Fato ou mito: música ajuda as plantas crescerem?

Estudos sugerem que elas realmente respondem ao som, mas há controvérsias. Entenda!

Por Luiza Cesar Atualizado em 27 jun 2021, 23h04 - Publicado em 28 jun 2021, 08h00
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Já pensou se sua horta pudesse ouvir e apreciar músicas? Você acha que ela iria preferir que gênero? Harry Styles ou Vivaldi? A verdade é que, embora alguns estudos indiquem que as plantas reagem a sons musicais e apresentem evidências convincentes, ainda não existe um consenso sobre a teoria.

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Tudo começou com o livro A Vida Secreta das Plantas, publicado em 1973 e escrito por Christopher Bird e Peter Tompkins, que relatou as “relações físicas, emocionais e espirituais entre a vegetação e o homem”. Estudos científicos, citados pelos autores, sugeriram que o cultivo consegue crescer com ajuda da música e que possui um nível de consciência para responder pessoas de forma inteligente.

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Dr. T. C. Singh, chefe de botânica da Universidade Annamalia, na Índia, conduziu, em 1962, um dos primeiros estudos sobre o efeito de canções nas plantações. Para conseguir resultados, ele expôs bálsamos à música clássica e percebeu que a taxa de florescimento aumentou 20% e a de biomassa 72%, em comparação com um grupo de controle – onde não aplicou o fator testado.

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Para confirmar o fenômeno, ele também botou música raga em altos falantes e descobriu que rendiam de 25% a 60% a mais do que a média nacional. Mais tarde, pesquisadores da universidade experimentaram colocar sons de flauta, violino, harmônio e as vibrações da dança tradicional indiana. Apesar de todos se mostrarem positivos, eles determinaram que o violino era o instrumento mais eficaz.

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O engenheiro canadense Eugene Canby, por sua vez, replicou as conclusões e tocou a sonata para violino de J.S Bach para seus campos de trigo – obtendo um acréscimo de 66% do rendimento.

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Outro livro que ajudou a popularizar a ideia foi The Sound of Music and Plants – “O Som da Música e das Plantas”, em tradução livre – de Dorothy Retallack. Os experimentos da autora mostraram um cultivo muito mais saudável, contrário do grupo de controle, ao apresentar uma nota F estendida.

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Em seguida, ela colocou diferentes tipos de melodias, incluindo clássica, jazz e rock. Os ramos expostos à clássica e jazz mais suave cresceram em direção ao alto-falante e até se entrelaçaram em torno dele. Já os em contato com o rock prosperaram longe das caixas de som e revelaram sinais semelhantes ao de excesso de água.

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Sendo assim, muitos pesquisadores que produziram esses experimentos concluíram que os plantios exibem uma resposta empática à música. Porém, vale ressaltar, que muitos deles tinham crenças incomuns. Retallack, por exemplo, achava que os ramos detinham de percepções extrassensoriais e se esquivavam do rock por causa das letras.

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A melhor explicação científica para este fenômeno é que a vibração de certos tipos de melodias e som podem ajudar a estimular o processo de fluxo citoplasmático – quando as plantas transportam nutrientes, proteínas e organelas em seus fluidos (citoplasma). Na natureza, cantos dos pássaros ou brisas fortes auxiliam o método.

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Apesar de você encontrar jardineiros que juram que sua horta prospera melhor ouvindo canções, ainda não há evidências decisivas disso. A teoria também recebeu críticas de botânicos que diziam que os experimentos eram pseudociência ou cientificamente falhos e não replicáveis.

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A Universidade da Califórnia, em um post, apontou que há diversas variáveis nas pesquisas que podem não ter sido gerenciadas ou contabilizadas de maneira adequada. Luz, água, pressão do ar e condições do solo são algumas.

Além disso, eles sugerem que eram os cuidadores que estavam realmente se beneficiando da música – muitos dizem que falar com as mudas ajuda no crescimento porque faz com que os seus criadores fiquem mais atentos.

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Apesar das discordâncias, o conceito não morreu por aí. O programa de televisão MythBusters abordou esse assunto em 2004, instalando estufas com algumas condições diferentes: uma não possuía nenhum tipo de melodia, outra tocava música clássica, a terceira death metal, duas emitiam gravações de discurso negativo e uma de discurso positivo.

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A horta do death metal foi a que apresentou o melhor resultado. A música clássica ficou em segundo lugar; seguida pelos discursos, os dois tipos com um desenvolvimento semelhante; e, por último, a estufa sem nenhum som.

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No final das contas, não conseguimos responder se é um fato ou mito, mas determinamos que há muitas coisas que você pode fazer para tornar seus ramos mais altos e fortes. Não esqueça: cada espécie contém suas próprias necessidades relacionadas às condições de luz, irrigação, poda e fertilização.

*Via Bloomscape

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