Copa 2014, Olimpíadas 2016 e o Brasil 2017

O que aprendemos com os Jogos Panamericanos no Rio de Janeiro? Que o Brasil precisa ser mais eficiente quando o assunto é planejamento.

Por Por José Roberto Bernasconi, presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco) Atualizado em 20 dez 2016, 18h54 - Publicado em 19 nov 2009, 12h45

Um título para uma foto sem titulo Investir em obras executadas às pressas, sem projetos detalhados e sem cronogramas rigorosos de execução é uma falta de respeito com qualquer cidade. A capital carioca quase não se beneficiou dos investimentos que recebeu em 2007. Agora, a mesma cidade terá 30 bilhões de reais para os Jogos Olímpicos. Utilizaremos essa verba de forma adequada?

Para se ter bons projetos de arquitetura e engenharia, é necessário planejar. Precisamos pensar antes para fazer melhor, respeitar o tempo exigido por cada um dos projetos e ainda o processo de elaboração intelectual. Isto porque, como preconiza o Sindicato da Arquitetura e da Engenharia, Sinaenco, “antes de uma boa obra, existe sempre um bom projeto”.

O planejamento é o fator essencial para a realização bem-sucedida dos Jogos Olímpicos 2016, a exemplo do que aconteceu em Barcelona 1992 e vem acontecendo em Londres, em sua preparação para sediar as Olimpíadas 2012. No caso brasileiro, há a feliz coincidência de o Rio de Janeiro ser uma das sedes da Copa 2014 e diversas obras que serão realizadas para a Copa devem ser pensadas para aproveitamento nos Jogos Olímpicos, especialmente aquelas ligadas à infraestrutura urbana – de mobilidade urbana, aeroviária, de portos, de ampliação da rede hoteleira, de saneamento básico e também esportiva.

Esta é a única forma de superar a deficiência crônica do Brasil em planejamento, nas suas diversas esferas de governo, o que tem trazido péssimos resultados: obras executadas às pressas, sem projetos de arquitetura e engenharia detalhados e que definam técnicas construtivas, especificações dos serviços e materiais, cronograma de execução e orçamento rigorosos, cujo maior exemplo foram as obras dos Jogos Panamericanos de 2007 no Rio de Janeiro. As obras para a Copa 2014 e Olimpíada 2016 oferecem a oportunidade de aproveitar a intensa sinergia entre os dois eventos, mirar os ensinamentos da história recente e reverter esse quadro.

É preciso desenvolver rápida e eficientemente os projetos completos de cada estádio, praça, rodovia ou aeroporto de que precisaremos para 2014 e 2016. Porém, alguns poderão ser tentados a contratar, sem licitação, escritórios estrangeiros, sob a alegação de que estes já têm experiência no projeto de estádios, padrão Fifa ou padrão COI. Mas não podemos desperdiçar essas raras oportunidades para desenvolver a competência das empresas brasileiras, que depois poderá ser exportada nos megaeventos esportivos mundiais futuros.

O melhor resultado da Copa 2014 e das Olimpíadas 2016 é o Brasil 2017, o legado positivo desses eventos para nosso país.

* Este assunto deu origem a uma comunidade aberta para discussões no CasaPRO, rede voltada para profissionais da arquitetura e da decoração. Se você faz parte desse grupo, inscreva-se e participe!

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