formou-se no Mackenzie em 1977, foi premiado quatro vezes pelo IAB e indicado ao World Architecture Awards, o Oscar da arquitetura. Fã de Ingmar Bergman e Federico Fellini, estudou cinema até os 30 anos, conquistando uma peculiar sensibilidade de olhar o mundo.
Simples como uma caixa, mas incrementada com a textura e o calor dos materiais naturais, esta construção na serra fluminense, em meio à mata Atlântica, atualiza valores da tradição moderna. Bem-vindo à Casa BR, em Petrópolis.
Divulgação
A passarela de aço leva à casa. Os carros ficam a 100 m dali, no estacionamento, parte do terreno de 6 820 m². A mata densa, o riacho e o relevo acidentado cercam a construção de beleza e privacidade.
Grandes painéis de vidro abrem a casa para o entorno, sem vizinhos ao alcance dos olhos. Nas laterais da sala, se estendem do piso ao teto. Nesta face (frente), a janela faz um recorte calculado do bosque. Como se fosse um cinemascope da floresta, conta o arquiteto.
Suspenso, o deck do terraço é interrompido em pontos exatos, dando passagem às árvores. Muitas espécies são nativas da mata Atlântica e devem seu viço ao trabalho da paisagista paulista Isabel Duprat, que recuperou boa parte da floresta. Outro aliado do projeto é a iluminação de Maneco Quinderé. Focos fechados, projetados para cima, clareiam as lajes, dando a elas leveza. Também realçam as texturas das superfícies orgânicas criadas por Marcio Kogan caso da madeira e da pedra.
Note como os pilares ficam afastados das paredes de vidro esses centímetros a mais de laje reduzem a importância visual desses apoios, assim como evitam o sol direto.
A localização dos pilares define os ambientes (nos quartos) e dá liberdade à sala assim a lareira aparece solta de qualquer parede ou coluna. O assoalho de cumaru (tratado com stain fosco) ajuda a esquentar de fato o espaço (há calefação sobo piso, da Broilo Aquecimento) como também visualmente.
Para lá de robusta, a porta de correr de vidro e alumínio polido (Kiko Esquadrias) marca a entrada da construção e funde sala e terraço sempre que desejado ou quando o clima convida.
Destaque da Casa BR, os brises que revestem os terraços dos quartos (também vedados com vidro, por causa do frio) são de ripas de cumaru e armação de alumínio (Marcenaria di Legno). Abrem e fecham como uma sanfona, num jogo que permite dosar a luz natural. De noite, a renda iluminada adquire uma textura interessante a casa parece uma lanterna acesa, diz o arquiteto.
O andar inferior é acessível por uma escada que parte do terraço e concentra piscina, spa e sauna. Tudo fechado por painéis de vidro temperado 10 mm (Santa Marina) retráteis, para abrir quando faz calor (as temperaturas na região variam de zero a 34 ºC ). Os pilares metálicos, revestidos de madeira, escondem a hidráulica e a elétrica. Somados às paredes estruturais forradas com pedras (retiradas do terreno), deixam a parte superior da construção com aparência mais leve.