Vidro na casa toda: saiba escolher o tipo correto para cada uso

Graças aos avanços tecnológicos, ele não para de mostrar sua versatilidade e eficiência em fachadas, paredes e pisos.

Por Edson Medeiros, Lucila Vigneron Villaça e Piero Rossini (assistente) Fotos: André Fortes (produtos)

* Preços sugeridos pelos fabricantes e beneficiadores pesquisados em novembro de 2010 em São Paulo.

A nova geração de vidros de controle solar é a grande aposta dos fabricantes do setor para movimentar ainda mais um mercado que cresceu significativamente em 2010, embalado pelo boom da construção civil no país. Os dados da Associação Brasileira de Distribuidores e Processadores de Vidro Plano (Abravidro) confirmam as boas-novas, já que a expectativa de crescimento para 2010 é de 10 a 12%. Mas o bom momento não se deve somente às grandes construções. A área envidraçada nas fachadas e coberturas das casas está cada vez maior. Nossas pesquisas mostram que o uso do vidro em residências cresceu 30% nos últimos dois anos, fala Carlos Henrique Mattar, gerente de mercado da Cebrace. Um aumento plenamente justificado pelos modelos de controle solar seletivos, que além de transparentes estão mais adaptados às nossas condições climáticas. Como podem ser combinados para obter diferentes índices de transmissão de luz e calor, eles contribuem para a eficiência energética das construções, diz o arquiteto paulistano Paulo Duarte, especialista em envoltórios de edifícios.

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O cubo hexaedro assinado por Fernando Brandão para a mostra Casa Cor Trio, e...
O cubo hexaedro assinado por Fernando Brandão para a mostra Casa Cor Trio, em São Paulo, tem estrutura de aço e fechamento com placas de vidro de controle solar seletivo laminadas (Eco-Lite, da Cebrace). Para fixá-las, o arquiteto usou um sistema novo, o Flexiglass (T2G) com leds. Feito de polimetilmetacrilato (resina que se solidifica e é totalmente transparente).

Controle solar

Pode-se dizer que os vidros espelhados foram a primeira geração de modelos com controle solar, pois eles barravam o calor, só que também impediam a passagem da luz, representando um gasto maior com energia elétrica, diz Paulo Duarte. Além disso, a aparência dos espelhados ficou muito associada a edifícios corporativos, o que não é atraente para o mercado residencial. Em casa, as pessoas querem visibilidade e integração com a paisagem, fala Lucien Belmonte, superintendente da Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro). Por isso, a preferência hoje pelos modelos transparentes, que permitem criações de estética ousada e visibilidade total, caso do Espaço X3, criado pelo arquiteto paulista Fernando Brandão para a mostra Casa Cor Trio. O espaço do meu projeto, na arquibancada do Jockey Club de São Paulo, era voltado para a pista de corridas e uma bonita vista da cidade. Por isso, a transparência ali era essencial. Desenhei então um escritório que combina estrutura de aço e fechamento com vidros do tipo seletivo, já que o sol da manhã incide diretamente no local, conta Fernando.

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O banheiro do casal se estendeu sobre a laje da varanda da casa paulistana, n...
O banheiro do casal se estendeu sobre a laje da varanda da casa paulistana, numa reforma comandada pela arquiteta Teresa Simões. “O fechamento com vidros valorizou o ambiente”, diz. Na cobertura, usaram-se placas laminadas de 8 mm de espessura, aparafusadas sobre tubos de alumínio. O encontro entre elas foi preenchido com silicone e leva um acabamento externo de perfil de alumínio. Já a lateral tem vidros temperados, também de 8 mm, que correm num perfil em U aparafusado na alvenaria (execução da Vidro & Cia).

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1. Ideal para coberturas e fachadas, o modelo Bioclean, da Cebrace, te...
1. Ideal para coberturas e fachadas, o modelo Bioclean, da Cebrace, tem propriedades autolimpantes que são ativadas pela incidência de raios UV. A sujeira não se fixa na superfície e é levada pela água da chuva. Com 4 mm de espessura, tem preço médio* de R$ 193 o m². 2. Dez cores básicas de películas coloridas podem ser combinadas para obter vidros laminados em mais de 600 tons. Recomendados para guarda-corpos e coberturas, unem segurança e efeito decorativo. Da Fanavid, a partir de R$ 280 o m² (6 mm). 3. Cool Lite KNT, da Cebrace, é um vidro de controle solar seletivo (6 mm) ótimo para fachadas e coberturas. Disponível nas cores azul, verde e incolor, aqui ele vem laminado com vidro comum (4 mm). Custa cerca de R$ 300 o m². 4. O modelo aramado e impresso tem uma malha de aço em sua massa, o que garante segurança no uso em guarda-corpos e coberturas. Da UBV, é beneficiado pela PKO, e sai por R$ 172 o m² (6 ou 7 mm).

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O uso de vidros U-Glass (Profilit, da T2G) na fachada deste estúdio paulista...
O uso de vidros U-Glass (Profilit, da T2G) na fachada deste estúdio paulistano garante luminosidade e estética arrojada no projeto do arquiteto paulista Arthur Casas. Os vidros em formato de U se encaixam uns nos outros, compondo um sistema de painéis duplos e autoportantes que se insere na abertura da alvenaria.

 

 

Tipos de vidro

 

Monolítico: vidro comum, usado em caixilhos de alumínio.

Temperado: um choque térmico na fabricação o torna cinco vezes mais resistente que o comum. Se quebrar, produz pedaços pequenos e não cortantes.

Laminado: sanduíche de duas ou mais placas de vidro, que leva no miolo uma película de segurança (PVB, EVA ou resina). Se romper, a película retém os pedacinhos.

