 m de profundidade sustentam a construção).
Na sala de estar, a grande atração é a escada. Moldada com concreto e apoiada em pilaretes metálicos, ela foi revestida de placas metálicas nas laterais e mármore branco nas pisadas, ligeiramente maiores que o comprimento do degrau. Além da lareira, a casa conta com outra arma contra o frio: o piso aquecido a gás por um sistema de serpentinas (Casa da Água Quente).
O piso da varanda emprega granitina, mistura feita na obra com mármore moído (Minasit) e cimento branco estrutural. Depois de aplicada em requadros de 1,20 x 1,20 m, a massa foi lavada com jatos fortes para que as pedrinhas ficassem em relevo.
Os mesmos pilares atravessam os três pisos da casa. Para um melhor acabamento, moldamos as colunas com fôrmas de PVC, explica o engenheiro Evandro Pinho Lara, responsável pela obra. As esquadrias de alumínio (linha Fórmula, da Alcoa, fornecidas pela Aludesign) foram escolhidas em função de sua boa vedação. Nesta região, a chuva é quase horizontal, diz o engenheiro, em tom de brincadeira. Os vidros temperados 10 mm foram encomendados à Vitrum.
Há poucos cômodos, a pedido do futuro morador. No piso superior, onde fica a suíte, uma porta de correr permite separar o ambiente em dois. No subsolo, o quarto de hóspedes está isolado da ala dedicada à garagem e à área de serviço.
A granitina também aparece nos ambientes internos. A diferença é que, neste caso, utilizou-se pó de mármore, mais fino, no lugar do mármore moído. Além disso, o piso foi polido depois de pronto, resultando numa textura mais lisa.
Embutidas a cada metro em rasgos na alvenaria, lâmpadas bipino de 20 w iluminam a passarela. No pórtico, a luz vem de duas arandelas com lâmpadas fluorescentes compactas. Por fim, na fachada, instalaram-se lâmpadas fluorescentes lineares.
A surpresa causada pelo pórtico torna-se ainda maior depois de atravessá-lo: ali, o vão ganha mais 4 m em largura (fica, no total, com 7 m) e oferece uma vista completa da lagoa.