Pequenos desconfortos na rotina doméstica muitas vezes passam despercebidos, como móveis mal posicionados, tomadas distantes, falta de espaço e ambientes pouco aproveitados.

Para a arquiteta e designer de interiores Rose Chaves, esses hábitos podem indicar que o morador se adaptou ao espaço, quando deveria ser o contrário.

“Quando um problema se repete todos os dias, a tendência é incorporá-lo à rotina e parar de perceber que existe outra possibilidade. A arquitetura deve facilitar as atividades e acompanhar as necessidades de quem vive naquele espaço”, afirma Rose.

O planejamento de uma residência envolve circulação, ergonomia, iluminação, armazenamento, instalações elétricas e a relação entre os diferentes ambientes.

Segundo a arquiteta, observar a maneira como a casa é usada pode revelar problemas que passam despercebidos no projeto ou que surgiram depois de mudanças na rotina dos moradores.

Se é preciso desviar de um móvel, passar de lado ou contornar algum objeto diariamente, a circulação merece atenção.

1 - você criou rotas alternativas dentro da própria casa

A disposição dos móveis precisa considerar os caminhos utilizados pelos moradores e manter áreas de passagem confortáveis, sem criar obstáculos entre os ambientes.

“Quando a pessoa precisa fazer um determinado percurso todos os dias e já incorporou aquele desvio como parte da rotina, pode nem perceber que o problema está na organização do espaço.”

Uma caixa que virou criado-mudo, uma cadeira que passou a servir como apoio para roupas ou um móvel colocado em determinado canto apenas porque era onde havia espaço podem parecer soluções simples.

2 - o improviso virou parte permanente da decoração

Quando esses improvisos permanecem por muito tempo, porém, podem indicar que o ambiente não está respondendo adequadamente às necessidades de quem o utiliza.

O projeto deve prever as funções que realmente fazem parte da rotina. Quando isso não acontece, o morador tende a criar soluções provisórias que, com o tempo, se tornam permanentes.