Sobrado carioca de 1838 se transforma em ateliê de diretor de teatro

Diretor de teatro se aventura no restauro de um sobrado de 1838: a restaruração alçou os materiais originais a protagonistas

Por Por Simone Raitzik (visual e texto) | Projeto Carlos Salles | Fotos André Nazareth Atualizado em 19 jan 2017, 15h51 - Publicado em 14 jun 2013, 22h31
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O tom rosa da fachada não foi uma escolha qualquer. Gilberto Gawronski gosta de dizer que fez para si uma Casa Rosada, perfeita para encenar a história de Evita Perón. De fato, ali é a sede de seu governo, onde, soberano, dá forma a cenários, ensaia novos textos e recebe atores de fora, nas duas suítes de hóspedes no térreo. “Quis fazer um ateliê cênico, voltado para a criação. Para isso, renovei completamente o espaço, que estava literalmente caindo aos pedaços. A empreitada já levou quase cinco anos e ainda não terminou”, afirma. A obra foi realmente grande: os cerca de 350 m² do sobrado de 1838, divididos em três pisos, passaram por um completo quebra-quebra, com projeto assinado pelo arquiteto Carlos Salles. Foi ele quem entendeu e pôs de pé a proposta de transformar o imóvel numa espécie de fábrica, com jeito industrial, sem deixar de respeitar seu estilo. Próximo à entrada da casa, voltada para uma ladeira entre a Lapa e Santa Teresa, a estrutura original foi mais preservada. Ali se expõe grande parte dos materiais originais, como os tijolos de barro maciço, as pedras estruturais e a escada de peroba-do-campo. “Onde encontramos traços legítimos, restauramos e deixamos à mostra. São matérias-primas nobres que ficavam escondidas sob muita massa. Os ambientes tinham perdido a personalidade”, completa Carlos. E isso agora a casa tem de sobra. Como um bom diretor teatral, Gilberto logo deu aos cômodos nome e sobrenome de personalidades artísticas. A sala de ensaios, por exemplo, chamase Marieta Severo: foi ela quem doou o piso, sobras da obra em seu teatro. “Sou um colecionador de histórias. E essa casa reflete meu mundo”, aponta ele.

Em busca de luz

“O espaço parecia uma caverna. Com a reforma, fcou claro e ganhou uma estética de loft”, diz o arquiteto Carlos Salles. A principal manobra para conquistar a luminosidade consistiu na retirada de parte das lajes, o que criou espaços com pé-direito duplo ou triplo.

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Área: 347 m²; Projeto estrutural: Francisco Elvas Consultoria e Projetos de Estruturas; Execução: Plinus Construções

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