Dia do Artesão: o lindo e enriquecedor trabalho das ceramistas do Apiaí

As técnicas das mestras foram passadas de geração em geração de mulheres há pelo menos 200 anos

Por Ana Carolina Harada 19 mar 2020, 18h15
Reprodução/Casa.com.br

O artesanato é uma das belas e tradicionais manifestações da cultura de um povo. Para celebrar aqueles que praticam este ofício, comemora-se hoje (19) o Dia do Artesão. Em celebração do artesanato brasileiro, a loja Paiol apresentou ao mercado uma coleção de cerâmicas feitas pelas mulheres do Apiaí, um trabalho que merece ser conhecido por todos!

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As peças foram inspiradas na natureza e nos trabalhos ancestrais de ceramistas da região. São vasos, potes, travessas, porta-petiscos, açucareiros, todos com uma beleza ímpar e detalhes refinados.

Essa coleção nasceu do desejo de preservar a cerâmica tradicional, levar o trabalho para o Brasil todo e transformar a atividade em uma forma de renda para as mulheres da comunidade. A iniciativa de expor as peças possibilitou mudanças positivas na vida das artesãs: o preparo do barro ficou mais fácil e um novo forno foi construído.

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Localizado na região do Vale do Ribeira, o município de Apiaí fica a aproximadamente 320km da cidade de São Paulo e foi, historicamente, um abrigo para escravos, que fugiam dos senhores, além de ser o lar de tribos guaranis. Em termos econômicos, o local ficou isolado do restante do Estado, o que causou um desfavorecimento em relação a outras áreas.

Cidades no Vale do Ribeira possuem IDHs inferiores às médias de seus estados. Por outro lado, o mesmo isolamento permitiu que algumas técnicas e conhecimentos ancestrais ficassem preservados, intocados por influências externas. 

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A cerâmica é muito presente no cotidiano dos moradores e as técnicas das mestras foram passadas de geração em geração de mulheres há pelo menos 200 anos. Cabe a elas criarem peças utilitárias, bonecas, animais e moringas. 

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O processo das peças começa com o preparo da matéria prima. O barro é retirado da própria região e socado em pilões de madeira até atingir a consistência perfeita. Em seguida, rolos de barro são moldados nas mais diversas formas à mão.

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“A massa é feita com mais de um tipo de argila para atingir um equilíbrio e uma consertar o que tem de ruim na outra. Ela pode ser tocada também com a mão de pilão ou com os pés, até atingir o ponto ideal e desejado pelo artesão e deve ser armazenada em sacas plásticas para manter a umidade da argila. A partir de então, é só modelar e avançar para outras etapas”, explica a artesã Jaqueline Looze.

O próximo passo é alisar, secar e decorar os objetos com tinturas coloridas, também feitas de barro. Finalmente, eles são colocados no forno para a queima.

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