Desafios à vista

O boom imobiliário e seus efeitos serão tema do IV Fórum Nacional da Sustentabilidade da Construção, no dia 20 de outubro. Organizado por ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO, o evento terá cobertura online. Acompanhe aqui a opinião de alguns especialistas sobre o assunto.

Por Por Raphaela de Campos Mello Atualizado em 20 dez 2016, 19h18 - Publicado em 27 out 2008, 10h45
“ Os brasileiros desejam melhores condições de moradia.” Eduardo Giannett...

 

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Dezenove mil novas unidades residenciais foram vendidas na cidade de São Paulo no primeiro semestre de 2008. De acordo com o Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP), esse número representa um aumento de 33,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Ebulição semelhante atinge grande parte das cidades brasileiras, incluindo as de pequeno e médio porte. Essa recuperação do setor da construção civil se deve, segundo o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, a uma combinação de fatores: inflação e juros baixos, segurança na oferta de crédito, taxas de crescimento mais expressivas, além do aumento da renda e do emprego. Para quem financiou a compra da casa própria ou está prestes a abraçar essa empreitada, a dúvida é saber se poderá contar com o mesmo cenário nos próximos anos. “Estamos passando por uma crise mundial e nenhum país está totalmente isolado”, afirmou Eduardo Giannetti em entrevista concedida a ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO no dia 22 de setembro. Mas, se a instabilidade provocar recessão na economia, esta será passageira, acredita ele. “O Brasil melhorou suas contas externas, o que o protege de grandes abalos.” O otimismo se mantém quando o economista foca a realidade interna. “Há uma demanda reprimida por moradia”, comenta. Rubens Menin, presidente da MRV Engenharia, sediada em Belo Horizonte, é ainda mais enfático. “Temos o mais promissor mercado da construção civil do mundo.” Para erradicar o déficit habitacional brasileiro, as construtoras precisam oferecer 1,2 milhão de unidades por ano. “Em 2007, o mercado lançou 250 mil no país. Este ano, esperamos ultrapassar 300 mil, o que ainda é pouco”, avalia.

 

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“ Nossos clientes são muito exigentes, querem qualidade.” Rubens Menin, pr...

 

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O QUE ESPERAR DO CRÉDITO. A liberação de crédito pelos bancos pode ser considerada a mola propulsora do mercado imobiliário. Isso porque esses recursos alimentam tanto os clientes quanto as construtoras.

“No passado, as elevadas taxas de juros inviabilizavam a concessão de crédito de longo prazo”, contextualiza José Manoel Alvarez Lopes, superintendente de crédito imobiliário do Grupo Santander. Hoje, as instituições bancárias, amparadas na queda dos juros e na estabilização da economia, democratizaram o acesso ao financiamento com base na seguinte receita: prazos alongados e parcelas mais acessíveis. Tais inovações devem se manter, aposta Teotônio Rezende, consultor de habitação da Caixa Econômica Federal (CEF). “Temos um sistema de crédito calcado em regras rigorosas”, afirma. Além disso, ele prevê que a concorrência entre os bancos tende a aumentar, trazendo benefícios aos clientes, como a modernização das operações e a redução das tarifas.

A competitividade também se intensificará entre as construtoras. O setor está passando por um momento de consolidação após a abertura de capitais na Bolsa de Valores. Isso significa que o terreno antes ocupado por diversas empresas concentrará aquelas que honrarem seus compromissos com os agentes financeiros.

 

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“ A classe média foi a mais beneficiada pela ampliação do crédito.” Jos...

 

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JEITOS DE MORAR. Outra novidade do mercado é a oferta diversificada de empreendimentos. Os lançamentos econômicos apostam na ampliação da área de lazer e dos espaços de convivência, uma forma de compensar o tamanho reduzido das plantas. Há também muitos investimentos em condomínios horizontais, resposta ao anseio de 90% das famílias brasileiras. “As pessoas preferem morar em casa, desde que ela tenha segurança”, diz Eduardo Gorayeb, diretor-presidente da Rodobens Negócios Imobiliários, com sede em São José do Rio Preto (SP).

A mesma preocupação norteia aqueles que buscam um apartamento de alto padrão, segundo Ubirajara Spessotto, diretor-geral da Cyrela São Paulo, construtora paulista. “Os clientes querem projetos que ofereçam, além de segurança, lazer infantil e complexo esportivo.”

 

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“ A maior demanda por habitação está no interior do país.” Eduardo Gora...

 

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IMPACTO URBANÍSTICO. O combate ao déficit habitacional brasileiro traz à baila o problema do crescimento desordenado das cidades. Os pequenos e médios municípios provam que o aquecimento do setor construtivo pode acarretar o desenvolvimento local. “Por serem mais bem planejadas, essas localidades comportam projetos integrados aos bairros”, afirma Rubens Menin. Já nas metrópoles – São Paulo é o caso mais emblemático – o caos parece insolúvel. Na visão do arquiteto e urbanista Jorge Wilheim, duas forças inversamente proporcionais estão definindo as bases da expansão imobiliária na capital paulista. De um lado, incorporadoras trabalham com sua lógica, “resolvendo a questão lote a lote, sem observar o entorno”, diz ele. Do outro, o poder público, que deveria zelar pela coerência urbanística, assiste impassível a esse movimento. “A prefeitura tem de elaborar planos de bairro, fazer valer o zoneamento, repensar os pólos geradores de tráfego, investir no transporte coletivo de massa e em obras públicas”, ressalta Jorge.

 

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“ Hoje, todos os projetos têm que oferecer segurança.” Ubirajara Spessott...
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