Disposto a curtir a boa vida nos tr�picos, um casal portugu�s encomendou uma casa de veraneio sem clich�s, temperada pela aut�ntica baianidade.
A imagem da rainha das águas que adorna a sala de estar é um sinal. Quando passa férias em Itacaré, BA, a família de portugueses dona desta construção experimenta uma profunda comunhão com as tradições locais. Eles nos procuraram dispostos a entender como vivem os moradores dessa cidade rara, que combina mata Atlântica, praias recortadas e fazendas de cacau, para então fazer sua casa, conta Thiago Bernardes, que assina o projeto com o sócio, Paulo Jacobsen. No andar de baixo há um corpo pesado (de alvenaria e concreto) e no de cima, um pavilhão leve. Essa foi a maneira que os arquitetos encontraram para aproveitar a vista do mar e estabelecer um grande terraço no andar superior. Como a obra seria realizada por uma construtora local, Thiago e Paulo elegeram um profissional de sua equipe para acompanhar de perto os trabalhos, que levaram 15 meses. O nordeste tem belas praias e belas casas também. Conheça uma perto do Recife, decorada com artesanato local. É linda!
Divulgação
A rainha das águas está presente entre os enfeites da sala de estar.
O mesmo deck que forra o piso da sala de estar se estende ao amplo terraço. Do lado de fora, o cumaru ficou acinzentado pela ação do sol e da chuva. Expliquei que a madeira envelhece se exposta ao tempo, mas não estraga, e o proprietário topou, diz Thiago.
O andar superior reúne sala de estar, terraço e cozinha num ambiente único. Afinal, a idéia é que os proprietários passem o dia todo por ali. Até a piscina fica perto, formando um espaço de lazer completo.
As portas de vidro e cumaru (feitas por Zeca Cury, de Ubatuba, SP) são de correr na frente e nos fundos, descortinando o oceano e o morro. Diante da raia (revestida com pastilhas Jatobá 5 x 5 cm verde antilhas), surgem em versão pivotante.
O telhado de um único plano se eleva e induz à vista do mar. Nada de usar a tradicional solução com duas águas, que deixaria um beiral baixo na frente da casa e roubaria parte da paisagem.
A cobertura é uma mistura curiosa de deck de madeira (no alto), telha ondulada translúcida (no meio) e fibra trançada (embaixo). Assim, a luz do sol penetra, filtrada, e ilumina sutilmente o interior.
O andar de cima é quase um pergolado com sua cobertura delicada e três laterais transparentes. Apenas a cozinha (no fundo, à esq.) é fechada com alvenaria. O visual leve deve muito à estrutura de aço delgada. Poucas e pintadas de verde, as vigas coincidem com os caixilhos das portas de correr e quase desaparecem. A horizontalidade da construção reforça seu ar moderno, diz Thiago.
O banheiro do casal é o maior da construção. Fica aberto para um deck privativo, dotado de hidromassagem (ao fundo na foto). Os acabamentos incluem bancada de cumaru impermeabilizado (Aroeira), treliça (feita e tratada por Joelson Alves) e deck (Scala Madeireira). Como o ambiente é muito aberto e ventilado, os materiais não se estragam, comenta Thiago.
Não há janelas, mas amplas portas de correr dotadas de folhas de vidro temperado e venezianas de madeira. O beiral que protege essas grandes aberturas de chuva e sol é a laje de concreto que forma o banco do terraço do piso superior. Forrado com ripas de madeira, combina e fica discreto.
Do terraço do casal (equipado com hidromassagem da Jacuzzi), vêem-se os diversos usos da madeira: cumaru de 5 x 3 cm no deck, painéis de freijó de 7 x 4,5 cm sobre as paredes e ripas de cumaru nas portas de correr.
Dentro, a textura (Terracal) ganha realce pela luz (de lâmpadas embutidas no teto) que vaza da fresta no forro e faz referência à cobertura do andar de cima.
Na subida da escada, um espelho (à esq.) reveste a parede da cozinha e reflete o terraço à frente. No fundo fica o acesso principal, composto de decks de madeira e espelhos-dágua. A escada de 4 m de largura se impõe logo na entrada e convida quem chega a subir e explorar o andar de cima, explica Thiago.
No andar de baixo, fica a porta principal. Note a maneira como a construção se organiza em dois blocos e se acomoda no terreno íngreme. Ao fundo, a mata exuberante atrativo natural de Itacaré. As pedras do muro foram compradas na região (Pilar Engenharia).
As quatro suítes ficam isoladas no andar de baixo, para maior privacidade. Acomodam o casal de proprietários, seus dois filhos e eventuais convidados. No andar de cima, uma pequena cozinha dá conta do recado. Os arquitetos privilegiaram a vista ao implantar a casa no terreno de 889 m2 voltada para o sudeste, ela recebe menos sol, mas desfruta da paisagem.