Nove varandas com orquídeas, bonsai, jardim vertical e jaboticabeira
Espaçosas ou pequeninas, essas varandas têm algo em comum: moradores que apreciam jardinagem e que cuidam das plantas com amor
Reportagem Visual Zizi Carderari e Simone Raitzik | Texto Cristina Dantas e Simone Raitzik | Fotos Evelyn Müller | Ilustrações Meire Oliveira
No início da primavera, o site Casa.com.br ganha uma nova parceria: o Minhas Plantas. Nele, você descobrirá como cuidar de orquídeas e outras espécies. E poderá ter, assim como os moradores dessas casas, varandas cheias de flores.
Evelyn Müller
A parede atrás do varal de orquídeas (Orquidário Flores Vivas) é forrada de unha-de-gato. As almofadas são da Interiores Confecções, e o tapete, da Phenicia Concept.
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Flores também cobrem o sofá (produzido pela Tapeçaria Monelli com tecido da Fernando Maluhy) e os acessórios, um acervo pessoal que migra pela casa. No vaso alto, folhas vermelhas de cordiline.
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Orquídeas bem prOtegidas Nesta varanda, elas foram colocadas do lado que recebe o sol tênue da manhã. “O lugar deve ser favorável, com sol indireto e sem muito vento”, ensina a paisagista Maringá Pilz. Em varandas de apartamento, o ideal é dispôr a planta no chão, protegida pelo guarda-corpo. Como as orquídeas não podem ficar encharcadas, os vasos têm furos nas laterais. Também precisam ser trocados a intervalos de três anos.
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Aos poucos e de maneira informal, a designer de interiores Neza Cesar foi criando o seu orquidário. Conhecida pelos ambientes coloridos que projeta, ela transformou sua varanda em sala de estar. Desenhou o sofá, estampado com tecido foral, e pintou o pufe no mesmo tom de verde das paredes. A tarefa de dar forma ao orquidário foi entregue às paisagistas Maringá Pilz e Barbara Uccello, que estenderam um varal de bambu na lateral do espaço para pendurar, em alturas diferentes, orquídeas de diversos formatos e cores, como a vanda e a catleia-amarela. As fores pedem atenção constante, o que não é um problema. “Gosto de cuidar”, conta Neza. Na área de refeições, móveis de ferro, que Neza tem há tempos, se adaptaram ao espaço. Para suavizar o vento, um anteparo de vidro foi instalado na altura da porta.
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Foi em um prédio dos anos 1950 que Naoki Otake encontrou o seu ideal de arquitetura – e também de paisagismo. Bastante iluminado, requisito que o arquiteto considera fundamental, o apartamento conta ainda com uma jardineira, que se estende por 6 m de janelas contínuas. “Na época da construção, o desenho marcante da fachada era uma característica comum dos edifícios”, conta Naoki, explicando o motivo da proliferação dessas foreiras externas. A experiência de cinco anos vividos no Japão é a responsável pela marca oriental que ele imprimiu à sua jardineira, na qual se destacam bambus-mossôs e bonsais, além de bem aparados buxinhos. Três bonsais são emoldurados em bambus-mossôs, espécie que precisa de muita água. Na página ao lado, acima, o aparador expõe ripsális, suculentas e uma orquídea-sapatinho. Na floreira, todas as plantas estão em vasos.
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Organizadas as plantas também moram dentro de casa
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Bonsai: a vida em miniatura Ele surgiu na China, por volta do ano 600, ofertado em sinal de longevidade. A técnica do bonsai, que significa “plantado em bandeja”, foi aperfeiçoada mais tarde no Japão. Esculpido com arame, representa a natureza em formatos com nomes como “varrido pelo vento”. Mas a longevidade dessas miniárvores só se dá com muito cuidado, sol constante e água todos os dias.“Ou você pode destruir um bonsai de 100 anos em uma semana”, explica o especialista Francisco Bispo.
