Alto de Pinheiros: vista para o verde

Empreendimentos de alto luxo concentram-se nas imediações do Parque Villa Lobos. Aqui, as restrições na lei de zoneamento garantem a vista para a natureza - essa certeza, porém, custa caro

Por Redação Atualizado em 14 dez 2016, 10h38 - Publicado em 10 nov 2006, 17h02

Na média, o paulistano dispõe de apenas 4 m² de verde, mas os moradores dessa área desfrutam de 13,22 m². Cada terreno no local é uma preciosidade. “Paga-se mais pela vista do que pelo imóvel. É como morar de frente para o mar”, compara Rogério Santos, diretor de Planejamento e Marketing da Abyara. Em valores absolutos, o m² de um apartamento ao lado do Parque Villa Lobos, aberto em 1994, chega a R$ 6 mil. A vinda do Shopping Villa Lobos também movimentou a região, somando-se ao comércio instalado nas avenidas Diógenes Ribeiro de Lima, São Guálter e na praça Panamericana. Os moradores, muitos deles com filhos estudando no Colégio Santa Cruz, reclamam das investidas imobiliárias. “Se prédios começam a surgir, daqui a pouco tudo isso vira concreto”, preocupa-se Déborah Zilber, do movimento dos moradores pela preservação do bairro. A lei de zoneamento, no entanto, impede o avanço dos espigões. “Já há escassez de terrenos para erguer prédios”, constata Romeu Busarello, da construtora Tecnisa. A maioria das terras do distrito do Alto de Pinheiros foi adquirida em 1925 pela Cia. City. Mas o processo de urbanização consolidou-se somente no início da década de 1960 com a construção da avenida Pedroso de Morais e a chegada do Colégio Santa Cruz, que fica na av. Arruda Botelho. Na época, o anúncio da venda dos lotes já seduzia corações e mentes com slogans do tipo “More na cidade com a qualidade de vida do campo”. O tempo passou, e o perfil do bairro pouco se alterou.

 

Positivos

Área verde

Boas escolas

Facilidade de acesso

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Negativo

Imóveis com preços elevados

“A região nutre nossa saúde física e mental”

 

O empresário Ricardo Bressiane e sua mulher, Teresa, conheceram-se e casaram-se no Alto de Pinheiros. Depois de morar alguns anos fora do bairro, concluíram que a felicidade estava aqui. Assim, compraram um apartamento num condomínio de prédios baixos em frente ao Parque Villa Lobos. “Não tem lugar melhor. O verde refresca a alma”, diz Ricardo. A vinda do shopping completou o prazer do casal com os dois filhos. “Há ótimas lojas e salas de cinema. Não precisamos sair daqui para nada”, fala Teresa.

Famílias de diferentes regiões da cidade migram para o Alto de Pinheiros. O bairro acolhe casais com filhos e renda familiar superior a R$20 mil, em geral com idade média acima de 40 anos, que procuram o conforto de morar em imóveis de altíssimo padrão, em meio ao verde, numa área de fácil acesso e serviços de qualidade. Os moradores têm consciência desse privilégio e procuram preservá-lo. Não por acaso, a Sociedade Amigos do Alto de Pinheiros – Saap é conhecida por ser uma das organizações de bairro mais atuantes da cidade.

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