A reforma que uniu dois apartamentos de 210 m² abriu espaço para as idéias numeradas a seguir.
Por Eliana Medina e Joana L Baracuhy
Fotos: Carlos Piratininga
Ilustrações: Fabio Flaks
O apartamento da década de 40, num bairro central de São Paulo, reunia vários atrativos pé-direito alto, ambientes amplos, janelões e conquistou um jovem casal. Era 2000 quando os dois chamaram os arquitetos Fernando Forte, Lourenço Gimenes e Rodrigo Marcondes Ferraz para reformá-lo. Sete anos depois, planejavam aumentar a família, e surgiu a chance de comprar o imóvel de cima. Chamado novamente, o trio visitou o local e deu sinal positivo para o negócio. A ideia era unir os dois andares, alterar a distribuição, renovar instalações e acabamentos. Uma construtora respondeu pela parte civil da obra, e os arquitetos gerenciaram os trabalhos por oito meses: Unir dois imóveis de um prédio é complicado e caro. A vantagem é que abre espaço para incrementos e soluções interessantes, diz Rodrigo. Para ver outros projetos de reformas de apartamentos, consulte nossa seção sobre o assunto.
Divulgação
1. A sala de estar ampliada pela demolição de várias paredes é extremamente clara. A parede de blocos de vidro (19 x 19 cm) tem papel fundamental nisso. Fica diante da lavanderia e deixa a claridade passar sem expor o que acontece lá dentro.
2. Uma bancada de compensado e folhas de wengé (10 x 50 cm) delimita o hall de entrada e fica a 90 cm de altura. Há outra perto da mesa de jantar, diante da parede de vidro, que serve de apoio a objetos e travessas na hora das refeições. São da Marcenaria Rutra.
3. Como fica solta no espaço, a escada vazada permite que a luz da janela se espalhe pelo ambiente. Caso contrário, escureceria a sala. Leva perfis de aço, degraus de madeira e guarda-corpo de metal tubular. É normal que uma estrutura delicada como esta apresente um discreto balanço, mas sem oferecer riscos, conta Rodrigo. 4. O piso de todo o andar de baixo é o mesmo: peças cimentícias brancas, de 1 x 1 m, da linha Basic (Solarium). Elas funcionam como alternativa ao cimento queimado porque, ao contrário dele, não trincam. Juntas estreitas e resina semibrilho garantem o acabamento. A única dificuldade foi o manuseio das placas cada uma pesa 55 kg.
O novo dúplex tem a distribuição de um sobrado típico: o primeiro piso reúne os ambientes de estar e o superior, os íntimos. Só o quarto de hóspedes ficou no andar inferior. 5. A laje foi cortada, e o novo vão de 4,50 x 3,50 m acomodou a escada com folga. Também criou uma área de pé-direito duplo, que integra visualmente os apartamentos de cima e de baixo e abre espaço para um mezanino. Detalhe: foi preciso usar serra para concreto e aplicar massa sobre as ferragens expostas.
6. A cozinha mede amplos 5 x 6,50 m, o suficiente para acomodar uma ilha e liberar 90 cm para a circulação. Um pilar, impossível de ser removido na obra, foi envolvido pela bancada de granito preto são gabriel. Dessa forma, os arquitetos criaram um espaço informal onde os proprietários podem receber os amigos ali, quem cozinha fica de frente para os convidados. 7. O pilar é revestido de um lado com Vidrotil vermelho (ref. 3950) e acima do fogão com o modelo transparente (ref. 3600), também usado em outro ponto suscetível: perto da pia.
8. A divisória da cozinha é estruturada em madeira e fechada com tábuas de freijó (Esquadrias de Madeira Ithalianas). A lateral diante da sala de jantar tem uma janela do tipo guilhotina, que abre e fecha conforme a necessidade. Um delicado sistema de contrapesos garante o manejo leve da esquadria, diz Rodrigo.
9. A biblioteca tem estantes pivotantes, de ferro e madeira, que funcionam como divisórias. Equipadas com pinos e rolamentos, são superleves de manusear, diz o arquiteto. As duas da esquerda se movem de modo independente; as da direita giram juntas, em paralelo. O trabalho é da Serralheria Metal Worker. 10. Em todo o apartamento, o rodapé é um só: um sarrafo de madeira (2 x 2 cm). Para um acabamento bom e discreto, explica o arquiteto.
11. Os arquitetos deixaram aparentes muitos pilares e vigas (revelados quando as paredes foram demolidas). Tiraram a massa que cobria o concreto, exibindo sua superfície irregular. 12. No alto das paredes dos quartos, há uma espécie de caixilho de madeira e vidro incolor. Assim, a luz das janelas chega ao corredor. 13. Tacões de cumaru em medidas diferentes forram o andar de cima. O material (da Parquet SP) tem réguas que vão de 0,30 a 1,10 m. No acabamento, resina semibrilho (Bona). 14. O banheiro tem a pia do lado de fora, separada de vaso e chuveiro, para que duas pessoas possam usá-lo ao mesmo tempo.
15. O móvel do home theater é revestido de couro, colado sobre MDF pelo marceneiro, e montado no local. Na parte de baixo, uma chapa de aço corten (de aspecto enferrujado) forra a parede. 16. A bancada de granito preto são gabriel (Cia do Mármore) da sala íntima faz um ziguezague e abriga discretamente um frigobar pedido dos moradores.
17. Enormes, os três quartos perderam 1,50 m para o corredor, que se tornou uma área aproveitável. No futuro, o piano dará lugar a uma bancada de estudos para as crianças, diz Rodrigo. 18. Uma lavanderia no andar de cima (perto dos quartos e roupeiros) concentra tanque, varal e máquina de lavar. No piso inferior, restou uma pequena área de serviço, apoio para a cozinha.
19. No mezanino, uma luminária vistosa (Reka) clareia o painel. No restante do apartamento, o forro de gesso embute spots de halógenas PAR 30 ou 20, para uma luz difusa. 20. O painel exclusivo do artista plástico Fabio Flaks enfeita o novo dúplex. Ele criou o desenho (composto de cinco ladrilhos hidráulicos diferentes) e os encomendou à Rochbeton. O assentamento cada peça na posição exata deu ainda mais trabalho. Os ladrilhos têm espessura variada. Foi preciso usar massa grossa para deixar tudo no prumo, conta Rodrigo.