Móveis antigos em alta: eles criam ambientes cheios de personalidade

Queridinhos dos arquitetos e decoradores, os móveis antigos ajudam a compor arranjos de decoração superoriginais

Reportagem Visual Aldi Flosi, Araci Queiroz, Mayra Navarro e Isabella Mendonça (Assistente) Texto Lucila Vigneron Villaça Fotos Luis Gomes

Autênticos de época ou reproduções, as peças antigas estão cada vez mais presentes na decoração. Queridinhas dos arquitetos e decoradores, elas conferem classe e personalidade aos ambientes, ajudando a compor arranjos superoriginais. Clique nas imagens para ver dicas e detalhes sobre os ambientes abaixo, repletos de boas ideias. Depois, visite nossa seleção de 11 móveis com ar antigo e também dê esse toque de personalidade à sua decoração!

Clássico com ares modernos

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O sofá ganhou pintura envelhecida (execução da Novo Antigo) e tecido cheni...
O sofá ganhou pintura envelhecida (execução da Novo Antigo) e tecido chenile grafite (Regatta Tecidos). Almofada azul da Esther Giobbi, poltrona branca da Firma Casa, mesa de centro da Conceito Firma Casa e vaso da Ana Luiza Wawelberg. Projeto de Marco Aurélio Viterbo. Dica de pintura: a estrutura do sofá foi pintada com fundo preto acetinado. Depois, recebeu a aplicação de folhas de ouro. Fininhas, elas se amoldam à estrutura do móvel e são fixadas com o uso de um mordedor. Uma demão de betume quebra o brilho do dourado. Por último, o móvel é lixado levemente para garantir o aspecto envelhecido.

Chamado para reformar e repaginar a casa de decoração clássica, o designer de interiores Marco Aurélio Viterbo abusou do seu olho clínico para escolher entre os móveis e objetos existentes os que seriam reaproveitados no projeto novo. "Além de interessante, o sofá estilo Luís XVI tinha a medida perfeita para o vão formado em meio a pilares da parede", conta. Marco optou por substituir o encosto fixo por três almofadas soltas. A estrutura de madeira recebeu uma pintura dourada, que, desgastada, ganhou aspecto envelhecido. "O novo visual transformou o móvel em atração do ambiente", completa.

Vida em nova fase, móveis reaproveitados

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Na poltrona Luís Felipe, tecido novo (chenile da Regatta Tecidos). “A estam...
Na poltrona Luís Felipe, tecido novo (chenile da Regatta Tecidos). “A estampa vintage quebra o ar clássico do móvel”, diz a arquiteta Patrícia Martinez. A tela de Jesus Soto (à esq. ) já era dos moradores. Sobre a cômoda Dona Maria, obra de Manabu Mabe (Gabinete de Arte Raquel Arnaud).

Filhos casados, o casal de moradores optou por se mudar para o mesmo apartamento onde começou a vida em comum. Eles já tinham móveis de família e uma coleção de arte clássica, "mas queriam revitalizar a decoração para inaugurar a nova fase", diz a arquiteta Patrícia Martinez. Com a ajuda da profissional, selecionaram peças cheias de significado para eles. Entre as escolhidas, a poltrona Luís Felipe e a cômoda Dona Maria compõem um cantinho do estar com os quadros novos de arte contemporânea. "Formamos um espaço que 'fala' de quem mora ali. Móveis antigos são carregados de histórias", afirma.

Poltrona francesa se destaca no estar

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Comprada num antiquário, a poltrona francesa estilo Luís XVI contrasta com ...
Comprada num antiquário, a poltrona francesa estilo Luís XVI contrasta com as peças mais modernas da sala de estar. Cetim da Ralph Lauren (Celina Dias) renova o estofado da poltrona. Sobre a mesa de centro (Érea), vaso da Conceito Firma Casa. Sofá da Montenapoleone, abajur da Ana Luiza Wawelberg e tapete da Casamatriz. Projeto de Roberto Migotto.

Ao comprar o apartamento novo, a família optou por uma mudança radical: desfez-se dos antigos móveis e encomendou a reforma e a decoração ao arquiteto Roberto Migotto. Prática, a proprietária queria ambientes integrados e sem excessos, mas elegantes. Na sala de estar, Migotto sugeriu peças clássicas para dar um toque de sofisticação. "Usamos uma poltrona francesa estilo Luís XVI. Original e folheada de ouro, contrasta com as peças mais modernas, criando um arranjo atemporal", diz o arquiteto. Comprada num antiquário, a peça estava conservada e o arquiteto só designou a troca do tecido.

Rosa quebra sisudez da cômoda clássica

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Cômoda executada e pintada pela Christie, banqueta Tan-tan da Benedixt. O qu...
Cômoda executada e pintada pela Christie, banqueta Tan-tan da Benedixt. O quadro acima da cômoda estilo Luís XV é da Mônica Filgueiras Galeria, e o abajur, da Simone Figueiredo Luz. Projeto de Zize Zink. Dica de pintura: a pintura que dá acabamento ao móvel foi desenvolvida pela equipe da Christie. “Chamamos de laca francesa, pois ela reproduz um tipo de tinta usado pelos franceses desde o século 19”, explica Jordano Zamboni, dono da loja. A aplicação é feita a mão e, na sequência, é feito um tratamento de envelhecimento. “O resultado é uma pintura com textura, que parece gasta.”

Recém-casados, a artista plástica e o empresário queriam uma decoração bem original no apartamento novo. "A moça tem um estilo bem clássico, então sugeri misturar alguns móveis antigos aos mais modernos", fala a arquiteta Zize Zink. O jeito divertido da moradora também foi a inspiração para a peça rosa: "Usamos essa cor, que ela adora, na cômoda estilo Luís XV". O móvel, que serve como apoio para o bar, é uma reprodução feita sob encomenda, com uma pintura especial. Ao lado dela, a banqueta dourada de plástico faz um contraponto que imprime personalidade à sala de estar.

