Moema: vida privilegiada

Vizinho ao Parque do Ibirapuera e ao Aeroporto de Congonhas, o bairro mescla comércio sofisticado, serviços, lazer e prédios bacanas. Nem o barulho dos aviões atrapalha sua valorização

Por Da redação Atualizado em 14 dez 2016, 12h11 - Publicado em 4 dez 2006, 13h44

Sua localização é estratégica – entre a avenida Paulista e as Faria Lima e Berrini, principais centros empresariais de São Paulo. Segundo levantamento da empresa de pesquisa de mercado, planejamento estratégico e análise da lógica urbana, Urban Systems, a região apresenta a maior concentração de pessoas de classe A e a menor de classe E. Soma-se a isso o ótimo nível de escolaridade e baixa taxa de homicídios. Uma das regiões mais caras da cidade, a maior parte dos lançamentos por essas bandas é de quatro quartos ou mais – que custam, em média, R$1,2 milhão. Mas enquanto a área construída se multiplica, a população vem diminuindo. De acordo com a Secretaria Municipal de Planejamento Urbano (Sempla), dos 77.340 residentes em 1991, ficaram 71.276 em 2000. E a projeção é chegar a 2010 com 61.329. “As famílias de classe média alta são pequenas e ocupam moradias grandes. Além disso, houve substituição do uso residencial por comércio e serviços”, explica Fernando Vecchia, supervisor de planejamento da sub-prefeitura de Vila Mariana. Os prédios são superequipados, com muitas garagens, e a vizinhança endinheirada estimula o comércio. Mas faltam praças públicas e centros de convivência.

Positivos

Vizinho ao verde do Parque do Ibirapuera

Comércio e serviços fartos

Negativos Barulho de aviões

Trânsito e dificuldade para estacionar

Sem carroQuando teve seu carro roubado, o consultor de empresas Paulo Perez de Vasconcellos passou seis meses indo a pé para o escritório, a duas quadras de seu dúplex de 70 m2. “Moema tem tantas facilidades, que eu não cozinhava nem lavava a roupa em casa.” Agora, sua mulher, a advogada Juliana Silva Jucá, resolve as compras, o banco e a lavanderia. Tudo caminhando.

Tudo por pertoAda Lowenthal Pimentel estava grávida de Alessandra quando veio morar em Moema, há mais de 30 anos. “Sempre tive padaria, farmácia e supermercado perto. Se quiser, vou a pé ao shopping”, conta a dona-de-casa, que costuma caminhar no Parque do Ibirapuera. A filha vai se casar e procura apartamento. “Adoro o bairro, mas está caro demais”, lamenta.

Em Moema, os idosos resolvem a vida a pé em laboratórios, hospitais e farmácias do bairro. E os jovens são atraídos por boas opções de compras e lazer. Bares badalados enchem os ouvidos da vizinhança e somam-se ao barulho dos aviões. “Não dá para escutar a TV quando um jato passa”, conta a moradora Ada Pimentel. Mas as vantagens do lugar parecem ofuscar os problemas. Neste bairro, com características de cidade e moradores de classe alta, o conforto na esfera privada parece ser o item mais cobiçado… e há quem esteja disposto a pagar caro por isso.

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