Nossas praças

Ter uma praça bonita e bem cuidada perto de casa é sonho de muita gente. Veja o que a comunidade e a iniciativa privada estão fazendo para recuperar essas áreas verdes da cidade

Por Da redação Atualizado em 20 dez 2016, 22h29 - Publicado em 24 jan 2007, 15h45
Esplanada Getenco Plaza próxima à av. Paulista: exposição Tributo ao Espo...

Você já parou para pensar que a preservação o de áreas verdes ajuda a criar uma aura de bem-estar na cidade? E mais: que elas refrescam a temperatura em até 4ºc. Além de ter uma função o urbanística importante, esses pontos tornam-se verdadeiros oásis em regiões cercadas por concreto. E, por isso mesmo, um convite às atividades de lazer. Atentos a essa preocupação, um grupo de moradores de São Paulo decidiu arregaçar as mangas e recuperar parte das quase 3 mil praças que o município possui. É claro que o olhar contemporâneo sobre os espaços públicos os ajudou a perceber que a comunidade também responsável pelo cuidado dessas áreas. A chilena Laura Hosiasson é uma das habitantes da capital que encarou o desafio com sucesso. Em 1995, mudou-se com a família para uma casa no Jardim das Bandeiras, bairro de classe média alta na zona oeste. Ali, encontrou a praça Fernando Sabino abandonada. Incomodada, ela arregimentou os dois filhos adolescentes e, com vassouras e sacos de lixo, passou a limpar o lugar. Depois de um tempo, reuniu-se com os vizinhos para criar a Associa o dos Amigos do Jardim das Bandeiras. Deixar a praça suja é um desprezo por você mesmo, teoriza Laura, professora de literatura.

Praça do Pôr-do-Sol: um dos cartões-postais da cidade. Praça General Costa Barreto, no Tatuapé: área recuperada com espaço de la...

A Organização Mundial da Saúde de (OMS) recomenda 12 m² de área verde por habitante. São Paulo está muito abaixo desse índice tem 4,6 m² por habitante. Ações proativas de empresas e de moradores envolvidos na preserva o das praças, no entanto, podem contribuir para mudar esse quadro. A qualidade de manutenção melhora quando há parceria entre a iniciativa privada e a prefeitura , analisa o arquiteto e paisagista Plínio de Toledo Piza, do Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depave). Associar a marca a projetos de responsabilidade ambiental é uma boa idéia para empresas e rende bons frutos para a sociedade. O supermercado CompreBem, do Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, criou o projeto Jardineiros do Bem, que forma profissionais, entre 16 e 20 anos, para revitalizar e manter praças vizinhas às lojas da rede. Até agora, 15 áreas da cidade j foram recuperadas. “É agradável sair de casa e encontrar uma praça bem cuidada, diz a publicitária Cecília Pimenta, da Associação de Moradores do Alto de Pinheiros. Há três anos, a entidade lançou a campanha Adote uma Praça no bairro, com 42 dessas áreas. A arborizada Boaçava é outro exemplo. Mantida pela Sociedade Amigos do Boaçava, exibe um belo jardim e muitas atividades esportivas. No Tatuapé, a praça General Costa Barreto também é cuidada por moradores, que criaram ali um espaço com brinquedos para as crianças.

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Além de cartões-postais, as praças são referência geográfica nas cidades. Mas o tipo de ocupação determina a vocação de cada uma delas. A pequena e despojada Professora Emília Barbosa Lima, no Alto de Pinheiros, foi adotada pela Escola Vera Cruz há alguns anos, e hoje a praça funciona como uma extensão do colégio. Às vezes, os professores dão aulas ao ar livre. Em outras, é usada para ensaios culturais dos alunos. E na hora do recreio, reúne uma turma grande de estudantes, que sentam em seus bancos para fazer o lanche e bater papo. Na badalada rua Amauri, no Itaim Bibi, esconde-se a charmosa praça Amauri, desenhada pelo conceituado arquiteto Isay Weinfeld. Virou ponto de descanso, reunião ou happy hour de quem trabalha e circula por ali até a madrugada. As árvores, o café expresso, os bancos e as mesinhas com jogos de gamão e dama seduziram os passantes. “É um lugar lindo e gostoso”, diz a publicitária Fernanda Pires, que trabalha em uma agência na frente da praça. “Dá até para pedir um almoço delivery, sentar aqui e comer descansadamente”, emenda a colega Patrícia Venturini. Já a Esplanada Getenco Plaza, nas cercanias da avenida Paulista, palco de manifestações políticas, mostras de arte e abriga em um cantinho um pequeno jardim de temperos do restaurante Spot, também instalado na praça. O lugar, cercado de espelhos-d’água por todos os lados, respeita o receituário do feng shui. Bom para entrar no clima zen.

Praça Professora Emília Barbosa, no Alto de Pinheiros: espaço de ensaios c...

Mãos à obra

Quem deseja recuperar uma praça deve descobrir vizinhos dispostos a participar da empreitada. Depois, organiza-se o grupo, define-se o papel de cada um e procura-se o escritório da subprefeitura da região para assinar um acordo de cooperação. Por ele, a administração pública sede à iniciativa privada o direito de manutenção do lugar. O ideal é partir para a ação com um projeto paisagístico que respeite as características originais de vegetação da praça.

Praça que não é praça

Nem todas têm jardim, árvores ou banquinhos. “São espaços de referência urbana, cercados por edificações”, diz a arquiteta e paisagista Rosa Kliass. Há praças de passagem, como o Largo São Francisco, no centro, e outras que estimulam o convívio social, como o vão Esplanada Lina Bo Bardi, do Museu de Artes de São Paulo (Masp), na foto. Ela abriga a feira de antigüidades e quem foge do corre-corre da avenida Paulista.

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