Encanto do artesanal no móvel antigo

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A ceramista Paula Almeida gosta de combinar o novo e o antigo. É o caso da m...
A ceramista Paula Almeida gosta de combinar o novo e o antigo. É o caso da mesa lateral dos anos 1960 em sua sala de peças contemporâneas. A banqueta de cerâmica azul foi modelada por ela. Sobre a mesa lateral, escultura de árvore de José Bento. Sofá da Interni e quadro assinado pelo pintor português Julio Pomar.

A ceramista Paula Almeida é uma apreciadora de trabalhos manuais. Não raro, ela leva para casa um objeto ou móvel que lhe agradou pela produção artesanal. Com a mesa lateral dos anos 1960, foi assim. "Chamaram minha atenção a beleza e o modo com que a madeira foi trabalhada. Esse cuidado era muito comum nos móveis feitos antigamente", conta Paula. Por isso, ela está sempre ligada quando visita feiras e lojas de antiguidades. "Gosto de descobrir peças e depois inseri-las na decoração, misturando o novo e o antigo." A mesinha redonda e o armário de linhas retas mostram a harmonia do resultado.

Garimpo rendeu bons frutos

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O móvel-bar foi encontrado no bazar da Unibes (União Brasileiro-Israelita d...
O móvel-bar foi encontrado no bazar da Unibes (União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social). Já a cadeira e obras na parede são de feiras de antiguidades. Sobre o móvel, luminária da La Lampe. Projeto de Eduardo Aiello e Alex de Oliveira.

O designer Eduardo Aiello ganha a vida fazendo o que mais gosta: "Garimpar móveis e objetos é o meu lazer. Adoro fazer buscas em feiras, associações e eventos do tipo família-vende-tudo". Junto com seu sócio, Alex de Oliveira, ele desenvolve produtos baseando-se em peças antigas. E foi numa dessas andanças que Eduardo se deparou com o móvel-bar que instalou na sala de sua casa. "O estado era tão bom que não precisei mexer em nada", lembra. O armário abriga agora copos e taças do morador. Compondo com a peça, a cadeira encontrada numa feirinha foi revestida de tecido importado da Birmânia.

Escrivaninha traz clima romântico

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Em bom estado, a escrivaninha e a cadeira, heranças de família, não precis...
Em bom estado, a escrivaninha e a cadeira, heranças de família, não precisaram de nenhum tratamento. Na parede, revestimento de pastilhas de teca reflorestada da Oca Brasil (Chão de Barro). Sofá da Artefacto e almofada pintada a mão por Lisa Corti (Kika Vianna). Projeto de Maurício Nóbrega.

Após a separação, a moradora deste apartamento encomendou ao arquiteto Maurício Nóbrega uma reforma na área social. No espaço de 90 m², dividido em home theater e sala de estar, a moradora quis deixar sua marca. "Ela pediu um ambiente bem feminino e alegre", conta Maurício. Por isso, quando se deparou com a escrivaninha antiga, herança de família, o arquiteto não teve dúvida. "Coloquei-a ao lado do sofá, fazendo ainda o papel de mesa lateral. Clássica, ela imprime ares românticos ao estar." A cadeira também veio do legado familiar.

Reprodução e peça original no apartamento

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O recamiê, reproduzido por um estofador a pedido da arquiteta Cristiana Davi...
O recamiê, reproduzido por um estofador a pedido da arquiteta Cristiana David, foi executado por Carlos Rosa, com tecido Ralph Lauren (Covering). Sobre ele, almofada de flor da Le Lis Blanc Casa. O banquinho em X veio da França.

Folhear revistas de decoração e arquitetura, além de um deleite, é uma fonte de informação e inspiração para a arquiteta Cristiana David. Tanto é que a foto de um ambiente de hotel rendeu o recamiê, que agora figura no escritório de seu apartamento reformado. "Encomendei a reprodução da peça a um estofador. Gostei de seu estilo antiguinho. Vai bem com a parede de tijolos, que parece envelhecida", diz ela. (Gostou desta parede de tijolos? Clique na imagem Tijolos sem rejunte e saiba como fazer!) Já o armário-papeleira (abaixo) foi presente de uma cliente. A peça francesa, comprada num antiquário, virou o xodó de Cristiana, que decidiu colocá-la no lugar da mesa de cabeceira em seu quarto.

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“Para mim, o resultado surpreende tanto pelo uso como pela mistura de peças...
“Para mim, o resultado surpreende tanto pelo uso como pela mistura de peças”, diz Cristiana David sobre a ambientação com a papeleira. A cadeira de ferro é da Secrets de Famille, e o tapete de patchwork, da Casa Julio.

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A beleza dos tijolos rústicos não é o único encanto desta parede. O modo ...
A beleza dos tijolos rústicos não é o único encanto desta parede. O modo com que foram assentados, sem rejunte aparente, é uma atração à parte. Para conseguir esse resultado, o engenheiro civil Raphael Alcântara, da Stewart Engenharia, usou tijolos cerâmicos para revestimento (10 x 20 x 5 cm) que vêm com uma cavidade na parte de trás. “A argamassa é colocada nesse vão, e depois o tijolo é fixado sobre a parede chapiscada, que confere maior aderência”, explica. O engenheiro salienta que não pode haver excessos na quantidade de massa, “senão acaba aparecendo nas juntas”. Parede, piso e teto também precisam estar bem nivelados para que os tijolos fiquem alinhados. “As peças devem ser colocadas uma a uma, de preferência inteiras.” Cada metro de largura desta parede de 2,80 m de altura levou um dia para ser assentado.

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