Duas perguntas para os vencedores do Pritzker 2017

Reconhecido com a maior honraria da arquitetura internacional, o trio catalão do escritório RCR Arquitectes flerta com o tempo e o espaço em seus projetos

Por Marília Medrado Atualizado em 9 set 2021, 13h05 - Publicado em 20 abr 2017, 13h19

Da pequena Olot, cidade da região da Catalunha, os arquitetos Rafael Aranda, Carme Pigem e Ramon Vilalta (acima, da esquerda para a direita), do escritório RCR Arquitectes, agora lidam com a projeção mundial. Curiosamente, estar aqui e em toda parte é uma das qualidades que justificaram a eleição do trio para o Oscar da área.

Uma fundição do início do século 20 acomoda o escritório dos arquitetos, endereço batizado de Barberí Laboratory. A intervenção dos materiais contemporâneos contrastantes somente onde necessário enfatiza o convívio harmônico entre novo e antigo. Divulgação/Hisao Suzuki

“O que os diferencia é a capacidade de criar edifícios e lugares ao mesmo tempo locais e universais”, afirmou a nota do júri. Tal habilidade, embasada no uso de estruturas e acabamentos modernos, concretiza-se em projetos públicos e privados integrados à paisagem e gentis com a história da região, todos traçados em prol da comunidade.

O Soulages Museum, em Rodez, na França, abriga o trabalho do pintor de arte abstrata Pierre Soulages. A fachada de aço com formas robustas em balanço parece desafiar a gravidade. Divulgação/Hisao Suzuki

“Eles entendem que a arquitetura e seus arredores estão intimamente interligados e sabem que a escolha dos materiais e a arte da construção são ferramentas poderosas para criar locais duradouros e significativos”, defendeu a comissão. Por e-mail, a arquiteta Carme Pigem conversou com a revista ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO. Confira!

Como se dá a relação dos trabalhos de vocês com o entorno?
Os projetos se abrem e oferecem vazios para que a natureza os penetre, fundindo construção e paisagem em uma nova unidade.

Quais os desafios e o papel da arquitetura em cidades cada vez mais complexas?
Rasgar os centros urbanos para que a natureza os transpasse, permitindo que eles e seus habitantes possam assim respirar. Desde sempre, a arquitetura está a serviço das pessoas e suas emoções. Devemos preparar lugares para o bem-estar delas. Um projeto relevante nos dias de hoje é aquele capaz de despertar emoções em seus usuários, buscando ir além do construído em favor da natureza, entendida em um sentido amplo: não só verde e árvores, mas também céu e espaço.

A comunidade que irá habitar a construção é a principal preocupação dos arquitetos. A intenção torna-se clara nesta escola de recreação infantil em Besalú, Girona: tubos com as cores do arco-íris definem o exterior da instituição, instigando a criatividade e a fantasia. Divulgação/Hisao Suzuki

Para conhecer mais o trabalho do trio, acesse www.pritzkerprize.com.

Continua após a publicidade

Publicidade