Mesmo em um terreno estreito, esta casa tem claridade e ventilação natural
Quem vê a sombra na fachada não imagina a claridade que permeia os ambientes desta casa. Um pátio e duas claraboias resolveram a questão da luminosidade, enquanto a planta bem distribuída venceu as limitações do terreno esguio. Mostramos também um projeto que soube aproveitar um lote estreito e comprido.
Por Danilo Costa e Deborah Apsan Fotos: Luis Gomes
Tipicamente paulistano, este lote de 7 x 22 m reúne características que poderiam dar origem a espaços escuros e mal ventilados - como uma grande árvore na calçada, cuja sombra se estende por toda a porção voltada para a rua. Apesar disso, a arquiteta Carolina Rocco não a considerou um empecilho: "Ela torna a casa mais fresca e traz a sensação de bem-estar, própria da natureza", fala a profissional. Os recursos eleitos para deixar a luz e o ar entrarem à vontade são usufruídos nos três pavimentos que compõem a construção de 202 m². No térreo, um dos destaques é o pátio central arborizado, que integra as salas. Clarabóias deixam o interior bem iluminado, como no corredor da ala íntima. Na prancheta da arquiteta também surgiu a brincadeira com as proporções das janelas, ora generosas, como as dos quartos, ora segmentadas, a exemplo das seteiras ao lado da lavanderia. Para os proprietários, que vivenciaram quase dois anos de obra, o resultado foi perfeito. "Ter o sol entrando por todos os cantos é uma alegria", conta a moradora.
Divulgação
As entradas social e de serviço não se misturam. Escondidas atrás das portas de freijó envernizadas ficam a lavanderia e a cozinha. Do outro lado da cerca viva de murtas, um corredor lateral conduz as pessoas até as salas de estar e jantar.
No piso intermediário, a parede do corredor dos quartos, pintada com esmalte fosco verde-escolar (Suvinil), ganhou a função de lousa e virou o passatempo dos irmãos Pedro e João. O local é bem aproveitado pelos garotos graças à luz que vem do teto e evidencia a escada de ferro.
De um lado, concentram-se todas as aberturas (portas e janelas) e o corredor lateral. O recuo de 1,50 m respeita a norma estabelecida pela prefeitura. Na outra ponta, a casa fica colada ao sobrado vizinho, mas nem por isso existem lugares escuros. Além do pátio central, no térreo, as janelas amplas clareiam o interior, caso da cozinha.
Uma das atrações do pátio é o piso com mosaico de arenito vermelho de diversos tamanhos (Pedras Morumbi). Tanto o living quanto a sala de jantar têm portas de correr de vidro, que mesmo fechadas mantêm a integração entre as áreas. As esquadrias de freijó ficam recuadas 45 cm, o que as protege de sol e chuva.
No segundo andar, o quarto das crianças dispõe de bastante espaço para as brincadeiras. Eles adoram jogar futebol, revela a mãe. Com a janela ocupando uma das quinas, o ambiente esbanja luminosidade. Não há nenhum pilar ali, pois transferimos o esforço estrutural para outro lugar, fala a arquiteta. No piso, tacos de perobinha (Denart).
No banheiro do casal, quase não é preciso acionar a energia elétrica. Há vidro translúcido no teto e num trecho do piso, permitindo que a luz atravesse o ambiente até chegar à mesa lateral do living, explica Carolina. Nesta claraboia (2,30 x 0,85 m), tubos metálicos chumbados na alvenaria a cada 2 cm encontram-se 50 cm acima do vidro preso por ferragens na lateral do vão. O brise metálico garante a segurança da família, explica Carolina.
Em vez de um modelo comum, há seis pivotantes de 1,20 x 0,20 m. Queria algo discreto, pois do lado de fora está o corredor de entrada, explica Carolina, que também se dedicou à melhor ocupação possível dos espaços. Em um lote tão exíguo como este, o ideal é reduzir a área de circulação. Por isso, no segundo andar, o closet também é passagem entre o quarto dos pais e o dos filhos.