Dia do voluntariado: histórias de quem faz a diferença

Conheça o trabalho de voluntários da Ong Teto, que constroem casas em áreas carentes, e da AACD, associação que trata de pacientes com deficiências

Por Marcel Verrumo Atualizado em 20 dez 2016, 19h31 - Publicado em 28 ago 2013, 20h25

Na Páscoa de 2011, o assistente de mídias digitais Pedro Oliveira foi convidado para trocar o almoço dominical com a família por um final de semana na ONG Teto. Em um final de semana, Pedro e o grupo, na maioria estudantes, construíram moradias pré-moldadas para pessoas que viviam em regiões de extrema pobreza de São Paulo. A experiência abalou Pedro a ponto de fazê-lo ingressar no grupo e começar a praticar o trabalho voluntário. Por ser graduado em Marketing, além de participar da construção das moradias na ONG Teto, Pedro começou a trabalhar na equipe de comunicação, primeiro como coordenador de mídias digitais e, depois, como Diretor.

ong teto

No Brasil, segundo pesquisa do Ibope Inteligência e da Rede Brasil Voluntário, 25% da população declara fazer um tipo de atividade voluntária. A maior parte é de mulheres (59%), tem em média 39 anos e são da classe C (43%) ou A e B (40%). Em média, o voluntário brasileiro dedica 4,6 horas por mês a esse tipo de atividade.

Na ONG Teto, criada em 1997 no Chile e expandida para outros países da América Latina a partir de 2001, chegando ao Brasil e 2007 , o voluntariado une-se para construir moradias para famílias que vivem em situação de extrema pobreza e não têm acesso a um dos três itens básicos (água, luz e saneamento básico). As atividades que os voluntários realizam são semelhantes em todos os países: após mapearem as regiões precárias e arrecadarem a verba necessária para a construção de moradias, os membros, em um constante diálogo com a população, estabelecem o plano de ação para reconstruir a área (elegem as famílias que serão beneficiadas e quando a ação ocorrerá, além de já planejam ações para serem realizadas em longo prazo).

Como todo o trabalho é feito em apenas um final de semana, rapidez e praticidade precisam ser a marca do trabalho. De módulos pré-moldados, a construção padrão tem 18m2 e não possui divisórias, nem banheiro. Pedro explica que os estudantes negociam com as famílias para que elas fiquem responsáveis por construí-los em seguidas.

O amor cura…

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… ou, quando não cura, minimiza a dor. É o que indica a experiência de duas voluntárias da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), Maria Bernadete Palma Marques da Silva e Regina Camargo. Maria Bernadete e Regina são protagonistas de histórias que se cruza em vários momentos: ambas são mães de filhas com necessidades especiais, abandonaram suas antigas profissões (o Direito e a Administração de empresas, respectivamente) para se dedicarem à maternidade e confessam que o voluntariado transformou suas vidas.

Maria Bernadete, voluntária e Presidente do Voluntariado da AACD, é mãe de Izabella, uma mulher com 20 anos que nasceu com Mielomeningocele, má formação da medula espinhal que causa complicações da altura da lesão para baixo. Diante da doença da filha, a advogada conheceu o trabalho da AACD e, além de levar a menina para se tratar lá (hoje, ela já passou por 30 cirurgias), se inscreveu para ser voluntária na recepção do ambulatório. Após duas décadas e já tendo passado por vários setores da instituição, ela foi eleita Presidente do Voluntariado no início deste ano. “Cada um de nós tem uma motivação diferente para fazer o trabalho voluntário. Quando você descobre sua motivação, você encontra a sensação de pertencer a alguma coisa”, afirma.

Bernadete e Izabelle - AACD

No cargo que ocupa atualmente, Bernadete gerencia uma equipe de mais de 1600 voluntários que trabalham na instituição. Entre as atividades realizadas por voluntários na AACD estão o apoio aos diversos profissionais que realizam terapias na associação, acolhimento a pacientes e a suas famílias, auxílio administrativo, organização de eventos e captação de recursos. Bernadete conta, no entanto, que novos voluntários sempre são bem-vindos.

Regina Camargo ingressou na Associação há um ano, também após dar a luz a uma menina que, por nascer prematura, teve uma paralisia cerebral que enfraqueceu os músculos inferiores do corpo. Por ter trabalhado mais de 20 anos gerindo equipes em grandes multinacionais, Regina entrou em uma área de coordenação de equipes e projetos. “Quando você tem uma criança especial, você tem uma transformação boa em sua vida. Eu sempre fui muito positiva na minha vida, mas o fato de eu estar lá me fez ser mais otimista, ao acompanhar a evolução dos pacientes”, ela confessa e convida todos a doarem um tempo e a se voluntariarem.

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