decidiu fazer arquitetura um ano antes do vestibular. Com pai e irmãos médicos, a tendência seria outra. Formado pela FAU/USP em 1982, ele teve aula com Paulo Mendes da Rocha e Vilanova Artigas. Hoje, Mauro projeta obras urbanas, mas é reconhecido especialmente por trabalhos que respeitam o verde.¿
Mauro¿transformou desafio em fonte de inspiração ao conceber este anexo para hóspedes em Angra dos Reis, litoral sul do Rio de Janeiro. Na primeira visita ao terreno, o arquiteto decidiu não apenas manter as imensas rochas do local como tomou a liberdade de apoiar sobre elas a construção.
Dona de personalidade instigante, a casa coleciona atrativos, como a escada cujo patamar parece flutuar. A mágica é resultado de cálculos matemáticos precisos que dispuseram vigas de aço apoiadas na laje superior e na terra.
Janelas e portas talhadas em freijó concedem ao quarto luminosidade e a visão da paisagem deslumbrante. Toda a madeira que compõe a construção, como a estrutura de maçaranduba, veio de manejo florestal, uma forma de não agredir a natureza.
Emoldurado pelas rochas e pela vegetação, o deck de ipê é perfeito para banhos de sol. A passarela se prolonga pelo hall aberto, dedicado exclusivamente à vista para o mar.
Além de preservar a vegetação, o arquiteto Mauro Munhoz também gosta de valorizar a comunidade e o jeito de construir local. Daí a escolha pelas telhas de barro, familiares à mão-de-obra da região, que trabalhou na obra. Sem contar que é um tipo de cobertura adequado ao clima quente e chuvoso de Angra.
Plantas nativas incrementam o jardim criado pela paisagista Else Segreto. Um convite para se refestelar neste cenário onírico, 36 m acima do nível do mar.