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João Armentano faz milagre em sobrado urbano de uma grande amiga

O arquiteto João Armentano e a executiva Fatima Ali contam, juntos, o lado emocional de uma reforma

A campainha toca. Mal Fatima abre a porta, João entra perguntando:  “Cadê o café?” Já sentado na copa, enquanto a dona da casa organiza as xícaras na cozinha integrada ao espaço, o arquiteto discorre sobre o hábito português de receber na sala de almoço apenas aqueles de quem o anfitrião deseja se aproximar. Uma honraria. Já à mesa, ela olha para ele e sorri. Lembra que abriu mão do tradicional ambiente de jantar justamente por ter se dado ao luxo de se cercar apenas da família e dos amigos mais queridos. Um dos privilegiados, o profissional a interrompe para dizer que ela é uma mulher com energia incomum, uma visionária. “Você sabe disso, né?”, pergunta. “Então, daqui a duas semanas, faço 71 [anos]”, sussurra Fatima, entre goles de café.

Desde que o chamou para renovar sua residência anterior, há 20 anos, a executiva se identificou com o jeito autêntico do moço. Descobriram-se almas gêmeas. De mãos dadas sobre a mesa, relembram os velhos tempos. Ambos querem falar. Há tanto a dizer! João acha graça de, na época, ter se intimidado ao opinar sobre o refúgio de uma pessoa tão poderosa, sumidade no meio da moda e da comunicação. Para se sentir seguro, escaneou a essência da cliente com base em pequenos gestos e escolhas. Dos óculos marcantes à maneira de servir água, tudo ajudou a compor um perfil. “Absorvi o máximo dos detalhes”, conta. Ela tenta interrompê-lo algumas vezes, mas o arquiteto segue empolgado ao descrever aquele encontro. “O prazer de ela ter me chamado não tem preço”, sentencia. A executiva suspira e diz: “João sempre teve a maior paciência do mundo para me entender, e aprecio sua sutileza”. A recíproca é verdadeira. “Com tanto faro e cultura, Fatima virou minha consultora para assuntos aleatórios. Ficar ao lado dela só me acrescenta.”

Sobram muito carinho e intimidade no ar. Por um momento, os dois divagam sobre a ideia de ela comprar um lote na Bahia e construir uma casa de praia igual à que vendeu por lá para erguer a nova morada em São Paulo. De súbito, olhos cerrados, ele recorda o dia em que visitou o atual endereço. Escuro, sombrio, compartimentado. “Queria dizer: ‘Fatima, não compre. Não combina com você!’” Ela, porém, já havia fechado negócio. Dois meses depois, vencido o espanto inicial, João propôs uma revolução. No croqui, paredes sumiram, o pé-direito cresceu, as transparências ganharam sentido. “Sempre confiei cegamente nele”, conta a executiva. “Ele sentiu o perfume de meus desejos e me entregou sonho, acolhimento e silêncio.”

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Um convite à família

Amorosa, Fatima Ali tem os flhos e netos no centro de sua existência. Em nome deles, investiu num refúgio espaçoso com piscina, jardim e até horta, que cultiva com os pequenos.

Área: 513 m²; Projetos Estrutural, Elétrico, hidráulico e de Refrigeração: Pros Engenharia; Projeto Luminotécnico: Ana Spina; Paisagismo: Maria João D’Orey.

 

 

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