Oscar Niemeyer: conheça os móveis desenhados pelo mestre

Os móveis desenhados pelo mestre da arquitetura foram produzidos em parceria com a filha, Anna Maria Niemeyer.

Reportagem Silvia Avanzi | Fotos por Nana Moraes | André Nazareth | Divulgação

Nana Moraes

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Cada traço esboçado no papel pelo arquiteto Oscar Niemeyer, 104 anos, desponta com vocação para virar emblema, fazer história e encantar. Foi assim com os edifícios projetados para Brasília e outros espalhados por vários países, e não é diferente com as icônicas peças de mobiliário desenhadas por ele na década de 1970 e produzidas em parceria com a filha, Anna Maria Niemeyer. “O país teve o privilégio de contar com o talento de Niemeyer na construção do Brasil moderno por meio da arquitetura e do design”, afirma Maria Cecília Loschiavo dos Santos, autora do livro Móvel Moderno no Brasil. A pesquisadora se refere à época, iniciada na primeira metade do século 20, em que os arquitetos modernistas decidiram projetar as peças para mobiliar seus projetos inovadores. “Desejávamos, minha filha e eu, encontrar um novo desenho, que permitisse, com o uso de madeira prensada, imaginar coisas diferentes dos móveis tradicionais”, disse o mestre.

O mobiliário idealizado por Oscar Niemeyer é definido pelas linhas curvas, eternizadas tanto em sua arquitetura como nas frases poéticas cunhadas por ele: “Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura e inflexível criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual.” A matéria-prima que permitiu criar o efeito fluido no mobiliário foi o sistema de madeira prensada. “É interessante assinalar como a técnica da madeira prensada nos aproxima da arquitetura: a mesma possibilidade de formas novas, o mesmo empenho em reduzir seções e simplificar o sistema construtivo”, escreveu Niemeyer em artigo da revista Módulo, fundada por ele.

Entrevista:

Niemeyer começou a desenhar sua linha de móveis na década de 1970 e convidou a flha, Anna Maria Niemeyer, galerista e designer de interiores, a realizar com ele os projetos. “Ele fazia os croquis e cabia a mim desenvolver a peça”, diz ela no livro Design Brasil, 101 Anos de História (publicado por CASA CLAUDIA). O neto de Anna Maria, Carlos Ricardo Niemeyer, diretor da Fundação Oscar Niemeyer, intermediou esta conversa.

Como funcionou a parceria entre a senhora e seu pai?

Ela já havia começado anteriormente, quando eu realizava a arquitetura de interiores para alguns dos edifícios de meu pai. Nesses projetos, eu propunha tanto a utilização de móveis modernos de arquitetos brasileiros como de designers estrangeiros.

Quem é hoje o fabricante autorizado dos móveis?

A Teperman, de São Paulo. Cada peça possui um certifcado de autenticidade com o número de série emitido pela Fundação Oscar Niemeyer. Assim, podemos dar uma garantia contra falsifcações.

Para saber mais:

Móvel Brasileiro Moderno (FGV Projetos) e Oscar Niemeyer, uma Arquitetura da Sedução (Ed. Bei).

 

André Nazareth | Divulgação

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<p> A cadeira de balanço (1977) exibe estrutura de madeira prensada ebanizada, trama de palhinha e rolinho de couro. “É a peça mais procurada entre os móveis de Oscar e Anna Maria”, diz Carlos Ricardo Niemeyer, bisneto do arquiteto e diretor da Fundação Oscar Niemeyer</p>
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