O terreno estreito longo e em declive, porém, privilegiado pela vista é o local perfeito para a casa moderna sonhada pelos moradores.
Por Eliana Medina e Juliana Tourrucôo Fotos: Célia Mari Weiss Ilustrações: Campoy Estúdio
Você desenha uma casa moderna? O pedido, feito por uma amiga ao arquiteto paulista José Guilherme Whitaker em 2005, compreendia uma dura tarefa: domar um terreno de 6,50 m de largura por 37 m de comprimento e com declive de 6 m. "Aceito, mas ela não será toda plana. Vou acomodá-la no caimento do lote", explicou José na época. Ela confiava tanto no trabalho do profissional que o havia consultado sobre a compra do terreno. "Recomendei fechar o contrato. Era um achado, ainda mais sendo em São Paulo", lembra o arquiteto. A área tem boa insolação, fica numa região de solo firme e atrás de um quarteirão estreito, ou seja, não subirá prédio nos fundos. Tendo esse campo livre e o aval dos donos, ele projetou três pavimentos para abrigar salas, cozinha, três suítes e um escritório-ateliê. Uma casa feita de toras também se adaptou ao terreno íngreme. Confira!
Divulgação
Pivotante, esta caixilharia de ferro com vidro delimita sala e varanda coberta. Na parede externa, vibra o rosa-choque (o tom foi preparado pela moradora no ateliê da casa). Guarda-corpo de vidro temperado e piso de itaúba.
O arquiteto estruturou a circulação interna a partir de um volume central: a área das escadas. É a filosofia de Vilanova Artigas [1915-1985], escola que admiro, conta José, formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP)
O branco das paredes é gesso (massa de 2 cm de espessura sobre blocos de vedação). Note como esse acabamento emoldura as vigas e os pilares de concreto aparente, expondo o traçado do projeto. Tapete By Kamy e móveis Clami Design.
Para aproveitar a insolação da face norte, as varandas têm este traçado trapezoidal. Para o piso inferior, onde há um jardim, o arquiteto preferiu um pergolado de itaúba tratado e com stain.
Amplo, silencioso e bem iluminado naturalmente, o piso inferior deixa à vista e à mão livros, tintas e filmadora. O lugar serve à família como escritório-ateliê.
Depois dessa minha experiência, jamais voltaria a subestimar um terreno inclinado, conta a moradora, que, para despistar olhares alheios, preferiu uma casa com fachada discreta.
A primeira providência do arquiteto foi pedir a sondagem. Ele precisava de informações para calcular as fundações e uma estaca tubulão (0,80 m por 4 m de profundidade) no fim do terreno (em rosa). Esse detalhe construtivo garante a firmeza da moradia no caso de o vizinho mexer no solo. No entanto, essa implantação, assim como toda a obra, exigiu paciência, conta José. Os 6,50 m de largura do lote impediram a entrada de maquinário. A retirada de terra e parte da concretagem foram manuais. Com isso, a obra de 332 m² demorou um ano.
A casa recebe a luz do dia por vários pontos de iluminação zenital. O principal deles é um rasgo (0,90 x 3,70 m) na laje de concreto do telhado (em amarelo), que foi coberto com chapas de policarbonato. A luz escorre de cima até o piso inferior, diz o arquiteto.