Lourenço Gimenes descreve a obra do japonês Sou Fujimoto

Assinada por Sou Fujimoto, a instalação Serpentine Gallery, em Londres, reflete a beleza e a simplicidade das ideias do arquiteto japonês

Por Por Lourenço Gimenes, sócio do FGMF Arquitetos Atualizado em 20 dez 2016, 21h32 - Publicado em 9 set 2013, 19h21
01-lourenco-gimenes-descreve-a-obra-do-japones-sou-fujimoto 02-lourenco-gimenes-descreve-a-obra-do-japones-sou-fujimoto

Um dos maiores expoentes da cena contemporânea, Sou Fujimoto aproveitou o período de vacas magras no início da carreira para filosofar a respeito de seu ofício. Suas reflexões foram consolidadas num manifesto de 20 pontos fundamentais, publicados com o título de Futuro Primitivo. Hoje, servem de plataforma conceitual a todos os seus projetos. O mote principal são os aspectos sensoriais do espaço, que se sobrepõem à tecnologia e à própria construção. Entre suas obras recentes, o pavilhão temporário da Serpentine Gallery, em Londres, evidencia o pensamento do arquiteto, que reencontrei em viagem à capital inglesa. Os britânicos são conhecidos pelo paisagismo despojado. Para dialogar com ele, Sou estabeleceu uma lógica rígida, porém simples: repetidos obsessivamente, módulos (40 x 40 cm) de finos tubos metálicos constituem o elemento protagonista da intervenção de 350 m2. Ela se assemelha a uma grande nuvem, um objeto que, ao mesmo tempo que é formal na geometria, é orgânico como o parque, diáfano como a copa das árvores e livre como a névoa londrina. As barras de metal parecem indissociáveis do cenário que as acolhe, como se o natural e o artificial se fundissem para constituir um novo conjunto. Não é possível ler com precisão os limites físicos, que parecem mudar a cada passo do observador, mas sua mensagem é simples e direta. E essa é uma característica dos trabalhos desse profissional, que lidam com questões perenes da arquitetura, apelidadas por ele de “primitivas”.

Publicidade