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Meditação com o som primordial

Essa vertente de origem védica é ancorada na vibração sonora emitida pelo Universo no local e instante exato do nosso nascimento

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Podemos não nos lembrar, mas, no momento em que cada um de nós aportou neste mundo, o Universo emitia um som. Essa informação sonora, decodificada e compilada por sábios védicos, na Índia, há 5 mil anos, serve de base para a meditação com o som primordial (MSP). “A vibração, que nada mais é que um mantra, tem a capacidade de levar a consciência de volta ao nível não manifesto de onde o espírito veio antes de nascer como ser material”, explica a ginecologista-obstetra Bernadete Nonnenmacher, professora certificada pelo Chopra Center University e diretora do Centro Saúde Perfeita, em Porto Alegre. O regresso à matriz primordial, ela afirma, tem poder de cura. “Trata-se de restabelecer a ligação com o nosso verdadeiro eu, desapegado da matéria, do tempo e do espaço”, complementa. O método milenar foi revisado e atualizado pelos doutores Deepak Chopra e David Simon, fundadores do Chopra Center University, nos Estados Unidos, de forma que pudesse ser facilmente praticado no mundo atual. “O som atrai a mente e a leva, sem esforço, a níveis mais sutis do processo de pensar, até qualquer pensamento ficar para trás. Nesse ponto dizemos que a mente transcendeu. Uma vez exposta a sua natureza mais profunda, ela está realmente aprendendo a curar-se”, escreve o médico indiano na obra Saúde Perfeita (Viva Livros). Para ele, é fundamental preservar a sutileza do processo. “Meditar não significa forçar a mente a ficar quieta, mas encontrar a quietude que já existe nela.” O complexo voltado para a saúde integral, alinhado à ancestral medicina indiana, o ayurveda, abriga um banco de mantras formado com base nos registros encontrados nas escrituras védicas. “Os sábios indianos do passado escutaram os sons da natureza durante meses e perceberam que eles se repetiam em ciclos”, esclarece a professora. Assim surgiu o “catálogo”. Cabe ao instrutor credenciado pelo Chopra Center – existem cerca de mil profissionais, de várias nacionalidades, certificados pela entidade – fazer os cálculos matemáticos astrológicos, que levam em conta a posição da Lua no momento do nascimento, e, na sequência, indicar o mantra que norteará a imersão individual. Esses mantras pessoais são compostos de dois sons comuns: Om e Namah e, entre eles, o som primordial de cada um (formado por letras que representam a vibração individual, mas sem significado).

A prática é bem simples. Basta se sentar confortavelmente, de olhos fechados, e mentalizar o mantra primordial por cerca de 20 minutos, duas vezes ao dia. A repetição desse som auxilia a reduzir o estresse mental e físico e, em contrapartida, a aumentar a criatividade e a produtividade. “Quando saímos da meditação, trazemos um pouco daquele silêncio e daquela paz para o dia a dia e também nos tornamos escolhedores conscientes dos nossos pensamentos e respostas às mais diferentes situações que a vida nos apresenta”, assegura Bernadete. O discernimento aflorado, ela diz, afeta desde os relacionamentos até a dieta. De dentro para fora, nos tornamos mais tolerantes e compassivos, além de responsáveis pelo autocuidado. Desde 2012, a advogada Clarissa Madruga, de Porto Alegre, tem sentido no cotidiano os efeitos da meditação com o som primordial. “Pratico de 20 a 25 minutos no final do dia. Aproveito esse intervalo para parar e escutar minha voz interior”, conta. As transformações, segundo ela, abundam. “Menos ansiedade,mais concentração, uma maneira otimista de ver a vida e, principalmente, uma dose de resiliência diante dos problemas.”A psicóloga transpessoal e professora certificada pelo Chopra Center University Lia Beatriz Fleck, também residente na capital gaúcha, se beneficia da modalidade há dez anos. Adepta da ioga, dispunha de força física, entretanto, faltava-lhe a disciplina da mente. “A prática da meditação me ajuda a responder às dificuldades da vida em vez de reagir a elas. Por meio da ferramenta que é o mantra, disciplinamos a torrente constante de pensamentos, observando-os e não sendo mais submetidos a eles”, revela. Para ela, o grande tesouro é perceber que o bem-estar brota nas profundezas. “Não necessitamos de distrações e estímulos externos para nos sentirmos felizes”, garante.

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