7 projetos que apostam em materiais em estado bruto
Saber lidar com os materiais em seu estado mais cru pode ser uma virtude da arquitetura – como se o capricho do desenho permitisse dispensar o excesso de acabamentos.
Por Por Deborah Apsan (visual) e Silvia Gomez (texto) Fotos Eduardo Pozella
23 out 2013, 17h25 | Atualizado em 19 jan 2017, 13h53
1/7 ESTRUTURA EXPOSTA. O casarão dos anos 40 viu seu passado revelado após a intervenção encomendada ao FGMF Arquitetos. Lixadas, as paredes agora exibem os tijolos com que foram construídas. Já a escada perdeu os acabamentos até restar sua silhueta escultural de concreto. Nas laterais, ilhas com rachão de granito sugerem que o visitante siga o caminho de resina de poliuretano, com 90 cm de largura. “O percurso imaculado cria um contraste com o visual de demolição em volta. Essa proposta cenográfica foi possível por se tratar de um ambiente comercial. Mas vale também para uma residência, desde que com mais parcimônia e a mistura de materiais novos”, explica Fernando Forte, um dos sócios do escritório. (Eduardo Pozella/Casa.com.br)
2/7 FORÇA EM BLOCO. Uma vez erguida a estrutura da casa, não houve mais necessidade de qualquer tipo de acabamento: até mesmo no interior as paredes periféricas exibem seus blocos de concreto originais, de 20 x 40 cm e altura de 20 cm. “Gosto de aproveitar a qualidade do material, sem esconder ou remendar. Se está bemfeito, por que não ficar à vista?”, questiona o arquiteto Cesar Shundi Iwamizu, autor da obra. Para ele, assumir o estado cru de um revestimento requer mais elaboração. “Aqui, especifiquei com minúcia a montagem dos blocos, para gerar menos cortes.” Repare ainda como as placas de 80 x 80 cm do piso, também de concreto, acompanham a modulação da parede. (Eduardo Pozella/Casa.com.br)
3/7 CHAPISCO CHIQUE. Lá em cima, um rasgo de vidro de 30 cm de altura deixa passar a iluminação natural que realça o aspecto rugoso do teto inclinado desta casa, assinada pelo arquiteto Vasco Lopes. “O próprio ângulo da laje ajuda a ressaltar esse efeito da luz sobre a superfície de chapisco grosso, mistura de areia, cimento e brita número 1”, diz Vasco. Também da comparação com a parede lisa nasce a força visual desse revestimento tão simples, um hit da construção civil. “A vantagem desse tipo de acabamento é não depender de modismos: passa pelo tempo sem cansar.” A única intervenção foi a pintura com tinta látex branca. “Prefira um rolo de pelo longo para preencher as irregularidades.” Obra executada pela SBN Engenharia. (Eduardo Pozella/Casa.com.br)
4/7 CONCRETO À VISTA. A parede na lateral da escada é uma das faces do volume de concreto armado que integra o desenho desta casa, assinada pelo arquiteto Frederico Zanelato. Embaixo, ele encerra o lavabo. Em cima, outro banheiro e a caixa-d’água. “O concreto resolveu tanto a questão estrutural como a de acabamento: outro material não me daria a mesma possibilidade”, justifica Frederico, que se inspirou no brutalismo, vertente do modernismo de meados do século 20 representada por nomes como Paulo Mendes da Rocha. “A ideia de assumir a construção sem subterfúgios me encanta.” Até os buracos resultantes dos vazios na forma de madeira permaneceram. “É como na vida, um exercício de aceitar as imperfeições.” (Eduardo Pozella /Casa.com.br)
5/7 DÁ-LHE TIJOLO BAIANO. Pelo preço acessível e pelas virtudes – as ranhuras do contorno facilitam a aderência da argamassa e os furos no meio diminuem seu peso ao passo que aumentam o isolamento térmico da parede – o tijolo baiano caiu no gosto popular. “É o tipo mais comum, meio vira-lata mesmo. Mas era justamente o que buscávamos para a fachada desta galeria: um olhar novo e provocador, que se tornasse marcante pela repetição”, afirma o arquiteto Marcelo Alvarenga, autor da reforma ao lado de Felipe Hess. As peças foram assentadas como elementos vazados à frente da casa. “Assim, temos uma área de 10 x 8 m que deixa a luz passar e camufla as janelas originais, por trás.” (Eduardo Pozella/Casa.com.br)
6/7 PEDRA SOBRE PEDRA. Três tipos de rocha sem nenhum polimento forram este muro de 2,40 m de altura na área externa da casa do arquiteto Carlos Verna: arenito, miracema e pedra são tomé. “Foram assentadas de forma artesanal, encaixadas umas sobre as outras sem rejunte. Para a sustentação, contam com a ajuda de uma camada de argamassa aplicada no paredão de alvenaria por trás”, explica Carlos. As pedras chegaram já cortadas à obra, onde fizemos os acertos no processo de montagem. “Gosto de combinar materiais brutos como nesta área, que ainda tem concreto e madeira ao redor da piscina. Quando é bem elaborada, a solução dispensa disfarces e revestimentos.” (Eduardo Pozella/Casa.com.br)
7/7 OSB, POR QUE NÃO? Muito usadas nos Estados Unidos, as placas de OSB geralmente ficam escondidas, compondo parte da estrutura de construções secas. Também podem ser vistas em tapumes e formas de obras. Sua aparência única se dá pela junção das lascas de madeiras de reflorestamento como o pínus, coladas com resinas e prensadas. “Queríamos um material sustentável com visual inusitado para a estante, de 7,70 m de comprimento. A superfície rústica foi lixada e finalizada com seladora acetinada”, detalha o arquiteto Rodrigo Costa, autor do projeto com Alessandra Marques. O contraste com os nichos laqueados só faz ressaltar o desenho irregular dos painéis, fixados à frente de uma base de compensado. (Eduardo Pozella/Casa.com.br)