Os bons ares de Cunha


Você devia seguir o nosso exemplo (meu, repórter Tatiana Pinheiro, e da fotógrafa Celia Mari Weiss) e passar alguns dias na cidade de Cunha, SP, a 230 km da capital paulista ou 300 km do Rio de Janeiro. "Fomos obrigadas" a fazer isso recentemente para produzir a bela reportagem
Paisagem que inspira a cerâmica, publicada na revista Casa Claudia de maio, edição que comemora 30 anos da publicação.

Além de curtir as belezas naturais do lugar, como a cachoeira do Desterro (pano de fundo da foto em que eu estou posando de turista no blog da redação), pudemos conferir o trabalho variado de alguns ateliês de cerâmica. Aliás, esse é o principal chamariz turístico da cidade, tanto que eles já somam mais de 15 endereços.

Alguns desses ateliês mantêm a tradição da dupla queima das peças em forno de uso bastante disseminado no Japão antigamente, chamado noborigama (traduzindo: forno na subida). É um barato entender como um punhado de barro vira algo útil e resistente. Isso ocorre de um jeito tão particular, que o ceramista Gilberto Jardineiro me contou: "Tem gente que fica maravilhada de ver como produzimos pratos e canecas nos fundos de casa". Quando ele diz "nos fundos", se refere ao galpão que abriga seu forno e fica ao lado de sua casa. Esse ateliê que ele toca com a mulher, a japonesa Kimiko Suenaga, é famoso por suas aberturas públicas de forno (confira os endereços dos ateliês que visitamos).

Mas o mais pitoresco da viagem a Cunha foi o jeitão calmo e hospitaleiro de sua população. Na cidade de 25 mil habitantes, praticamente não há violência – deve estar aí a explicação para tanta simpatia. O ceramista Zahiro Anand nos afirmou que, no máximo, ocorrem alguns roubos bobos. Zahiro vive há seis anos por lá e produz esculturas e peças decorativas de cerâmica com a mulher Gitika.

Celia e eu comprovamos a receptividade do povo cunhense de uma maneira divertida. Cumprimentamos todos com quem cruzamos na cidade. Tanto quando estávamos a pé como quando estávamos de carro. A retribuição foi sempre um sorriso sincero. Às vezes, tímido, às vezes, mais solto. Por vezes, acompanhado de um discreto aceno de mão. Está aí um tipo de simpatia que sobrevive só em cidades pequenas. Infelizmente.

A Pousada Terra Viva (www.pousadaterraviva.com.br), que nos abrigou durante os três dias de passeios e conversas por Cunha, é outro exemplo de sossego. Quem comanda o negócio familiar é a Dona Nadir, uma vovó pra lá de simpática e conversadeira que só. Enquanto serve uma deliciosa sopa caseira, à noitinha, sempre dá uma dica de um lugar bom para passear ou comer no dia seguinte.

E como em Cunha o forte não são as baladas noturnas, antes de dormir vale sair de agasalho para o jardim e admirar ou até (quem sabe) contar as estrelas. É provável que a noite vá embora, o sol se levante e a sua conta ainda não tenha terminado!

Ah! Não posso esquecer do ar puro e fresco que encontramos por lá. Foi um verdadeiro combustível para nossos corpos e um acalento para nossa alma urbana "cheia de fuligem de tanta poluição paulistana", como disse minha companheira de aventura (pela primeira vez, de muitas, espero), a fotógrafa Celia. Ficou com vontade de visitar Cunha?
Veja como chegar lá de carro.

 
 
 

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