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A equação tinha muitas variáveis: o espaço deveria exibir folhagens diversas, além de fores que comparecessem o ano inteiro. “Eu queria um colorido na varanda”, diz a moradora. Era ali, também, que as crianças brincariam e o casal receberia os amigos. Tudo isso em uma área estreita e comprida, de 1,10 x 9,92 m. A designer de interiores Maristela Gorayeb sugeriu usar plantas pendentes, deixando a circulação livre. Trocou as correntes dos vasos por cordas de fbra natural e mesclou os tons de verde e a textura das folhagens. A banheira antiga foi outra boa ideia: as crianças brincam nela e, quando há uma festa, fca cheia de gelo para as bebidas.
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Os meninos Pedro e Tomaz se divertem nas cadeiras de vime (Cipó Brasil), que ganharam pintura automotiva. Dois vasos, que já eram dos moradores, ocuparam as extremidades da varanda.
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Da sua ensolarada varanda com pé-direito triplo, a arquiteta Angela Martins, do Studio ML2, vê o mundo do alto: seu apartamento ocupa o 27º andar de um edifício paulistano. A maioria das plantas do local segue o fgurino adequado: elas têm folhas rígidas e graúdas para melhor suportar o vento constante. Isso não quer dizer que fores delicadas, como a minigardênia, não possam fazer companhia.
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As paisagistas Drica Diogo e Daniela Ruiz colocaram as espécies mais frágeis em vasos baixos, resguardadas pelo guarda-corpo de vidro e por plantas mais fortes, como a clúsia.
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Frutos da infância. “Queria muito uma jabuticabeira.” O pedido que Angela fez às paisagistas (e que evocava lembranças de criança) foi atendido com uma árvore de 3 m de altura, plantada em uma caixa de madeira (foto à direita). “A frutífera precisa de boa drenagem e terra orgânica bem adubada. Em espaços onde venta muito, as regas devem ser intensas,já que ela resseca mais facilmente”, diz o produtor José Lucas Fonseca, da Flora São Lucas. Espadas-de-são-jorge foram posicionadas atrás do sofá, da Franccino Giardini, revestido de tecido Sunbrella (Regatta). A jabuticabeira (a árvore mais alta) é ladeada por clúsias e minigardênias. Piso da Castelatto, bandeja e copos da L’Oeil.
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As plantas que ocupam a extensão da janela (e também aparecem em outras áreas do apartamento) são a maneira que Tatiana Pascowitch encontrou para matar a saudade da casa em que morava, com terra à vontade no jardim. Profssional da área de comunicação, o amor de Tatiana pelas plantas a fez mudar de ramo. Ela começa a se especializar no que realmente gosta: o paisagismo. Na sala, em vasos que se apoiam sobre amostras de granilite e outros suportes reutilizados, ela cultiva orquídeas, bromélias, clúsias, ripsális e miniantúrios. Agora, com o marido e a flha pequena, se prepara para uma “volta ao lar”: vai se mudar para uma casa com jardim. Lição de casa Ser uma observadora atenta é, segundo Tatiana, o segredo para ter plantas saudáveis dentro de casa. “Mexer nas espécies no dia a dia é a melhor forma de aprender a mantê-las bem”, afirma. Foi assim que ela descobriu as necessidades de rega e adubação de cada uma.
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Com duas espécies de suculentas, dólar e a pendente dedo-de-moça, o paisagista Marco Kiefer compôs um jardim vertical, de 3,15 x 1,50 m, em vasos de barro fxados diretamente na parede com parafusos de aço. A opção por esse tipo de planta se explica: o jardim recebe sol das 10 às 16 horas no verão e das 11 às 15 horas no inverno. Outras espécies torrariam com tanta exposição à luz e ao calor, mas as suculentas aguentam bem essa situação. “A manutenção é baixíssima”, explica Kiefer. “Basta adubar uma vez ao mês e regar semanalmente.” Tão fácil que não há sequer uma torneira por perto. Um regador dá conta do recado.
