Fotógrafos ensinam como emoldurar e expor fotos

Donos do clique: quatro fot�grafos abrem sua casa e revelam como exp�em seus trabalhos Reportagem Visual: Aldi Flosi Texto: L�cia Santos Gurovitz Fotos: Valentino Fialdini

Nada melhor do que aprender com os próprios fotógrafos sobre como expor fotos. Para tanto, visitamos as casas dos especialistas Valentino Fialdini, Tuca Reinés, Luis Gomes e Marcelo Greco para ver que tratamento eles dão a seus trabalhos. Você conhece as dicas de cada um logo abaixo. Temos também outras 3 ideias para compor arranjos de quadros, gravuras, telas, desenhos e esculturas nas paredes. Inspire-se!

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Próximas à cama, quatro fotos do deserto do Atacama, emolduradas juntas, e um nu formam um arranjo com pequenas obras de arte. Quarto do fotógrafo Valentino Fialdini.
Próximas à cama, quatro fotos do deserto do Atacama, emolduradas juntas, e um nu formam um arranjo com pequenas obras de arte. Quarto do fotógrafo Valentino Fialdini.

Viagens na parede Paisagens e imagens de arquitetura preenchem as paredes do quarto do fotógrafo Valentino Fialdini. "Em geral, as pessoas reservam as melhores obras para expor na sala. Eu não. Gosto de ter coisas bacanas no quarto também", diz. Em frente à cama, a foto em preto e branco mostra as ruínas de Angkor Wat, no Camboja, e a colorida, Petra, na Jordânia. Ambas são exemplos do trabalho artístico que Valentino desenvolve em viagens que faz com a mulher, a designer Dóris Sochaczewski. "Estas imagens em grande formato dão a ilusão de profundidade, como se fossem um espelho", afirma. As fotos menores surgem em composições com objetos e obras de arte.

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“A moldura não pode interferir na foto. Ela é apenas um arremate para finalizar a imagem” , afirma o fotógrafo Valentino Fialdini, que queria ser chef de cozinha, mas mudou de ideia quando começou a trabalhar como assistente no estúdio do pai, o também fotógrafo Rômulo Fialdini. Desde 1997, faz seu voo solo, produzindo imagens para agências de publicidade, revistas e empresas. A foto do Camboja (à esquerda) tem 1,80 x 1,20 m, e a da Jordânia, 1,70 x 1,25 m. Os trabalhos de Valentino estão à venda na Coisas da Dóris.
“A moldura não pode interferir na foto. Ela é apenas um arremate para finalizar a imagem” , afirma o fotógrafo Valentino Fialdini, que queria ser chef de cozinha, mas mudou de ideia quando começou a trabalhar como assistente no estúdio do pai, o também fotógrafo Rômulo Fialdini. Desde 1997, faz seu voo solo, produzindo imagens para agências de publicidade, revistas e empresas. A foto do Camboja (à esquerda) tem 1,80 x 1,20 m, e a da Jordânia, 1,70 x 1,25 m. Os trabalhos de Valentino estão à venda na Coisas da Dóris.

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Acima da caixa que serve de criado-mudo, imagem do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Quarto do fotógrafo Valentino Fialdini.
Acima da caixa que serve de criado-mudo, imagem do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Quarto do fotógrafo Valentino Fialdini.

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A imagem avermelhada do morro chama a atenção no canto de leitura do fotógrafo Tuca Reinés, decorado com mesa Tulipa e cadeiras que pertenceram ao hotel Quitandinha, em Petrópolis, RJ. Projetada por Carla Reinés, a estante reaproveita sobras de madeira.
A imagem avermelhada do morro chama a atenção no canto de leitura do fotógrafo Tuca Reinés, decorado com mesa Tulipa e cadeiras que pertenceram ao hotel Quitandinha, em Petrópolis, RJ. Projetada por Carla Reinés, a estante reaproveita sobras de madeira.

Natureza emoldurada

Viajando a trabalho pelo interior do Rio de Janeiro, o fotógrafo Tuca Reinés topou com a paisagem pendurada no canto de leitura de seu apartamento. "Vi o último reflexo da luz do dia batendo em um morro coberto de capim queimado. Pedi que o motorista parasse o carro e corri para o clique", conta. A imagem foi para o arquivo pessoal do fotógrafo, abastecido por ele em oportunidades como essa, que aparecem em meio à agenda lotada. Depois de montar a foto em uma moldura branca e estreita, sem passe-partout, para uma exposição, Tuca a deu de presente para sua mulher, a designer gráfica Carla Reinés. "As imagens que temos em casa hoje são as que ela mais gosta", diz.

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“Usar ou não passe-partout depende da foto. Imagens com enquadramento preciso podem dispensá-lo” , avisa o fotógrafo Tuca Reinés, que também é arquiteto, formado pela FAU-Santos em 1981. Assina as fotos de livros de grandes nomes da arquitetura, como Cláudio Bernardes e Arthur Casas. Entre seus trabalhos recentes estão as publicações Casas de São Paulo (ed. Metalivros) e Bahia Style (ed. Taschen).
“Usar ou não passe-partout depende da foto. Imagens com enquadramento preciso podem dispensá-lo” , avisa o fotógrafo Tuca Reinés, que também é arquiteto, formado pela FAU-Santos em 1981. Assina as fotos de livros de grandes nomes da arquitetura, como Cláudio Bernardes e Arthur Casas. Entre seus trabalhos recentes estão as publicações Casas de São Paulo (ed. Metalivros) e Bahia Style (ed. Taschen).

