Uma morada de praia com visual contemporâneo e planta fluida
O interior despojado, a distribuição dos ambientes focada na convivência e a relação com a paisagem denunciam a localização litorânea e a vocação para o lazer.
Por Deborah Apsan e Rosele Martins | Fotos: Salvador Cordaro
Essencialmente identificado com São Paulo e sua linguagem urbana, o arquiteto Arthur Casas tem marcado cada vez mais presença na praia. "Os clientes perceberam que meu trabalho também combina com o litoral. Morada à beira-mar não precisa seguir um estilo caiçara", defende. Num ponto importante, porém, seus projetos diferem conforme aumenta a proximidade da areia. "Em propostas de lazer, a planta resulta mais solta. Não há necessidade de prever um home office, um recanto para as crianças brincarem sem atrapalhar os pais ou uma sala de TV isolada, pois a pedida é justamente estimular o contato entre a família", diz ele. Nesta casa próxima a Paraty, RJ, a receita da integração foi seguida: até mesmo os quartos se conectam ao jardim, por sua vez ligado à área social e à marina do condomínio.
Divulgação
A varanda lateral convida ao bate-papo de fim de tarde. A cobertura combina concreto com um pergolado de madeira e vidro temperado laminado, recurso que a mantém constantemente iluminada.
A piscina foi posicionada na face nordeste portanto brindada com sol desde o amanhecer. A estrutura projetada acima do deck, uma armação metálica (J. Matic) revestida de cumaru, deverá receber um toldo para amenizar o excesso de claridade no quarto do casal (no piso de cima), que aparece atrás do vidro.
Vizinha do deck, a cozinha gourmet com churrasqueira e forno de pizza pré-moldados (Largrill) complementa o lazer depois dos mergulhos. O piso é de limestone mont charmot (Itu Mármores), pedra que se repete em todos os ambientes térreos.
Fachada da frente não dá pista alguma do interior da casa: é composta apenas de um volume de alvenaria pintado de branco e de um portão feito com toras roliças de eucalipto (Alpina Eucaliptos), tratadas com stain (Osmocolor, Montana Química).
Os guarda-corpos trazem uma das marcas registradas de Arthur: o gosto pelos vidros. Aqui, as chapas temperadas laminadas 20 mm (Epros) foram fixadas com silicone em perfis de aço com 9 cm de profundidade, chumbados na laje. As portas das suítes, todas de correr, chegam a 2,30 m de largura. Os grandes vãos colaboram para a integração, diz o arquiteto.
Outros elementos comuns no repertorio de Arthur também são bem-vindos na costa, acredita ele, citando superfícies lisas, vidro e aberturas generosas. Moradia litoranea exige manutenção fácil e ventilação para ninguém perder tempo com limpeza, afirma o arquiteto. Outro fator apontado por ele tem a ver com custo: embora muitos imaginem gastar menos construindo o refugio de lazer, o valor tende a se equiparar com o de um endereço urbano. Isso porque investir em itens como impermeabilização e tratamentos contra a maresia e imperativo.
Abertas, as venezianas de cumaru (Oficina da Marcenaria) integram a varanda lateral ao entorno. Mesmo fechadas, deixam passar a brisa e afastam o risco de mofo, problema comum na praia.
Como a ideia é promover a interação entre os familiares e eventuais convidados, não há recantos isolados ou separação entre áreas social e íntima tanto os quartos quanto as salas de estar e jantar se voltam para o pátio, a varanda e os demais espaços de lazer. A planta se orienta ainda pela declividade do terreno, por isso tem as suítes no nível da rua, próximas à porta de entrada, e a piscina um andar abaixo.