Nova espécie de filodendro é descoberta no Espírito Santo!
O Philodendron quartziticola, pertence à família Araceae, o mesmo grupo de plantas ornamentais populares, como antúrio, jibóia e comigo-ninguém-pode.
Uma nova espécie de planta da Mata Atlântica foi recentemente descrita pela ciência a partir de pesquisas realizadas nas montanhas do Espírito Santo. A espécie, batizada de Philodendron quartziticola, pertence à família Araceae, o mesmo grupo da taioba, do inhame e de plantas ornamentais populares, como antúrio, jibóia e comigo-ninguém-pode, e parte dos registros ocorreu em áreas da Reserva Ambiental Águia Branca, que ofereceu apoio logístico ao trabalho de campo, incluindo hospedagem, alimentação e orientação técnica aos pesquisadores.
O estudo, publicado na revista científica da Nova Zelândia Phytotaxa, é resultado de um programa de investigação botânica conduzido por pesquisadores de instituições como o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) e Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). E embora a espécie não seja exclusiva da Reserva Águia Branca, tendo sido identificada também em outros municípios da região serrana do Espírito Santo e na Reserva Kaetés, a descoberta reforça a importância ecológica das montanhas capixabas como um importante centro de biodiversidade e endemismo da Mata Atlântica.
“Do ponto de vista científico, o Philodendron quartziticola apresenta características que permitem diferenciá-lo de outras espécies semelhantes já conhecidas. A planta possui folhas longas e estreitas e estruturas reprodutivas com detalhes únicos no gineceu (órgão feminino da flor), que foram determinantes para sua identificação como nova espécie”, explica a bióloga Patrícia Bellon. O estudo também descreve seu modo de crescimento, que pode ocorrer tanto diretamente no solo quanto como uma trepadeira, adaptada a ambientes com solo pobre, arenoso e com rápida drenagem de água.
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O novo filodendro foi registrado em ambientes muito específicos da região serrana capixaba, associados a solos quartzíticos, formados principalmente por areia branca rica em quartzo. Esses ambientes são conhecidos localmente como “Morros de Sal”, devido à aparência clara e granulosa do solo, que lembra sal à distância e impõe condições específicas para o desenvolvimento das plantas.
E além da descrição taxonômica, a pesquisa trouxe informações relevantes sobre ecologia e conservação. Os pesquisadores observaram que a espécie ocorre em ambientes considerados raros do ponto de vista geológico e altamente vulneráveis à degradação ambiental, frequentemente ameaçados por atividades como mineração, abertura de estradas e plantação de eucalipto. O estudo também identificou interações ecológicas importantes, como a polinização realizada por besouros do gênero Cyclocephala, evidenciando a complexidade desses ecossistemas.
Em função da distribuição restrita e das ameaças ambientais identificadas, o Philodendron quartziticola foi classificado como espécie “Em Perigo” de extinção, reforçando a relevância do trabalho como subsídio técnico para ações e políticas de conservação da Mata Atlântica no Espírito Santo.
Para a Reserva Águia Branca, o apoio ao estudo faz parte de uma política institucional voltada à promoção da ciência, da conservação e da produção de conhecimento sobre a biodiversidade brasileira. A RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) mantém suas áreas abertas a pesquisadores e instituições que atuam em temas alinhados à conservação da natureza, ecologia, botânica e sustentabilidade, contribuindo ativamente para a geração de dados científicos fundamentais para a proteção desses ambientes.
“A ciência é uma aliada estratégica da conservação. Ao apoiar pesquisas como essa, ampliamos o conhecimento sobre a biodiversidade local e fortalecemos as bases técnicas necessárias para a proteção de áreas naturais sensíveis”, destaca Patrícia.
A descoberta do Philodendron quartziticola evidencia que mesmo em regiões consideradas bem estudadas, a Mata Atlântica ainda guarda espécies desconhecidas da ciência. O achado reforça a importância de iniciativas que aproximem áreas protegidas, pesquisadores e instituições científicas em prol da conservação do patrimônio natural brasileiro.





