O diário de viagem de Guilherme Wisnik no Rio de Janeiro

Em viagem ao Rio de Janeiro, os curadores da Bienal de Arquitetura de São Paulo, que discutirá o espaço urbano, passaram por edifícios e lugares simbólicos

Por Guilherme Wisnik Atualizado em 20 dez 2016, 22h34 - Publicado em 9 ago 2013, 21h22
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“Como curador geral da 10ª Bienal de Arquitetura de São Paulo, que ocorrerá entre outubro e novembro, chamei Ligia Nobre e Ana Luiza Nobre para trabalhar comigo. Ana Luiza, que mora no Rio de Janeiro, nos convidou a visitar a Cidade Maravilhosa sob um ângulo novo. Percorremos as inúmeras obras no centro e lugares importantes da zona norte: o Complexo do Alemão, o Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara (Cadeg), o Piscinão de Ramos e o Complexo da Maré. Nossa preocupação é o cruzamento entre os modos de se fazer cidade, isto é, o desenho dos arquitetos e dos urbanistas, assim como as forças políticas e econômicas que realizam obras concretas, e as várias práticas cotidianas da população ligadas ao uso e à informalidade. Estamos convencidos de que não é possível pensar a cidade contemporânea sem se ater ao binômio fazer/usar. Se em São Paulo a vitalidade recente parece estar do lado do uso (Virada Cultural, Parque Minhocão etc.), no Rio, em virtude dos Jogos Olímpicos, há uma grande efervescência construtiva. No entanto, pouco se sabe a respeito dessas obras. Da cobertura avarandada do Museu de Arte do Rio, recentemente inaugurado na Praça Mauá, vimos um buraco imenso no chão. Em volta, tapumes, escavadeiras e gruas por toda parte. O simpático segurança do canteiro de obras informa que estão construindo um túnel para substituir o tráfego da via perimetral, que será demolida. Nem a população nem os arquitetos parecem saber qual a extensão e a natureza das obras para além do que se subentende nas imagens renderizadas dos vídeos promocionais, que mudam rapidamente diante de nossos olhos. Que novo Rio está em gestação? Mais que responder a essa dúvida, a bienal quer fomentar a capacidade de questionar, estimulando o ativismo urbano.”

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A exposição O Rio de Hoje, do fotógrafo André Nazareth, poderá ser vista no Hotel Pullman, em São Paulo, entre os dias 15 e 18 de agosto, como parte do Design Weekend.

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