Higienópolis: prazer em morar ali

No decorrer dos anos, o bairro cresceu para o alto e se valorizou, mas manteve a característica residencial realçada por praças, ruas arborizadas e construções que são verdadeiras obras de arte

Por Da redação Atualizado em 14 dez 2016, 11h50 - Publicado em 10 nov 2006, 17h36

O lugar é sinônimo de sofisticação. “Há imóveis com área útil entre 400 e 650 m² e tão valorizados quanto um novo”, assegura Fernando Siqueira, da construtora Kauffmann. A arquitetura oferece espaços generosos, e a excelente infra-estrutura foi reforçada com a abertura do Shopping Pátio Higienópolis, em 1999. O esperado caos no trânsito não ocorreu e o hábito de andar a pé foi mantido. As praças Buenos Aires e Vilaboim são marcas registradas dessa região. Pessoas da terceira idade convivem com os estudantes das universidades do entorno, e a segurança é garantida por guaritas particulares que vigiam as ruas a cada 20 m. Para o engenheiro e construtor Adolpho Lindenberg, Higienópolis mantém o formalismo paulistano: é discreto e cerimonioso. “Provavelmente por isso, no início do ano 2000, a revista britânica Wallpaper elegeu a região como a melhor para morar em São Paulo”, comenta. A preocupação com a qualidade de vida urbana vem de berço. O significado do nome já diz tudo: cidade da higiene. “Foi o primeiro bairro residencial a se situar numa área mais alta, longe das enchentes e epidemias”, conta o historiador Paulo Garcez Marins. As terras, compradas em 1890, formaram um loteamento destinado aos barões do café. Foi nesse cenário que três mulheres cravaram o tom nobre e elegante da ocupação. Dona Maria Antonia da Silva Ramos, dona Veridiana Valéria da Silva Prado e dona Maria Angélica Souza Queiroz Aguiar de Barros ergueram ali palacetes arrematados com materiais europeus – quem passa pelo bairro confere o tributo às nobres senhoras nas denominações de importantes vias do bairro. A verticalização só deu o ar da graça em 1933, quando foi construído o primeiro prédio, o Edifício Condomínio Alagoas. Com apartamentos de quatro dormitórios, um por andar, a construção foi motivo de barulho na imprensa por se tratar de um bairro caracterizado por casas e mansões. Mas o sucesso comercial foi imediato. Uma década depois, o arquiteto Rino Levi projeta o Prudência e Capitalização, com jardins de Burle Marx; e Vilanova Artigas assina o Edifício Louveira, dois marcos da arquitetura moderna. Mas o grande salto da construção civil se dá mesmo entre os anos 1950 e 1970. Da prancheta de Artaxo Jurado surgem prédios famosos como o Cinderela, na rua Maranhão, e o Bretagne, na avenida Higienópolis.

 

Positivos

Segurança

Facilidade de acesso

Boas escolas

Ruas arborizadas

 

Negativos

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Preço dos imóveis excessivamente alto

Trânsito intenso nos horários escolares

 

Escolha natural

A atriz Helena Albergaria sempre ficou de olho no bairro. Antes de engrossar a lista de moradores, costumava visitar amigas e uma tia. O marido, Sérgio de Carvalho, também morava no pedaço. “A escolha foi natural. Gosto do jeito de viver daqui”, diz Helena.

 

Paixão que vem do berço

O engenheiro e construtor Adolpho Lindenberg é um apaixonado por Higienópolis. Nasceu e mora até hoje no bairro e foi nele que construiu seu primeiro edifício, em 1960, o Princesa Imperial, na rua Piauí. “Felizmente o lugar mantém a tranqüilidade. Não saio daqui para nada. Caminho, vou ao shopping e aos restaurantes sem usar o carro.”

A consolidação do bairro foi reforçada com a chegada da comunidade judaica, a partir dos anos de 1970. De alto nível intelectual, os novos moradores construíram sinagogas, escolas e centros recreativos. Hoje, Higienópolis é um dos locais preferidos de professores universitários, artistas, arquitetos, empresários, políticos e jornalistas. A tranqüilidade de suas ruas permite que pessoas públicas, como o multimídia Jô Soares e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, circulem normalmente pela região. 

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