Reformar para quê? Ideias para cozinha, quarto, sala e varanda
Adaptar o imóvel a novos usos, ganhar espaço de lazer, integrar ambientes... Confira seis histórias inspiradoras e comece a sua.
Reportagem: Eliana Medina (visual), Joana L. Baracuhy e Lara Muniz (texto) Design: Renata Rise Ilustrações: Campoy Estúdio
Fotos: Carlos Piratininga
Bastante confortável para um casal sem filhos, o apartamento de 164 m² tinha um porém: uma cozinha e uma sala de almoço apertadas.
Carlos Piratininga
Conquistar uma cozinha mais versátil: bastante confortável para um casal sem filhos, o apartamento de 164 m2 tinha um porém: uma cozinha e uma sala de almoço apertadas. “A moradora gosta realmente de cozinhar e receber, por isso unimos esses dois ambientes num de 19,40 m² e adotamos divisórias menos rígidas”, conta o arquiteto paulistano Beto Faria, autor do projeto com Jacqueline Rodovalho. Praticamente refeita, a meia-parede de alvenaria incorpora as novas redes hidráulica e elétrica. Sobre essa estrutura, caixilhos de ferro (Serralheria Pompéia) com vidro ora jateado, ora incolor e duas aberturas. “Elas evitam que o cheiro de fritura chegue à sala e dão privacidade aos moradores quando a cozinheira prepara o almoço”, fala Beto. O passa-pratos de alvenaria armada (à esq.) com estuque de cimento branco contrasta com a bancada preta de granito são gabriel. Ele se abre por meio de um contrapeso (com cabo de aço). Note como a claridade entra pelo ambiente. “Com as lâmpadas acesas, a cozinha vira uma caixa de luz”, diz Beto.
Célia Mari Weiss
Ter uma sala íntima com jeito de quintal: com o nascimento do primeiro filho, o casal de São Paulo se transferiu para um imóvel maior – este dúplex. No andar superior (60 m2), queria um ambiente de estar informal, com direito a home theater, cozinha de apoio e espaço para as brincadeiras da criança. A tarefa coube ao arquiteto Décio Navarro, para quem as melhorias seriam significativas se demolidas algumas paredes, incorporado o terraço e inseridos acabamentos mais claros. “Cobri 1,20 m da lateral com uma estrutura de ferro e telhas metálicas do tipo sanduíche, que isolam bem o calor e o som”, diz ele. O gesso nivelado com o restante do forro garante a continuidade e o acabamento. Porcelanato forra todo o espaço. Soma-se ao deck, que serve de banco e envolve os pilares – estruturais, eles não foram removidos. Para imitar madeira de demolição, as réguas brutas de cumaru com medidas diferentes foram apenas enceradas. Armação metálica da Aricanduva Esquadrias e telhas da Dânica.
Célia Mari Weiss
Aproximar a cozinha da sala de estar: a distância entre essas duas áreas incomodava a família, que desejava unir os espaços. “Invertemos a distribuição interna da cozinha (8,50 m2) e a deixamos 35 cm mais estreita, medida que foi incorporada à área social. além disso, agora o hall de entrada é separado apenas por um painel de vidro com portas de correr”, conta o arquiteto Luiz Junqueira, do escritório paulista Vazquez e Junqueira Arquitetos Associados. Do lado de fora, a parede ganhou inclinação de 7 graus, solução que resolveu a circulação, agora mais fluida. Pintada de vermelho, virou marco no imóvel. Um forro de gesso escondeu vigas estruturais e completou a integração dos espaços. Trocados, os revestimentos da cozinha renovaram o ambiente. O piso recebeu ladrilhos hidráulicos (Ladrilar) e as paredes, pastilhas de vidro opacas (Jatobá). O painel de vidro tem três folhas – duas fixas (70 cm cada uma) e uma móvel (com 1 m) – e deixa a luminosidade vinda da sala passar.
Célia Mari Weiss
Ganhar um amplo espaço gourmet: erguido nos anos 50, este sobrado tinha um longo acesso lateral por onde os carros chegavam à garagem – e nada de área de lazer. Situação transformada pela arquiteta Ana Luiza Almeida Prado Sawaia, que manteve os automóveis perto da entrada, usou a área liberada para incluir piscina, deck e jardim e transformou o velho abrigo num espaço gourmet. “Hoje, jantamos ali em noites quentes e fazemos reuniões informais”, diz a proprietária. “Quem vive numa cidade densa como São Paulo e viaja pouco precisa de lugares assim”, afirma. Para disfarçar a escada do tipo caracol (agora exposta) e remeter ao mar, a parede do fundo ganhou látex com pigmento azul da Anil Tintas, “de resultado mais profundo e brilhante que tons de catálogo”, diz Ana. O espelho ajuda a clarear o espaço e reflete as plantas. Cimento queimado recobriu as paredes, a bancada e a churrasqueira, localizada em função do exaustor. “Achei um ponto que permitia a subida direta do duto por dentro da casa. Não queria que ele fizesse curvas e perdesse eficiência”, diz Ana. Deck e painel empregam madeira de demolição. O piso antigo de concreto estampado foi nivelado e ganhou fulgê (Granipoxi) – em versão polida perto da grelha para facilitar a limpeza.
Célia Mari Weiss
Transformar a suíte em spa: apenas o ponto de hidráulica da bancada foi mantido no projeto da arquiteta Ticiana Badra, de São Paulo. Ela redistribuiu os espaços dos dois banheiros existentes – um apertado e outro grande – e aproveitou para acrescentar a banheira e abrir a bancada para dentro do quarto do morador, que passou de 25 para 30 m?. “A banheira não fazia parte da ideia original, mas o orçamento permitiu a criação desse espaço de relaxamento. Na automação, previmos até um ponto para colocar o equipamento de som no ambiente”, detalha Ticiana. A privacidade dos usuários fica garantida, pois sanitários e chuveiro se isolam atrás da porta do antigo banheiro da suíte. A bancada do lavatório (Corian, executado pelo Studio Vitty) conta com gabinete suspenso espelhado (Delta) para organizar os itens do dia a dia. Um patamar elevado feito com a mesma madeira do piso esconde a tubulação da banheira freestanding sem interromper o visual.
Célia Mari Weiss
Ampliar o home office: o antigo corredor desapareceu na reforma orquestrada pelo escritório Piratininga Arquitetos Associados, de São Paulo. “Para abrigar o escritório, abrimos mão de um dos três quartos. A derrubada das paredes fez com que o corredor fosse incorporado à ala social, agora maior e mais iluminada”, conta a arquiteta Renata Semin. Quando a moradora precisa de sossego, fecha as quatro folhas de correr e isola o ambiente e a passagem para a área íntima. Embutidos no teto, os trilhos do painel contribuem para a sensação de continuidade criada pelo piso de madeira (mesmo material do rodapé), instalado em toda a área sem qualquer tipo de interrupção visual. Cerca de metade dos 136 m² do imóvel pertence à ala social. Somado ao antigo corredor, o home office chega a 15 m², que podem ser isolados pelas portas de correr revestidas de laminado cinza (Formica). Trabalho da Marcenaria Menozzi. No piso, tábuas de cumaru da IndusParquet.



