Exposição explora o limite entre arte e design com objetos inspirados em contos de fadas
O Victoria & Albert Museum, em Londres, exp�e pe�as que nos levam a uma viagem pelo mundo da fantasia Por Heloisa Righetto, direto de Londres
A exposição Telling Tales - Fantasy and Fear in Contemporary Design (Contando histórias: Fantasia e Medo no Design Contemporâneo) explora a nova tendência entre designers europeus: a de criar peças em edições limitadas. Em exibição no Victoria & Albert Museum, em Londres, a mostra expõe cerca de 50 objetos, que têm em comum o conceito de fantasia, paródia ou até reflexão sobre a mortalidade. Há três seções: The Forest Glade (O Caminho da Floresta), com objetos inspirados pelos mitos e natureza, The Enchanted Castle (O Castelo Encantado), com peças que lembram o design do século 18 e Heaven and Hell (Paraíso e Inferno), inspirada no conflito entre vida e morte. O objetivo da exposição é que o expectador descubra o que essas criações têm para contar através de suas funções, materiais ou alusões históricas. Conheça algumas peças da mostra logo abaixo. Acesse sempre nossa seção de feiras e eventos e fique por dentro de todas as novidades do mundo do design, decoração e arquitetura.
Onde: Victoria & Albert Museum, em Londres, todos os dias, das 10h às 17:30
Quanto: grátis
Divulgação
O Bathboat (The Forest Glade), do holandês Wieki Somers, é um barco ao contrário, pois seu objetivo é manter a água dentro, e não estar sobre ela. O designer faz uma conexão entre flutuar na água e banhar-se nela, pois ambos provocam sensações similares.
Apesar de parecer uma construção simples, a Table#1 (The Forest Glade), de Patrik Fredrikson, passou por um processo bastante sofisticado para obter essa aparência. Os troncos foram cuidadosamente selecionados e a superfície perfeitamente alinhada. Mesmo que a impressão seja de que os pedaços de madeira estão apenas atados uns aos outros, eles misteriosamente parecem flutuar sobre o chão.
O famoso designer Tord Boontje também está presente na exposição com três cadeiras. A Petit Jardin (The Forest Glade) celebra a fertilidade da natureza e o usuário tem a sensação de que é engolido pelas plantas estilizadas que formam a composição.
A moralidade dos contos de fadas invoca oposicões entre o bem e o mal sempre com referência visual. As cadeiras Princesa e Bruxa (The Forest Glade), também de Tord Boontje, exemplificam esse fato. Enquanto a Princesa é como a fantasia de toda menina sobre um baile de princesas, a Witch é escamosa e sinistra.
O armário Sculpt (The Forest Glade), criação de Maarten Baas, parece ter sido esculpido a partir de um tronco de árvore, mas é feito de chapas de aço laminadas.
Para fazer a Laser Chair (The Forest Glade), Ineke Hans utilizou chapas de MDF e fez detalhes com laser, que remetem aos recortes que as crianças fazem em papel. O resultado é uma peça que parece ter vindo diretamente de uma fábula.
A francesa Matali Crasset criou a luminária pendente Diamonds are a Girl`s Best Friend (The Enchanted Castle). Além do formato com inspiração óbvia, a peça é fabricada com uma liga de zinco, cobre e níquel, que não mancha e o efeito final parece uma mistura de outro e prata.
A Pixelated Chair, da designer Jurgen Bey, (The Enchanted Castle) parece uma imagem pixelada de uma cadeira do século 18. O impacto do design depende do histórico e conhecimento pessoal de cada um.
Com o mesmo conceito da Pixelated Chair, a cadeira Clone (The Enchanted Castle), de Julian Mayor. Utilizando um moderno software do século 21, o designer reconstruiu uma peça com formato que remete ao século 18.
Um casamento de tradição e modernidade: as cadeiras Lathe (The Enchanted Castle), de Sebastian Brajkovic, parecem terem sido esticadas. Resultado do tecido criado digitalmente que junto com o acabamento em bronze, deixa a peça com status de obra de arte.
A cômoda George III (The Enchanted Castle), de Gareth Neal é mais um exemplo de tecnologia alinhada com o passado. São mais 800 pedaços de madeira cobrindo todos os lados do móvel, milimetricamente ajustados através de uma serra controlada por computador.
Uma das peças mais impressionantes da exposição é a mesa Cinderella (The Enchanted Castle), de Jeroen Verhoeven. Um primeiro protótipo foi feito em compensado, mas o modelo final, totalmente esculpido a partir de uma pedra de mármore, é surpreendente. O perfil, que lembra um aparador/ cômoda do século 17, com formas voluptuosas, também agrega ao móvel um status de obra de arte.
Constantin e Laurene Boym usaram arte como matéria-prima para uma linha de móveis, como a cadeira e o espelho Venus and Mars (The Enchanted Castle). Reproduções de artistas como Veronese, feitas na década de 80, servem como representação da briga entre arte e design.
A luminária Damned MGX (Heaven and Hell), de Luc Merx, inspira-se em uma cena religiosa - o último julgamento divino - utilizando o corpo como metáfora para o espiritual.
Também inspiradas pela religião, a luminária e poltrona Divina Comédia (Heaven and Hell), criações de Niels van Ejik e Miriam van der Lubbe, representam a jornada entre o inferno, paraíso e purgatório. Vemos na poltrona desenhos de ladrões sofrendo no inferno. Já na luminária, os anjos são a visão do paraíso.
A origem da mesa de centro Aluminium, de Fredrikson Stallard (Heaven and Hell) é uma técnica de análise desenvolvida em 1921 por um médico Suiço, Hermann Rorschach. Ele mostrava a seus pacientes diferentes formas abstratas, e conforme as interpretações dadas, conseguia diagnosticá-los. A mesa, que usa a teoria não só para decoração, mas também em sua estrutura, tem a mesma proposta e pode ser vista de várias maneiras.