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Um kit de prateleiras, à venda na Leroy Merlin, deu origem à estante. As fotos do pugilista Maguila e do Duomo, catedral de Milão, Itália, foram emolduradas por Gopal Pillay. Note o livro de plantas ornamentais: o fotógrafo Luis Gomes, o Lula, adora fotografar flores.
Um kit de prateleiras, à venda na Leroy Merlin, deu origem à estante. As fotos do pugilista Maguila e do Duomo, catedral de Milão, Itália, foram emolduradas por Gopal Pillay. Note o livro de plantas ornamentais: o fotógrafo Luis Gomes, o Lula, adora fotografar flores.

Boas lembranças na estante

Durante a produção de uma reportagem para a revista Casa Claudia, em 2005, o fotógrafo Luis Gomes montou uma estante composta de prateleiras em seu estúdio. "Deu um trabalho danado, mas mesmo assim resolvi copiar a ideia em casa", conta, rindo. A peça aproveitou um canto sem uso, entre a cozinha e a escada para os quartos. No móvel, Lula - como é mais conhecido - apoiou fotos queridas, enquadradas em molduras variadas, sempre com passe-partout. "A moldura dourada, em que coloquei o retrato de minha filha mais velha, Tainá, foi comprada em um brechó", conta. Pequenos objetos, alinhados mais à frente, ajudam a capturar o olhar para as imagens.

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“Tenho fotos em quase todos os espaços da casa: recostadas em prateleiras, penduradas, apoiadas no piso” , conta o fotógrafo Luis Gomes, dando a dica para replicarmos a ideia em casa. Lula começou como assistente do fotógrafo Ernst Schulder, em 1978. Ingressou no extinto Estúdio Abril em 1981 e ali trabalhou durante 19 anos. É um dos grandes colaboradores de Casa Claudia e assina a maioria das capas da revista (foram nove só nos últimos 12 meses).
“Tenho fotos em quase todos os espaços da casa: recostadas em prateleiras, penduradas, apoiadas no piso” , conta o fotógrafo Luis Gomes, dando a dica para replicarmos a ideia em casa. Lula começou como assistente do fotógrafo Ernst Schulder, em 1978. Ingressou no extinto Estúdio Abril em 1981 e ali trabalhou durante 19 anos. É um dos grandes colaboradores de Casa Claudia e assina a maioria das capas da revista (foram nove só nos últimos 12 meses).

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O varal precisa ser de aço revestido de plástico. Assim, uma eventual ferrugem não contaminará as imagens. Os pregadores são de plástico, sem saliências que danifiquem o papel. O fotógrafo Marcelo Greco manda emoldurar suas imagens no Espaço Ophicina.
O varal precisa ser de aço revestido de plástico. Assim, uma eventual ferrugem não contaminará as imagens. Os pregadores são de plástico, sem saliências que danifiquem o papel. O fotógrafo Marcelo Greco manda emoldurar suas imagens no Espaço Ophicina.

Varal de experiências

Em seu ateliê - um anexo no terreno de casa -, o fotógrafo Marcelo Greco deixa as ampliações com as quais está trabalhando no momento presas em um varal, feito de cabo de aço revestido de plástico. "Olho para elas o tempo todo. Decido qual é o tamanho mais adequado, o tipo de moldura, se elas terão ou não passe-partout. O varal permite essa dinâmica e as imagens podem passar meses penduradas", diz.

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Fotos já emolduradas, da série Íntima Luz, Íntima – exposta na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 2002 –, ficam recostadas sobre a mapoteca. “São fotografias com muito preto. Resolvi deixá-las sem passe-partout e usar uma moldura também preta. Um requadro branco quebraria o clima das imagens”, afirma o fotógrafo Marcelo Greco.
Fotos já emolduradas, da série Íntima Luz, Íntima – exposta na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 2002 –, ficam recostadas sobre a mapoteca. “São fotografias com muito preto. Resolvi deixá-las sem passe-partout e usar uma moldura também preta. Um requadro branco quebraria o clima das imagens”, afirma o fotógrafo Marcelo Greco.

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“Emoldurada sem passe-partout, a fotografia passa a sensação de ser uma janela” , comenta o fotógrafo Marcelo Greco, professor do curso de Fotografia Autoral do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) e sócio da Schoeler Editions, que produz livros artesanais de fotografia, lançados em séries limitadas de 150 volumes, numerados e assinados. Atualmente, prepara seu livro Silêncio.
“Emoldurada sem passe-partout, a fotografia passa a sensação de ser uma janela” , comenta o fotógrafo Marcelo Greco, professor do curso de Fotografia Autoral do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) e sócio da Schoeler Editions, que produz livros artesanais de fotografia, lançados em séries limitadas de 150 volumes, numerados e assinados. Atualmente, prepara seu livro Silêncio.