Construtoras montam seus apês em mostra de decoração

Unidades de quatro empreendimentos da região de Florianópolis (SC) foram montadas e decoradas na mostra Casa Nova 2011.

Por Aline Moraes Atualizado em 20 dez 2016, 18h52 - Publicado em 16 nov 2011, 15h33

Mostras de decoração que acontecem anualmente pelo Brasil levam à sério o apelido de vitrines. Elas reúnem profissionais renomados, apresentam novidades e tendências, atraem público qualificado e inspiram novas possibilidades para decorar a casa. Com todo esse potencial, construtoras começam a enxergar nas mostras uma oportunidade de expor seus apartamentos-modelo e fechar negócios. A 10ª edição da Casa Nova, que vai até o dia 06 de novembro no Beiramar Shopping, em Florianópolis (SC), incluiu, entre os ambientes, quatro decorados de lançamentos na região da capital catarinense: o Pátio das Flores, do Grupo Pedra Branca; o Simphonia Jazz Club, da WOA Empreendimentos Imobiliários; e o Água Viva, da construtora ACCR. Essa foi a terceira edição em que apartamentos-modelo integraram o evento. A vantagem para a mostra, segundo seu curador, Abreu Jr., é aproximar os projetos do público. “Nos decorados, os profissionais têm o desafio de lidar com as limitações de espaço de um apartamento real”, diz. Normalmente, um ambiente conceitual – apenas uma suíte ou uma sala, por exemplo – mede de 60m² a 120 m², metragens que equivalem a um apartamento inteiro! Quem visita a mostra, pode sair com ideias práticas e realizáveis para reformar a casa – ou até sonhar com a nova. As construtoras dispõem de um espaço corporativo com plantão de vendas para cativar o público a investir as economias num novo empreendimento. Nem sempre as vendas são fechadas lá mesmo, mas a opinião entre as empresas é unânime: investir nessa estratégia vale a pena pela visibilidade. “Geralmente, há muitos negócios pós-mostra”, diz Dalton Andrade, diretor da imobiliária que comercializa os produtos da construtora ACCR. A empresa participou das últimas três edições da Casa Nova.

Como funciona a parceria

A organização da mostra convidou as três empresas, que lançaram empreendimentos com foco diferenciado. O condomínio Pátio das Flores, do Grupo Pedra Branca, segue a linha do “viver sustentável”. Ele está sendo construído na Cidade Universitária Pedra Branca, em Palhoça, a 15 quilômetros da capital. Trata-se de um complexo com fôlego de bairro idealizado pelo Grupo, onde será possível fazer tudo no seu dia a dia a pé. Já o Simphonia Jazz Club, da WOA, está mais ligado ao viver urbano, localizado na avenida principal da ilha. E o residencial Água Viva, de frente para o mar, prioriza o lazer para quem quer viver em Florianópolis ou ter uma “casa na praia”.

Os profissionais que criaram o projeto dos decorados fazem parte da equipe recrutada pela Casa Nova. Eles discutem o perfil do imóvel com as empresas e, a partir daí, começam o trabalho. O custo da montagem dos ambientes fica com a mostra e as construtoras entram como patrocinadores. “É vantajoso mostrar nosso produto com a preocupação da estética e do design”, diz Marcelo Gomes, diretor do Pedra Branca. No caso do Jazz Club, a WOA preferiu montar o espaço com arquitetos escolhidos pela própria empresa, o que aumentou os custos, mas garantiu maior domínio sobre o resultado final.

Ter profissionais diferentes trabalhando em cada ambiente pode ser um problema para as construtoras quando a questão é a identidade do empreendimento. “Às vezes, eles não conseguem atender o estilo que buscamos”, pondera Dalton Andrade, que representa a ACCR. Apesar da ressalva, o decorado do Água Viva ficou nas mãos da equipe da mostra. Ao aliar os princípios de um evento de decoração ao setor imobiliário, sintonia é fundamental.

A estratégia em números

Na edição 2010 da Casa Nova, o Pedra Branca participou apenas com uma maquete do condomínio Pátio das Pedras e percebeu que era possível fazer uma boa captação de clientes dentro da mostra. Nesse ano, investiram mais pesado, com dois decorados, de duas e de três suítes. “Quisemos aproveitar o fluxo de visitantes e convidar as pessoas para conhecer não apenas o condomínio, mas também o conceito da Cidade Pedra Branca”, explica Renato Ramos, gerente de marketing do grupo. Em 20 dias de mostra, eles fizeram mais de 250 atendimentos e receberam de 30 a 60 pessoas por final de semana no showroom montado no local da obra. “Observamos que as pessoas estavam vindo da mostra”, completa Ramos.

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Para um empreendimento que não conta com seu próprio showroom, caso do Jazz Club, a parceria com a Casa Nova foi essencial. No local da obra não há espaço para construir um apartamento modelo e, segundo Sabrina Petermann, gerente de marketing da WOA, não compensa esperar para decorar uma unidade real. Por isso, a participação no evento de decoração fez diferença. “Percebemos que o corretor convidava os clientes para irem direto para a mostra, pois sabe que o decorado é importante nas vendas”, completa Sabrina.

O decorado da WOA foi o canal de captação de clientes mais eficiente: 70% dos atendimentos foram feitos no evento e 30% no plantão de vendas. Quando o assunto é fechar negócios, a proporção ficou um pouco menor, mas ainda favorável à estratégia. “Neste mês [outubro], 60% dos negócios foram gerados na mostra e 40% no plantão de vendas”, contabiliza Patrícia Hartmann, gerente comercial da WOA.

A imobiliária Dalton Andrade e a ACCR vêm estreitando a parceria com a Casa Nova. Nas duas primeiras edições com esse perfil, a construtora expôs um decorado do Porto do Itacorubi e, depois, do condomínio Águas Claras. Em 2009, fecharam mais de 10 negócios e, em 2010, 1800 clientes foram cadastrados. Até meados da edição deste ano, cinco clientes saíram da mostra com contrato assinado com a ACCR, de um total de 600 atendimentos. O resultado foi um pouco abaixo do esperado, comparado aos outros anos, mas ainda vantajoso, na visão de Andrade. “Quando você vai para a mostra, pode ainda contar com os negócios que surgem mesmo depois que o evento termina.”

“Estar na mostra é estar na mídia”

O Água Viva deve continuar se beneficiando de um decorado como ferramenta de venda a partir deste mês, quando um dos apartamentos da própria obra será montado. Segundo Andrade, exigirá um investimento menor e terá vida útil mais longa, auxiliando no trabalho dos corretores. E todos os móveis e revestimentos adquiridos serão vendidos com a unidade, garantindo retorno do capital. Então, será que investir num decorado com vida útil curta realmente compensa?

Para a gerente de marketing da WOA, é difícil comparar as duas estratégias. O decorado do Jazz Club não nasceu de uma escolha entre expô-lo numa mostra ou no local da obra. Mas ela não tem dúvidas, assim como Andrade, de que o investimento na Casa Nova valeu a pena pela visibilidade que o empreendimento ganha. “Estar na mostra é estar na mídia”, finaliza Sabrina.

 

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