Um refúgio de pau-a-pique

Além de reduzir o transporte de materiais pesados à obra, a opção por paredes de terra contribuiu para o visual de casa caipira, pensada para acolher a família grande nos fins de semana.

Por Eliana Medina e Marianne Wenzel Fotos: Carlos Piratininga Ilustração: Campoy Estúdio

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Generosos beirais, que variam de 1,40 a 2,20 m de largura, contornam a casa t...
Generosos beirais, que variam de 1,40 a 2,20 m de largura, contornam a casa toda, pintada por fora de verde e terracota para se integrar ainda mais à paisagem de São Bento do Sapucaí, SP.

Uma estrada de terra - com subidas íngremes, pontes precárias, barrancos e trechos estreitos - separa o asfalto deste terreno no alto do morro. Locais assim seduzem pelo isolamento e pela vista panorâmica, mas dificultam a logística da obra. "Por isso optei por paredes de terra, que pouparam a vinda de muitos caminhões de material de construção", diz o arquiteto José Ricardo de Carvalho, de São Paulo, que nunca havia utilizado esse método. Ele mostra foto e explica a obra aqui.

A decisão de economizar viagens para a entrega de material revelou-se acertada. "Um fornecedor de areia brigou comigo porque bateu o caminhão num barranco", lembra José Ricardo, que ia à obra toda semana. Mas o pau-a-pique, como qualquer outro método construtivo, requer uma equipe familiarizada com a técnica. "Visitei uma casa na região que também utilizou paredes de terra e pedi referências do mestre-de-obras", conta. Assim entrou em cena Zé Bila, que trabalhou na construção com mais duas pessoas. José Ricardo, ex-professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), não perdeu a oportunidade de treinar e aperfeiçoar a equipe. "Tivemos muitos problemas com os prumos. Eu insistia para que eles medissem e refizessem até acertar", diz o arquiteto, que chegou a mostrar, a título de inspiração, fotos das famosas paredes de pedra do arquiteto americano Frank Lloyd Wright. "Zé Bila ficou impressionado e fez bem os trechos de pedra da fachada. Mas, para algumas paredes internas, usamos blocos de concreto mesmo."

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O piso de garapeira (Madeireira Nossa Senhora de Fátima), presente na sala e...
O piso de garapeira (Madeireira Nossa Senhora de Fátima), presente na sala e nos demais ambientes, emprega réguas de três larguras (10, 20 e 30 cm) e comprimentos variados, instaladas aleatoriamente. Além de criar um efeito interessante, a opção gerou economia.

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Em vez de pedra bruta, opção especificada no projeto, as paredes da lareira...
Em vez de pedra bruta, opção especificada no projeto, as paredes da lareira e do fogão a lenha empregam blocos de concreto. “A equipe teve dificuldade em acertar o prumo da pedra”, conta o arquiteto.

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Nessa versão, quem confere o ar rústico e caipira é a cor. “Vermelho e am...
Nessa versão, quem confere o ar rústico e caipira é a cor. “Vermelho e amarelo, tons típicos da arquitetura tradicional, remetem às casas de fazenda”, diz.

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Embora toda envidraçada e aberta para a paisagem, a sala também passa a sen...
Embora toda envidraçada e aberta para a paisagem, a sala também passa a sensação de acolhimento graças ao pé-direito mais baixo. Pastilhas cerâmicas (Jatobá) revestem os balcões e o piso junto ao fogão a lenha.

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Muitos quartos para acomodar os filhos e netos e uma ampla área social pauta...
Muitos quartos para acomodar os filhos e netos e uma ampla área social pautaram o desenho da planta. O uso das cores – azul, vermelho e amarelo – ajuda a demarcar os ambientes integrados (sala de estar, sala da lareira e cozinha).

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Um título para uma foto sem titulo

Para entender o pau-a-pique

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1. Depois de prontas a fundação e a estrutura, erguida com...
1. Depois de prontas a fundação e a estrutura, erguida com eucalipto tratado, foi a vez de ligar os pontos com o esqueleto de bambu, posteriormente preenchido com terra. As ripas, que dispensam tratamento, estão pregadas em sarrafos verticais de madeira.

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2. Enquanto subia a estrutura das paredes, instalaram-se tam...
2. Enquanto subia a estrutura das paredes, instalaram-se também os conduítes e as tubulações hidráulicas.

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3. Nem sempre o solo disponível no terreno pode dar forma a...
3. Nem sempre o solo disponível no terreno pode dar forma a paredes de pau-a-pique: para o fechamento, a terra mais indicada é a argilosa. Nesta obra, o material foi comprado de um fornecedor próximo.

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4. Fundamental para evitar o acúmulo de transmissores de do...
4. Fundamental para evitar o acúmulo de transmissores de doenças, como o barbeiro, o acabamento merece atenção. “A associação dos insetos com as construções de terra não procede, porque eles também se instalam em buracos na alvenaria”, explica o arquiteto. Em ambos os casos, o que impede sua presença são paredes bem lisinhas. “Aqui, finalizamos com barro desempenado misturado com areia e cal. Depois, pintamos com tinta acrílica”, explica o arquiteto José Ricardo. A obra durou dois anos.

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