A arquitetura de interiores é feita de milhares de possibilidades e há espaço para todos os gostos, mas um movimento em especial vem ganhando força nos últimos tempos: a decoração afetiva.
Entre ambientes instagramáveis e a IA propondo soluções cada vez mais genéricas, há quem venha na contramão em busca de ambientes acolhedores, com peças antigas, memórias e até uma certa "bagunça".
A ideia é fugir do genérico e criar decorações que transmitam a chamada "cara de casa". Entretanto, o conceito vai além de resgatar a poltrona da avó e encher uma estante de lembrancinhas de viagem.
O que exatamente dá a "cara de casa" para o lar? Para a designer de interiores Cacau Ribeiro, tudo começa com o morador e sua compreensão de si.
“Antes de tudo, a gente precisa entender quem são essas pessoas. O que as motiva, o que elas gostam de fazer, quais são seus costumes. Eu pergunto desde quais cores os clientes preferem até o tipo de música que escutam”
O arquiteto e autor Jonas Lourenço concorda que a escuta ativa é sempre o ponto de partida para compreender quem vive ali, mas alerta que é preciso cuidado para que o afeto não vire apenas uma estética.
“Não sou defensor da ‘casa com cara de vó’. No momento em que isso vira uma tendência, corre-se o risco de se impor algo que não tem a ver com a pessoa”, ressalta.
Para Jonas, a casa precisa conter três elementos: identidade, pertencimento e memória, de modo que a pessoa sinta-se representada por ela.