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Bambu vira revestimento em versão high-tech

A planta, de apelo sustentável, vira matéria prima de pisos e painéis industrializados e conquista mercados fora do eixo China-Japão. No Brasil, a recém-criada Política Nacional do Bambu promete estimular o cultivo e criar condições para uma produção nacional de alta tecnologia a partir da chamada madeira do futuro.

O bambu pode ser resumido numa palavra: “versátil”. Das varas, que chegam a atingir 40 m de altura e 25 cm de diâmetro, é possível criar de tudo: de tecidos a mobiliário, de revestimentos a prédios. Explorado há milênios em países como China e Japão, o potencial dessa gramínea vem sendo mais e mais reconhecido no mundo todo. Características como rigidez e resistência podem superar as da madeira e ser comparadas às do aço.

O Brasil tem tudo para explorar as possibilidades do bambu. Aqui, já foram identificadas mais de 200 espécies nativas e encontradas outras, de potencial industrial reconhecido, que estão bem adaptadas às nossas condições de solo e clima. Há terra produtiva para atender às necessidades de cultivo e especialistas que se dedicam há, pelo menos, 40 anos ao estudo da planta e podem transformá-la em alternativas sustentáveis para a arquitetura e a construção. Apesar disso, o país ainda importa produtos e matéria prima. Mas uma lei aprovada pela presidenta Dilma Rousseff no dia 8 de setembro promete dar um passo oficial em direção a uma indústria nacional do bambu.

A Política Nacional de Incentivo ao Manejo Sustentado e ao Cultivo de Bambu (PNMCB), instituída pela Lei 12.484, quer promover o manejo sustentado das florestas nativas e o cultivo comercial, oferecendo incentivos para a agricultura familiar. Deve também impulsionar pesquisas e o desenvolvimento tecnológico desse “supermaterial”, que é leve, flexível e, ao mesmo tempo, tão resistente. Além de ser renovável, pois a planta cresce rapidamente e continua produzindo após a retirada das varas, os chamados “colmos”.

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Com tantas vantagens, novos e melhores materiais feitos a partir do bambu, como revestimentos e estruturas, têm sido pesquisados e surgido no mercado. “A industrialização de suas fibras é uma tendência que chega para atender à demanda por produtos mais leves e sustentáveis”, afirma Marko Brajovic, arquiteto e designer croata que vive no Brasil e tem se dedicado a projetos com materiais sustentáveis. Em 2009, ele lançou o banco “Peque”, desenvolvido em parceria com a empresa Tiva Design e todo feito em laminado fechado de bambu. “Para inovar no design, é preciso inovar também no material. E o bambu é um material de alta tecnologia”, defende Brajovic. Já se foi o tempo em que ele era visto como um produto meramente rústico e de pouco valor.

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O bambu laminado é feito com lâminas retiradas da parede do colmo, unidas com cola branca ou resina natural (como a de mamona) e prensadas. O produto pode chegar ao consumidor na forma de móveis e revestimentos para parede e piso. No Brasil, os assoalhos laminados de bambu são importados, principalmente da China, e chamam a atenção pela possibilidade de ter, em casa, uma alternativa mais sustentável à madeira, tão resistente quanto os pisos maciços e com acabamento sofisticado, apesar da rusticidade da matéria prima. Confira uma galeria de fotos com detalhes de projetos.

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Nas paredes, o laminado de bambu pode ser aplicado como painéis decorativos com o mesmo visual do assoalho ou ainda no estilo pastilhado. A empresa paulistana Tiva Design produz placas 100% bambu com pastilhas de 2 cm x 2 cm, feitas com matéria prima e tecnologia nacionais, desenvolvida pelos sócios Rafael Paolini e Alexandre Xandó. O bambu vem de pequenos sitiantes da região de Cotia (SP), mas a dupla já investe no cultivo da planta, num sítio próprio com nove hectares plantados.

O investimento tem rendido bons frutos. “A aceitação é ótima. Hoje, vendemos de 150 a 200 m² por mês e, desde que começamos, em 2008, dobramos o faturamento a cada ano. E há espaço para crescer mais”, contabiliza Xandó. O que pode limitar um pouco o sucesso de produtos industrializados de bambu no Brasil é o preço. O piso laminado importado pode custar de R$140 a R$170 o m², e as pastilhas da Tiva saem por R$300 a R$400 o m². Xandó explica que a pouca oferta de matéria prima e o custo do processo, de fato, encarecem o produto. Por isso, o estímulo ao cultivo comercial e ao desenvolvimento de tecnologia própria é essencial.

Grupos de universidades e institutos de pesquisa espalhados pelo País vêm desenvolvendo, de forma experimental, mas com sucesso, produtos de alta tecnologia a partir do bambu – como laminados, aglomerados, estruturas e materiais construtivos – e o maquinário adequado. Desde 2008, a Rede Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento do Bambu (Redebambu/BR) bambu reúne projetos nessa linha, apoiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Especialistas esperam que a recém-aprovada Política Nacional do Bambu permita levar esse esforço de inovação para além dos limites dos laboratórios, em escala comercial e competitiva.

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