Quatro paredes moldadas em concreto

O concreto deve ser precvisto no projeto, não admite muitos retoques e pede mão de obra experiente. Confira as dicas de quem o executou com maestria

Reportagem Danilo Costa (texto) e Deborah Apsan (visual) | Design Manoel Vitorino Junior | Fotos Victor Affaro

Marca de uma arquitetura que gosta de evidenciar suas técnicas construtivas, o concreto aparente é rapidamente associado às obras de mestres como Vilanova Artigas (1915-1985) e Paulo Mendes da Rocha, entre outros. Sem sair de cena até os dias atuais, esse recurso em que parede, piso e teto dispensam revestimentos ganha um visual contemporâneo nestesquatro ambientes. “Hoje, ele surge com uma linguagem mais leve, combinado a outros materiais”, diz o arquiteto paulista Gustavo Calazans. “Em vez de compor a casa toda, tem sido usado em pontos específicos. Virou um rústico chique”, aponta o arquiteto Rodrigo Costa, de São Paulo. A armação metálica e as fôrmas de madeira são erguidas no local e só depois preenchidas.

Victor Affaro

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Nuance fora do convencional. Não haveria barreiras na passagem da sala de TV para o living deste apartamento em São Paulo. “Mudamos os planos ao acharmos uma viga entre as áreas”, fala a arquiteta Bárbara Bratke. Ela e o arquiteto Orlando França de Oliveira disfarçaram o imprevisto com uma divisória de concreto (2,70 x 2,30 m), feita depois de um cálculo estrutural. “Dispersamos a carga na laje com uma sapata de metal mais larga que a base”, diz Orlando. No centro, o círculo de 1,75 m de diâmetro suavizou a parede. Para executá-la, montou-se uma malha de vergalhões onde está soldada a cinta de aço (7 cm de largura) que delimita a abertura. Com 7,5 cm de largura, as tábuas de pinho defniram a medida dos frisos e compuseram a fôrma preenchida por argamassa de cimento branco, areia, brita e 7% de óxido de ferro puro (Bayer), pigmento responsável pela cor escura. O concreto, desmoldado após sete dias, não foi lixado nem recebeu acabamento. Cadeira Vó Judith.

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