Sem mudar radicalmente a distribuição e as formas deste sobrado, a obra atualizou o projeto de 1978. O segredo foi trazer claridade, eleger acabamentos neutros e temperar tudo com pitadas de contemporaneidade.
Por Eliana Medina, Joana L. Baracuhy e Michelle Grein (assistente) Fotos: Eduardo Pozella/Ilustrações: Fabio Flacks
O casarão escuro, com janelas em arco e toldinhos redondos, não conquistou a gemóloga Vanessa e seu marido, o jornalista Fernando, à primeira vista. Mas a visita da arquiteta paulista Paula Souza e de uma junta de experts à ruazinha na zona oeste de São Paulo evidenciou todo o seu potencial. Expliquei que daria para derrubar várias paredes na sala e encher a casa de luz, diz a arquiteta, amiga do casal, contratada para a reforma. Um engenheiro de confiança estimou os gastos. A mãe avaliou tudo com seu reconhecido bom gosto e também consentiu. Era um investimento grande, queria a certeza de fazer um bom negócio, conta Vanessa. Dali para a frente, nos 12 meses de obra, o que se viu foi a parceria desses integrantes, unidos numa verdadeira força-tarefa. Conheça outra reforma que exigiu nove meses força-tarefa.
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A nova fachada traz mais segurança e privacidade aos moradores: agora há um muro e um portão automático de ferro e ipê no lugar das grades. O tom da parede é semelhante ao do aço corten (textura acrílica Terracor Stone, ref. 5766, feita sob encomenda).
Nos fundos, as aberturas eram menores. Agora, portas de correr de cedro-rosa (Casa Prymus), com desenho leve, dão passagem ao sol e aproximam o jardim. As janelas de cima (de angelim, da Sincol) são do tipo sanfonado, que libera completamente o vão.
A arquiteta manteve o desnível da sala de jantar e aterrou o jardim no fundo para facilitar o acesso à área externa. O piso da sala de estar ganhou assoalho de cumaru (20 cm), disposto no sentido longitudinal, que alonga ainda mais o ambiente. A nova lareira se sobressai na parede colorida.
Para economizar espaço, a caixa da lareira fica do lado de fora. É de alvenaria coberta com o mesmo acabamento do muro e da sala, que coloriu também o duto e os coletores de água. O visual do jardim ficou leve com o toldo branco (Toldos Dias) e os beirais cobertos com placas cimentícias (Metalplac) pintadas no tom da fachada (Terracor Stone, ref. 104).
O quarto do casal dobrou de tamanho depois da reforma e agora comporta um closet e uma sala íntima tudo aberto para reforçar a sensação de amplitude. O banheiro da suíte ficou mais claro com o porcelanato (Portobello) aplicado em piso, meia-parede e bancada. Adorei o resultado discreto. O toque de cor vem dos acessórios, diz Vanessa. Porta de correr laqueada de branco semibrilho.
Presente do tio da proprietária, o limestone (Ásia Pedras) dá um algo mais ao hall de entrada, onde cobre o piso e os degraus da escada. Nas paredes, rodateto de gesso pintado de branco e tinta acrílica verde-acinzentada, ref. 2734, também da Terracor.
1 - Com as aberturas na lateral (e não apenas no fundo), a sala de estar recebe o sol intenso da face norte. Demolir as paredes deu trabalho: foi preciso cravar brocas no solo, reforçar o pilar do canto do ambiente e instalar duas vigas metálicas para calçar a laje do teto.2 - A proprietária optou por uma copa-cozinha, que julgou ser mais confortável para o dia-a-dia com criança. O antigo corredor foi incorporado, permitindo alargar o ambiente.3 - Nada de paredes na garagem. Agora se enxerga até os fundos do terreno, o que dá profundidade aos espaços. Esse desejo de eliminar barreiras ao olhar valeu também na sala, no hall e nos jardins, bastante integrados.