Aramado: vem com uma malha de aço no meio da massa. É um vidro de segurança (a malha de aço retém os cacos), e também tem função de isolante termoacústico.

Duplo, ou insulado: conjunto de duas folhas separadas por uma camada de ar, que isola ruídos e proporciona conforto térmico.

Refletivo, ou espelhado: reflete a luz e não absorve tanto calor.

Controle solar seletivo: transparente, recebe diferentes camadas de produtos químicos para determinar a quantidade de luz e calor que passará pelas chapas.

Serigrafado: colorido, é impregnado de tinta no forno de têmpera.

Jateado: jatos de areia ou pós abrasivos fazem desenhos opacos na superfície.

Impresso: apresenta relevos e texturas na superfície, feitos no processo de fabricação.

Acidado: submetido a solução ácida, torna-se opaco.

Curvo: moldado a quente em fôrmas a partir de 3 mm de espessura, é feito sob encomenda.

Blindado: as camadas plásticas existentes entre as várias lâminas de vidro amortecem o impacto e oferecem resistência.

Autolimpante: possui uma camada metalizada que tem como principal componente o óxido de titânio. Os raios ultravioleta ativam as propriedades autolimpantes do vidro, não deixando a sujeira fixar na superfície da chapa.

Antirreflexo: passa por um processo que tira o brilho de sua superfície, tornando-se antirreflexo, sem alterar a sua capacidade de transmissão da luz.

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Uma passarela com estrutura de aço e placas de vidro une dois blocos no segu...
Uma passarela com estrutura de aço e placas de vidro une dois blocos no segundo andar desta cobertura carioca. “Usamos vidro para não criar um obstáculo visual ao pé-direito duplo no primeiro pavimento”, conta o arquiteto Hugo Schwartz, da InTown, responsável pelo projeto. Os vidros temperados e laminados (12 mm) apoiam-se em borrachas.

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O beiral do terraço nesta casa no Rio de Janeiro pedia um material transpare...
O beiral do terraço nesta casa no Rio de Janeiro pedia um material transparente para destacar a bela estrutura de aço. Sobre ela, as placas de vidro temperado (8 mm) com película que barra o calor ficam encaixadas e coladas com silicone em perfis soldados nos braços de aço. Projeto do arquiteto Claudio Bernardes (1949-2001), do escritório Bernardes + Jacobsen.

Especificações de usos

Uma das grandes vantagens do vidro é sua versatilidade. Além da aplicação mais comum, em esquadrias, ele serve até como estrutura”, diz o presidente da Abravidro, Wilson Farhat Júnior. Mas, para uma utilização correta e segura, é necessário seguir as especificações da norma 7199 da ABNT, fala a engenheira civil Danila Ferrari, do departamento de engenharia da Fanavid. Guarda-corpos e coberturas, por exemplo, pedem vidros laminados, que são compostos de duas ou mais chapas do material unidas por filmes de segurança. “Outras condições do local, como ventos e diferenças de temperatura, também inf luenciam. Por isso, somente um projeto detalhado pode determinar a espessura e o jeito correto de fixar os vidros, completa Danila. Sacadas e varandas ainda não têm uma norma publicada, mas de qualquer modo devem ser fechadas por algum vidro de segurança, seja laminado ou temperado. Este último tem resistência cinco vezes maior que o vidro comum. Placas temperadas e laminadas são a combinação recomendada para degraus de escada e pisos, que têm espessura e tamanho indicados pela carga, uso e fatores ambientais.

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Os arquitetos Alice Martins e Flávio Butti, de São Paulo, conseguiram um ef...
Os arquitetos Alice Martins e Flávio Butti, de São Paulo, conseguiram um efeito diferente ao revestir parte da parede deste lavabo com vidro serigrafado branco de 10 mm de espessura. “Há um contraste com a alvenaria, pois a pintura branca fica na face de trás da chapa de vidro. A superfície à mostra é lisa e brilhante”, diz Alice. As chapas foram coladas diretamente na parede. A cuba também foi montada com peças de vidro (monolítico comum, 10 mm), unidas com cola a laser (execução Glasset Comércio de Vidros).

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1. Optiview é um vidro com baixo índice de reflexão e alta transmis...
1. Optiview é um vidro com baixo índice de reflexão e alta transmissão luminosa, tornando-se ideal para uso em vitrines e fachadas protegidas do sol. Processado pela PKO, custa R$ 260 o m². 2. Pintado a frio na linha de fabricação, o Coverglass consegue uma reprodução de cores mais fiel e apresenta alto brilho. Disponível em cinco cores, pode ser usado como revestimento, divisórias, portas. Da Cebrace, no tom vermelho-ópera sai por R$ 485 o m², na Divinal. 3. Vidro de 3 ou 4 mm e resina azul compõem o SGG Thela, laminado com vidro comum (4 mm). Recomendado para divisórias, portas e móveis. Fabricado pela Saint-Gobain, custa R$ 90 o m². 4. Microesferas em alto-relevo formam a delicada textura do vidro impresso Master-lens, da Saint-Gobain. Ele pode ser laminado ou temperado para atender a diferentes usos. O incolor de 4 mm sai por R$ 160 o m².

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O guarda-corpo que protege o vão da escada desta casa em Brasília é compos...
O guarda-corpo que protege o vão da escada desta casa em Brasília é composto de chapas de vidro laminado transparentes (12 mm de espessura). O material foi colado com silicone num perfil de alumínio fixado no contrapiso. Projeto do arquiteto paulista Marcio Kogan em parceria com a arquiteta Suzana Glogowski.

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