Pequenos desconfortos na rotina doméstica muitas vezes passam despercebidos, como móveis mal posicionados, tomadas distantes, falta de espaço e ambientes pouco aproveitados.
Para a arquiteta e designer de interiores Rose Chaves, esses hábitos podem indicar que o morador se adaptou ao espaço, quando deveria ser o contrário.
“Quando um problema se repete todos os dias, a tendência é incorporá-lo à rotina e parar de perceber que existe outra possibilidade. A arquitetura deve facilitar as atividades e acompanhar as necessidades de quem vive naquele espaço”, afirma Rose.
O planejamento de uma residência envolve circulação, ergonomia, iluminação, armazenamento, instalações elétricas e a relação entre os diferentes ambientes.
Segundo a arquiteta, observar a maneira como a casa é usada pode revelar problemas que passam despercebidos no projeto ou que surgiram depois de mudanças na rotina dos moradores.
Se é preciso desviar de um móvel, passar de lado ou contornar algum objeto diariamente, a circulação merece atenção.
A disposição dos móveis precisa considerar os caminhos utilizados pelos moradores e manter áreas de passagem confortáveis, sem criar obstáculos entre os ambientes.
“Quando a pessoa precisa fazer um determinado percurso todos os dias e já incorporou aquele desvio como parte da rotina, pode nem perceber que o problema está na organização do espaço.”
Uma caixa que virou criado-mudo, uma cadeira que passou a servir como apoio para roupas ou um móvel colocado em determinado canto apenas porque era onde havia espaço podem parecer soluções simples.
Quando esses improvisos permanecem por muito tempo, porém, podem indicar que o ambiente não está respondendo adequadamente às necessidades de quem o utiliza.
O projeto deve prever as funções que realmente fazem parte da rotina. Quando isso não acontece, o morador tende a criar soluções provisórias que, com o tempo, se tornam permanentes.