Festival de Jardins do MAM traz projetos de artistas franceses e brasileiros
A mostra em São Paulo é a primeira versão fora da França do Festival Internacional de Jardins de Chaumont-sur-Loire
Por Cristiane Komesu
Nove espaços criados por paisagistas franceses e artistas brasileiros compõem o Festival de Jardins do MAM (Museu de Arte Moderna), que acontece no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Esta é a primeira versão fora da França do Festival Internacional de Jardins de Chaumont-sur-Loire, um dos maiores eventos de paisagismo do mundo. Com 200 m² cada, os jardins foram distribuídos nos arredores do museu, em volta da Marquise do Ibirapuera. Até 31 de dezembro, a exposição é mais um motivo para visitar o parque, que durante o mesmo período também abriga a 29ª Bienal de São Paulo. Sob o tema alimentação, o festival tem curadoria de Felipe Chaimovich e cocuradoria de Chantal Colleu-Dumond, em colaboração com a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo e com o Domaine de Chaumont-sur-Loire. Conheça os nove projetos na galeria abaixo e não deixe de visitar também a nossa seção de Jardins.
Divulgação
O sol, fonte primeira de vida e alimentação, foi a base para a composição da artista fluminense Beatriz Milhazes. O jardim é formado por semicírculos concêntricos e formas geométricas irregulares, totalmente plantados com girassóis.
O casal de paisagistas franceses Christine e Michel Péna criou Le jardin amuse-guele (em livre tradução, O jardim aperitivo) simulando uma toalha de piquenique que remete a hábitos de alimentação locais.
Apropriando-se de símbolos da cultura oriental, o paisagista francês Erick Borja cria um espaço em que uma estrutura de metal bruto forma o ideograma chinês Hé, que significa cereal, base da alimentação na China.
O jardim criado por Ernesto Neto e Daisy Cabral Nogueira chama-se Ovogênese. Delimitado por um caminho sinuoso, seu desenho forma uma entrada única para o centro do jardim, que visto de cima se assemelha a um feto em gestação.
No jardim da paisagista francesa Florence Mercier, planos verticais formados por tecido translúcido resultam numa construção penetrável, com caminhos são cobertos de ardósia. No centro, inacessível ao visitante, estão sementes de flores campestres.
No formato de um labirinto, o jardim criado por Louis Benech tem estrutura circular dividida por pés de milho, entremeados por árvores frutíferas. As árvores criam obstáculos para o visitante, como num pomar que se fecha sobre si mesmo, como nos antigos labirintos de castelos.
Estantes metálicas delimitam o espaço interno do jardim pensado pelos artistas Maro Avrabou e Dimitri Xenakis. Lá os visitantes podem andar como se passassem entre corredores de um supermercado. Nas estantes estão fixadas latas com plantas comestíveis, identificadas por rótulos que mostram a espécie cultivada.
Os dois conjuntos de mandacarus plantados pelo artista paulista Pazé têm esferas vermelhas com iluminação interna, que imitam os frutos naturais dessa planta. Para o artista, esses cactos isolados compõem uma visão fantástica, que contrasta a secura típica da caatinga brasileira com o potencial alimentar do mandacaru.
Uma composição de tecidos é delimitada por árvores e cerca vegetal no projeto dos paisagistas Michel Racine e Béatrice Saurel. Os elementos de tecido retomam a tradição europeia de amarrar tiras de roupa de uma pessoa doente numa árvore, pela crença no seu poder de cura.