Casa em Brasília teve projeto pautado pelo modernismo
Esta casa de condomínio segue os preceitos da arquitetura moderna, adotados também nas outras moradias do conjunto
Por Cristina Bava e Vera Barrero Fotos: Eduardo Pozella
[img0]Em 1970, Brasília ainda era uma cidade em construção, com um quarto da população atual e estradas precárias ligando-a ao restante do país. Como muitas famílias faziam então, a do arquiteto Paulo Henrique Paranhos, também aportou ali para começar uma nova vida. Dez anos atrás ele encontrou esta chácara no Lago Sul. O terreno foi comprado e fracionado entre Paulo, a sogra e os irmãos, que construíram para si um condomínio de três casas. Uma parte da área, com cerca de 1 600 m², permaneceu livre até 2006, quando uma vizinha que vivia num imóvel alugado a arrematou. O projeto da casa ficou a cargo de Paulo: “Os donos compartilhavam a ideia de manter a arquitetura moderna, que diferencia o conjunto”, explica o profissional. A construção foi tocada em um ano pelo engenheiro Fábio Costa. Seu xará, Fábio Cesar Camargo, executou o paisagismo demarca de forma sutil as áreas que precisam de privacidade. Se você procura por casas grandes, não deixe de ver outros projetos com mais de 300 m².
Na varanda dos fundos, destaca-se o painel de azulejos (Azularte) do artista Ralph Gehre – mato-grossense radicado em Brasília e adepto do trabalho do mestre Athos Bulcão (1918-2008). “A forma de construção inspira-se no trabalho dele, mas criei uma paleta de cores própria”, conta. Moradores e arquiteto escolheram tons de verde que se aproximam do paisagismo.
As construções do condomínio se abrem para um cartão-postal de Brasília – a escultural ponte JK, obra de Alexandre Chan inaugurada em 2002.
Quem chega pela entrada social encontra esta sala de estar integrada à de jantar e ao terraço dos fundos. As poltronas e a mesa lateral são da Hill House. Painéis de vidro deixam ver o corredor de acesso externo, ajardinado.
O paisagismo também está presente na cozinha: um jardim descoberto traz luz ao ambiente, que conta com bancada de Silestone e armários da Kitchens.
Da galeria dos quartos, no superior, é possível observar os atrativos da casa: jogos de luz e sombra, transparências e formas esculturais, como a da escada de concreto – chumbada na fundação e na laje do segundo piso.
O teto sobre o corredor social é coberto por vidro laminado 10 mm preso a uma estrutura de alumínio.
O cenário claro destaca a chaise longue Rio, de Oscar Niemeyer, e a mesa de Isamu Noguchi (Cartoon).
Por dentro, vidro temperado. Por fora, brise metálico do tipo colmeia (Refax). Aplicado na fachada, esse elemento permite filtrar a luz e controlar a visão do interior. Um caminho de mosaico português conduz à porta de entrada.
A cobertura desenhada pelo arquiteto é uma atração a qualquer hora. Telhas metálicas pré-pintadas com isolamento termoacústico (Metalúrgica Barra do Paraí) são sustentadas por uma estrutura do mesmo material (Gradebrás), solta da edificação e apoiada em pilaretes metálicos de 50 cm de altura. Isso cria um colchão de ar que areja o interior.
À noite, lâmpadas fluorescentes amarelas, alinhadas ao longo de 30 m, evidenciam suas linhas. Esquadrias Alutec.
A casa desta reportagem fica no ponto mais alto do terreno e divide-se em dois pisos. No térreo – além de ala social, cozinha e uma varanda voltada para a área comum –, há um bloco destinado ao setor de serviço. Em cima, os quartos.