Sobrado reformado tem moto estacionada na sala

Dava aflição abrir a porta deste sobrado e topar com ambientes tão confinados. Graças à reforma, as paredes foram ao chão, e a casa, enfim, respirou, como tanto desejava o dono

Por Por Carolina Diniz (visual) e Lyna Barbosa (texto) | Projeto Figueroa.Arq | Fotos Luis Gomes Atualizado em 19 jan 2017, 15h52 - Publicado em 30 jul 2014, 21h39

Depois de arrematar este imóvel, demorei a encontrar um arquiteto para interpretar o desenho da morada com que sonhava. Ela precisaria conversar com meu modo de vida. Ter jardim, lugar para receber amigos e, o principal, permitir que o olhar rompesse barreiras. Queria a visão do todo, como numa pintura que, no primeiro momento, encanta e, só depois, faz apreciar os detalhes. Uma casa que respirasse, e que eu respirasse com ela. O sobrado, construído nos anos 40, já havia sofrido várias intervenções, porém todas mantiveram a distribuição original, compartimentada demais. Mesmo assim, encarei a compra. O preço estava muito bom para o lugar com acesso fácil, perto do trabalho e numa vila, raridade na metrópole que é São Paulo. Morei um ano aqui esbarrando nas paredes, enquanto amadurecia a ideia sobre o que e como fazer para tornar os ambientes mais agradáveis. Conversei com alguns profissionais, pesquisei em revistas e livros, mas nada me atendia. Como tudo tem sua hora, certo dia abordei o arquiteto Mario Figueroa, que sempre vai a minha livraria – trabalho com publicações de arte e ciências humanas. Resolvi perguntar a ele, meio sem esperança, se topava dar uma olhada no sobrado, já alertando da dificuldade da planta, muito estreita e truncada. Ele foi lá e disse: ‘Dá para fazer um bom projeto aqui, do jeito que você deseja’. Fiquei animado. Dias depois, o escritório apresentou as soluções. Embarquei de cara na ideia. Da porta de entrada, eu enxergaria o jardim e ainda teria lugar para estacionara moto na sala, sem agredir a decoração nem emperrar a circulação. Em cinco dias, a parte interna foi toda derrubada. Sobraram apenas a fachada e as paredes laterais. Assim, mudou totalmente o percurso lá dentro. Espaços vazios, de pé-direito duplo, potencializaram a iluminação e a ventilação naturais. A unidade visual entre estruturas metálicas, revestimentos e marcenaria conferiu o ar contemporâneo que eu buscava. O canto do jardim fcou perfeito para relaxar e ler um bom livro. Só falta, agora, colocar em prática meus dotes culinários (risos). Afinal, meu pai foi chef de cozinha num conceituado restaurante da Rua Augusta que não existe mais. E a casa, da forma que está, me inspira a pilotar forno e fogão para os amigos.

 

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Charme na passarela. A ponte que liga os ambientes no primeiro pavimento emprega barras metálicas (na base e no guarda-corpo) pintadas de esmalte sintético acetinado (Coral, ref. ágata-da-islândia, 00NN 13/000). Execução da Lero Metal.

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Piso único. Placas de porcelanato (60 x 60 cm) cobrem o chão da sala à cozinha (Matiz Grigio, da linha Concretissyma, da Portobello).

Degrau solto. Réguas de peroba-rosa de demolição configuram a plataforma de 0,42 x 1,20 m e 15 cm de altura. Trabalho da Galpão Demolições. parede com memória Descascados, os tijolos receberam tinta látex acrílica fosca (Coral, ref. toque de cinza, 30BB 72/003).

Escada fluida. O modelo metálico tem pisada de peroba-rosa de demolição (27 x 90 cm) e corrimão chumbado na parede.

Patamar multiúso. A vaga da moto (35 cm de altura) ganhou revestimento de ladrilhos hidráulicos (Ladrilhos Maria Estela). Em dias de festa, futons transformam o estacionamento em banco.

 

 

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