Roça chique

Os amigos sentam perto do fogo, contam mentira, bebem bom vinho enquanto observam o chef, um homem que sabe transformar afeto em receitas que aquecem o coração

Divulgação

Mesmo um jantar no sítio pode contar com o requinte de lindas taças de cris...
Mesmo um jantar no sítio pode contar com o requinte de lindas taças de cristal e talheres de prata - tudo da coleção dos moradores.

Toda semana eles fazem tudo sempre igual. Na sexta-feira à noite, o escultor Dan Fialdini, a designer de jóias Cecília Rodrigues e a pequena Nina, 7 anos, entram no carro e zarpam para Cabreúva, a 50 minutos de São Paulo. Chova ou faça sol, é no sítio que a família gosta de restaurar as energias, de preferência na companhia dos amigos. "Aqui a Nina pode ter contato com a natureza, montar a cavalo e observar seus gansos de estimação chocando ovos", diz Dan.

A casa do início do século, de arquitetura simples e decoração charmosa, foi presente do sogro. "Era a moradia de um colono que cuidava de uma antiga plantação de uvas", conta o escultor. As poucas adaptações, feitas ao longo dos anos, revelam o passatempo preferido do casal: "Hoje temos duas salas de jantar, um terraço para o café da manhã, uma grande mesa ao ar livre e duas cozinhas - escolhemos onde vamos preparar a comida de acordo com o humor no dia", brinca Cecília, que já fez cursos de culinária em Nova York e Paris. "Adoramos cozinhar, mas raramente fazemos receitas elaboradas. Na maioria das vezes são pratos rápidos", Dan emenda. Quando os convidados são de casa, a dupla de gourmets põe a mesa na cozinha. O fogão a lenha cuida de aquecer o ambiente e esquentar a conversa. "Nesse ambiente, só se recebem amigos íntimos, que até ajudam se for preciso", conta Cecília.

Divulgação

Porta talheres inventados pela designer de jóias Cecília Rodrigues.
Porta talheres inventados pela designer de jóias Cecília Rodrigues.

Divulgação

A mãe de um morador da região de Cabreúva guardou esse prato por muitos an...
A mãe de um morador da região de Cabreúva guardou esse prato por muitos anos. Seu filho, tempos depois, disponibilizou o jogo de louça e Dan o comprou.

Divulgação

Flores colhidas no canteiro encantam a mesa.
Flores colhidas no canteiro encantam a mesa.

Divulgação

As taça de cristal antigo estão sempre à mão.
As taça de cristal antigo estão sempre à mão.

Dan e Cecília adoram uma coleção. A casa é recheada de copos, pratos, galinhas de louça, cadeiras, todos objetos queridos que contam capítulos da história do casal. "Sabemos onde compramos e quanto custou cada um deles", orgulha-se Cecília. "Mas aqui não fica nada guardado. Usamos tudo, até as mangas de cristal Baccarat que eram da minha mãe. Lá se vão quinze anos e elas estão intactas", comemora Dan.

A decoração da casa é caipira e mantém acabamentos originais: chão de cimento vermelhão, paredes caiadas, basculantes. Mas os novos donos não abrem mão de incluir na rotina seus tesouros. Entre cristais, porcelanas e talheres de prata, os pratos que saem do fogo ficam ainda mais saborosos. Nem por isso o clima das refeições é formal. "Uso a bancada ao lado do fogão como apoio enquanto estou cozinhando. Mas, se a turma se aglomerar a ponto de congestionar o trânsito, aviso aos convidados que eles estão atrapalhando e peço licença. Entre amigos, não tem frescura", ele conta.

Uma das especialidades gastronômicas do casal é a sororoca, peixe de água salgada, assado com limão, azeite e alecrim. Para acompanhar, purês de abóbora e batata-roxa, arrumados lado a lado, colorindo a mesa. Tudo feito a mão, na hora. "A gente prefere picar pessoalmente os temperos. Pedir que um ajudante cuide dessa tarefa tira o sabor do preparo", Dan acredita. "O pior é que a cebola sempre sobra para mim", ele resmunga. Até mesmo a sobremesa pode ser preparada diante dos fregueses. "Costumo grelhar mangas na manteiga temperada com pimenta-branca e cobertas com molho de manteiga e suco de maracujá. Sirvo quente, fica uma delícia." Alguém duvida?

Divulgação

Sororoca com alecrim no forno à lenha.
Sororoca com alecrim no forno à lenha.

Divulgação

´A mesa acomoda 8 pessoas, mas preferimos nos limitar em seis para ficar mai...
´A mesa acomoda 8 pessoas, mas preferimos nos limitar em seis para ficar mais confortável´, diz Dan

Divulgação

Quem recepciona perto do fogão não pode se atrapalhar, sob risco de queimar...
Quem recepciona perto do fogão não pode se atrapalhar, sob risco de queimar a comida. Dan organiza cada etapa. Começa com o preparo dos ingredientes: pica condimentos, descasca legumes e põe as panelas no fogo antes que os convivas se sentem. O peixe, previamente limpo, ganha temperos e vai para o forno. Essa é a melhor hora para arrumar a mesa sem pressa. “Quem recebe na cozinha não pode fazer receitas complicadas”, diz. Terminado o jantar, todos dão uma mãozinha e recolhem as louças – um voluntário se encarrega de organizar a pia e evitar bagunça. Assim, o gourmet fica livre para voltar ao fogão e cuidar da sobremesa.

Divulgação

O sol vai se pondo e Dan prepara sua recepção à luz de velas.
O sol vai se pondo e Dan prepara sua recepção à luz de velas.

Curta CASA CLAUDIA no Facebook

-->