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“Visitei 40 apartamentos até encontrar este”, conta a designer de interiores Lulis Azevedo, casada com o paisagista Gil Fialho. O casal priorizava a luz, e o apartamento no bairro dos Jardins, em São Paulo, é visitado pelo sol o dia todo. Juntos eles desenharam a ambientação, com muitas peças trazidas da morada anterior. O painel com o jardim vertical, desenvolvido ao longo de um ano pelo escritório do paisagista, cria um ambiente semelhante ao tronco de uma árvore, onde crescem samambaias, flodendros, columeias, ripsális e orquídeas. “A irrigação é programada”, explica Gil sobre o sistema que controla a quantidade de água necessária.
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Mesmo sem varanda, o apartamento de 200 m², na capital paulista, conquistou o paisagista Gil Fialho por ser muito iluminado. E ele encontrou uma solução para ter verde em casa com este jardim vertical de 1 x 2,80 m, cheio de plantas tropicais. Por dentro do Painel Todos os materiais usados no painel projetado por Gil Fialho são biodegradáveis ou reutilizáveis. Preso a uma placa de compensado de alumínio reciclado fica uma espécie de colchão. Seu recheio é um substrato de terra vegetal e composto orgânico (ou seja, o preparado que alimentará as plantas). Em volta desse recheio, vai uma manta de drenagem (também conhecida como bidim), que evita que a terra escape para fora. A camada mais externa é uma biomanta (fibra de coco natural degradável). É nela que são presas as plantas.
Meire Oliveira
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Um muro alto interrompia a vista para uma parte arborizada da Vila Madalena, em São Paulo. Até que um casal de publicitários comprasse a casa e a arquiteta Lays Sanches transformasse a área, então usada como lavanderia, em espaço de convívio. Os muros laterais foram elevados, e a parte frontal, fechada por vidro temperado e dormentes de demolição. Ao lado do ofurô (Kan Tui), floresce a primavera. Futons da Futon Company. Cadeiras da Tidelli se arranjam em volta de um carretel de madeira. Louças do Coletivo Amor de Madre e da Benedixt e toalha de mesa da JRJ. À direita, laranjinha-kinkan e ervas aromáticas em vasos da Anni Verdi.
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Quanto custou. Plantas, vasos e materiais na ponta do lápis: Jambolão: 880 reais. Laranja-kinkan: 100 reais. Minirromã: 45 reais. Outras plantas, flores e ervas: 380 reais. Terra adubada (cinco sacos): 180 reais. 12 vasos (aço cortén, cimento e tinas de demolição): 3 597 reais. Jardineiro (duas diárias): 200 reais. Total: 5 382 reais (não inclui o projeto)
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Com 4,50 x 8 m, o jardim pega sol até o fm da tarde, permitindo a presença de árvores frutíferas como jambolão, minirromãs e laranjinhas-kinkan – todas plantadas em vasos pela equipe da Malu Paisagismo. “Nós nos sentimos integrados ao espaço, e não coadjuvantes de um cenário”, conta, feliz, a moradora.
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Biombo verde. Vasos de cimento tingidos de preto acomodam mudas de dracena, espécie de fácil manutenção que chega a 2 m de altura. “É uma planta resistente, que precisa de poucas horas de sol por dia e só exige duas adubações ao ano”, explica Suzi Barreto, sócia da Landscape, que assina o paisagismo. Ela indica outras opções de espécies para esse uso: dracena-malaia (de folhas amareladas), bambu-multiplex e palmeira-ráfis.
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“A área gourmet já existia, mas não tinha nem cor nem aconchego”, conta ele, que é um dos sócios da marca La Estampa, especializada em padronagens de tecido. As sugestões dos arquitetos Camila Urbanetto e Ricardo Campos para remodelar o espaço foram certeiras: encobrir o teto de vidro com ripas de madeira e forrar uma das paredes com azulejos decorados. Plantas em vaso trouxeram privacidade. “Isso foi essencial para tornar o espaço mais convidativo”, diz Camila.
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Cercada por cadeiras coloridas, a mesa redonda não prejudica a circulação. Na parede do forno de pizza, os azulejos da Pavão Revestimentos (Mediterrani) desenham um mosaico. “Adoro estampa e cor”, diz Marcelo.
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Quando se mudou para uma casa ampla, na Zona Sul carioca, o empresário Marcelo Castelão sentiu falta de um espaço acolhedor para cozinhar e reunir os amigos.
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