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Jeitos de morar: como é viver em uma fábrica de chocolate (às vésperas da Páscoa)

Nesta casa, os ovos de Páscoa descansam no sofá, os bombons dormem nos quartos e as fôrmas de chocolate disputam as prateleiras com as panelas.

A história de amor do casal Luiz Fernandes da Costa e Rosa Sarro está envolta em cacau desde o início, há sete anos. Luiz era dono de um bar-restaurante; Rosa, costureira na loja ao lado do estabelecimento. Um dia, Rosa ofereceu um produto especial para Luiz vender em seu bar no período natalino: o Cremotone, panetone recheado com um creme especial que ela inventara. Nas prateleiras do bar, o produto foi um sucesso. Depois do êxito com o panetone, chegaram as trufas, os pães de mel e os bolos de Rosa. Em menos de um ano, a parceria profissional se transformaria em casamento. “Luiz era um chocólatra e não resistiu às minhas receitas”, brinca Rosa.

Casados, Luiz e Rosa, cada um com um filho do relacionamento anterior, começaram a procurar uma casa para abrigar a nova família. O casal não procurava uma casa com uma planta especial, mas fazia questão de um cômodo extra onde pudesse produzir os próprios doces. Apaixonada por culinária, Rosa também queria uma cozinha grande e confortável, onde pudesse inventar mais receitas, ganhar dinheiro e se divertir. Na Vila Antonina, em São Paulo, encontrou seu lar. A cozinha tinha o tamanho ideal para preparar delícias para toda a família e, no fundo da casa, uma escada levava a uma sala no subsolo. Ali, seria aberta a microempresa Rosas de São Luiz.

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É uma casa. Sim. Mas também é uma fábrica de chocolates que espalha pelo bairro o cheiro do doce de cacau. Na entrada, é preciso desviar das caixas e mais caixas de ovos de Páscoa, bombons e trufas que dominam o corredor. Na sala reservada à TV, outra pilha de caixas ameaça tocar o teto e já esconde a estante. Na área de serviço, prateleiras expõem centenas de fôrmas de ovos de Páscoa. “Esse ano, já fizemos mais de uma tonelada de ovos”, revela Luiz, uma semana antes da festa. Para atender todos os pedidos, é preciso de uma verdadeira força-tarefa familiar: os filhos, Luiz Fernandes e Amanda, a irmã de Rosa, Kátia, e uma amiga se juntam para ajudar o casal na produção dos ovos.

Engana-se quem pensa que, no meio tanto chocolate, a família se delicie. Luiz diz que, no último ano, o casal trabalhou muitos dias antes da Páscoa e, quando chegou a data, percebeu que não havia feito nenhum ovo para comer. Mas os netos, às vezes, conseguem driblar os avós. Agora, a regra é ficar longe do subsolo, onde a família trabalha. “Precisa ser assim já que sou avó e, se eles pedem, não resisto e dou um pouco de chocolate,” conta.

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Neste ano, eles têm a expectativa de um faturamento de R$ 20 mil. Mas tudo tem um preço. Durante esse período, a família abre mão do conforto da casa para se dedicar ao trabalho. Rosa e Luiz acordam 5h e começam a preparar os ovos, atividade que se estende até 1h da manhã. A casa é esquecida. “Faço almoço e jantar entre um ovo e outro. Limpo os quartos e a sala apenas quando sobra um tempo. Meus vizinhos, amigos e familiares sabem quem não recebo visitas nessa época,” revela Rosa.

Hoje, cerca de seis anos depois de se mudarem para essa casa, Luiz confessa seu sonho: “expandir o negócio e continuar crescendo.” Rosa sonha em separar residência e trabalho. Quer adquirir um novo imóvel para abrir a fábrica e continuar morando na Vila Antonina. “Amo cada canto do lugar onde moro. Ela foi conquistada com muito esforço vendendo chocolate. Tudo o que é fruto de esforço tem um valor especial,” afirma. Com o dinheiro desta Páscoa, Rosa planeja fazer uma reforma. Quer investir em uma pintura mais colorida e tornar o ambiente mais aconchegante para receber (com chocolate) os clientes, os netos e as visitas – que são sempre bem-vindas, desde que a família não esteja às vésperas da Páscoa… Para conhecer as delícias produzidas na Rosas de São Luíz, o telefone é (11) 2673-5935 ou (11) 9823-2964.

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